Projecto “School at Sea”: Mariana Rosa a caminho de San Blas

Miriam Pinto e Mariana Rosa: as únicas portuguesas (faialenses) no Projecto “School at Sea”, na temporada 2017/2018

Mariana Rosa saiu este domingo, dia 7, de Curaçao (Caraíbas) para San Blas, um arquipélago pertencente ao Panamá.

Na conversa que manteve com a mãe (Susana Rosa) este sábado, dia 6, a velejadora do Clube Naval da Horta (CNH) manifestou “grande interesse” em saber as últimas novidades da sua ilha (o Faial), dos Açores, do País e até do mundo.

Mariana disse à mãe que “o ambiente a bordo é muito bom” e que está “a gostar muitíssimo!”

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“O ambiente a bordo é muito bom!”

Outra razão para o seu grande contentamento é o facto de “ter melhorado muito o inglês, principalmente ao nível da escrita”.

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“Thalassa” ancorado em em Santa Lucia, já no ano de 2018. Santa Lucia: ilha vulcânica com 617 km² de superfície, localizada entre a Martinica e São Vicente, nas Pequenas Antilhas no leste do Caribe 

Aqui fica mais informação relativa a esta viagem, a qual foi partilhada por Mariana Rosa no seu blogue:

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“A grande travessia [do Atlântico] começou com o sinterklaas (troca de prendas) e a minha foi umas das melhores”

“Grande travessia!

06.01.2018

A grande travessia começou com o sinterklaas (troca de prendas) e a minha foi (umas das melhores) feita pelo Jelle (cozinheiro). Dentro de uma caixa sem tampa, estava metade de um côco com terra e conchas e numa garrafa um poema que dizia que tinha duas surpresas. Uma era um peixe feito em madeira e a outra era um Tony Chocolony, o melhor chocolate holandês.

A travessia em si foi muito calma, sem muito vento, céu cheio de estrelas, muitos peixes voadores, a companhia de uma baleia que teve a fazer um espetáculo durante meia-hora e especialmente calor. Quem diria que em dezembro de 2017, às 11h da noite eu iria estar a usar calções e t-shirt? Ninguém. Também tivemos alguma chuva, especialmente no final da travessia.

Mas para mim o melhor foi o sheep over name, ou seja, quando tivemos 3 dias o barco por nossa conta.

Eu candidatei-me a stuurman (timoneiro), o cargo mais alto a seguir ao de capitão. A minha carta de solitação não era nada de especial, mas até acho que me saí bastante bem na entrevista.

Eu e mais 9 pessoas concorreram para stuurman e quando o Sam estava a anunciar quem tinha ficado, sentia-se um nervosismo entre nós. "The theree stuurman are... Floris, Mariana an Anouk”.

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“Candidatei-me a stuurman (timoneiro), o cargo mais alto a seguir ao de capitão”

Só nesse momento é que me apercebi para o que tinha concorrido, líder, eu ia ser a líder do watch, eu é que ia decidir o que queria fazer com o barco.

Na manhã seguinte acordámos às 7h com um alarme, fomos todos para o midle deck e o Sam disse “She is all yours”, ele estava a referir-se à Wieske, a nossa capitã.
Tivemos 3 dias com o barco por nossa conta e adorei o meu cargo.

Durante o dia o tempo estava sempre calmo, da stearing house via-se todos a trabalhar arduamente e felizes com o que estavam a fazer.

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“... da stearing house via-se todos a trabalhar arduamente e felizes com o que estavam a fazer”

No último dia tivemos que pôr o motor, porque se não íamos chegar atrasados a Dominica e quando lá chegámos era altura do meu watch e eu é que entrei com o barco no porto.

Chegámos por volta do meio-dia e tivemos uma mini-festa. Começou logo pelo maravilhoso almoço, batata doce com um bom pedaço de bife (nem sempre é fácil que a carne seja boa, por isso aproveitamos ao máximo quando ela é). À tarde pudemos nadar e para nosso espanto a água estava quente, provavelmente por causa da chuva. À noite tivemos um enorme jantar, com atum, queijo, fiambre, manteiga de amendoin e umas misturas que eles fizeram para pôr no pão, arroz, batata doce, carne, é difícil ter tanta comida numa só refeição.

O tempo tem passado tão rápido, já estou há mais de 2 meses aqui e às vezes parece que é tudo um sonho. 

Dominica!

06.01.2018

O Boilling Lake vai ser uma das coisas que vai permanecer na minha mente para sempre. Apesar de eu achar que foi mais duro que o El Teide, quero voltar e fazer tudo outra vez.

Tivemos 4 horas a andar para cada lado e o percurso era sempre subir, descer, cair, subir, descer, cair, cair.

Começámos por andar na floresta e quando chegámos aos mil metros passámos para a rocha com cascatas (e chuva). 

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“Tivemos 4 horas a andar para cada lado e o percurso era sempre subir, descer, cair, subir, descer, cair, cair”

No meio do percurso parámos num rio onde podíamos beber água e o nosso guia deu-nos cana de açúcar, uma delícia.

Quando finalmente chegámos ao Boilling Lake, tivemos a comer ovos cozidos com calor. Mas ainda não tínhamos chegado ao nosso destino final, tivemos que andar mais 45 minutos. A vista era maravilhosa, nem sei explicar.

No caminho para trás começou a chover muito e quando estávamos a atravessar uma cascata, o Max decidiu tirar uma foto mais de perto e então a Lara foi atrás dele e atirou-se para a água. Já que estávamos todos molhados porque não fazer o mesmo que ela? Foi a melhor coisa que podíamos ter feito. A água estava quente, nós estávamos felizes até ao momento que a Miriam sem querer deixou cair os óculos na água e nós começámos a rir às gargalhadas dela (tenho que me lembrar deste momento para sempre), mas eu mergulhei e encontrei-os. 

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“A Miriam sem querer deixou cair os óculos na água, mas eu mergulhei e encontrei-os” 

Outro momento para não esquecer, foi quando nos deixaram, em vez de ir pelo trilho, ir pelas cascatas.

Quando voltámos para a floresta, devido à chuva, caí na lama vezes suficientes para ter as minhas pernas todas arranhadas e a minha roupa toda suja, mas ninguém se importa.
Nem sei encontrar uma palavra em português para descrever o que vi, mas por acaso em holândes sei, “prachtig”.

Chegámos aos Rastafaris à noite, tivemos um jantar muito acolhedor, montámos os nossos hammock (redes) e fomos dormir. No dia seguinte, apesar de estarmos muito cansados, fomos para a Victoria Falls.

Mais um caminho com muita água, pedras e muitas quedas, mas tudo valeu a pena. A vista era linda.

Nos outros dois dias com eles estivemos a relaxar, ver como eles vivem, nadar no rio e também fomos à cidade.

Eles foram muito simpáticos connosco e um dia, sem dúvida quero voltar lá.

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“Eles [Rastafaris] foram muito simpáticos connosco e um dia, sem dúvida quero voltar lá”

Ano Novo

06.01.2018

Primeiro ano novo que não passo em casa, mas não podia ter sido melhor. Só dizer que foi nas Caraíbas (Saint Lucia) já devem estar a imaginar.

O dia 31 começou com uma grande limpeza e mudança. Limpámos todos os cantos do barco para preparar a grande festa que iamos ter à noite com mais 40 holândeses de um outro barco-escola.

Também tivemos que mudar de quartos. Eu passei do maior quarto de 3 pessoas para o maior de 2 pessoas e depois de ganhar, pedra papel ou tesoura, fiquei com a maior cama do barco inteiro.

Com tudo bem limpo e arrumado, tivemos direito a 1h e 30 minutos na ilha com os nossos telemóveis. Mal lá chegamos, fomos à procura de um café com internet, porque estávamos cheios de fome e queríamos a internet para falar com os nossos pais e amigos.
Quando o tempo acabou, voltámos para o “Thalassa” e alguns rapazes do outro barco já lá estavam para nos ajudar a preparar o grande jantar. Eu e mais algumas pessoas não tínhamos ficado com nada para fazer, então fomos nadar. Atirámo-nos de todas as partes do barco, até com um cabo a fazer de conta que éramos o Tarzan. No nosso último banho do ano, tivemos direito a um pôr do sol lindíssimo.
Por volta das 7h, começámos a jantar e podíamos escolher atum ou pernas de frango e para acompanhar massa ou arroz. A seguir a um belo jantar, veio a música e ficámos quase até à meia-noite a dançar.

5 minutos antes de mudar o ano, o Sam, o Jelle e o Paul pegaram no semi-rígido e 3, 2, 1: Feliz Ano Novo com fogo de artifício. E o que fizemos a seguir? Atirámo-nos todos para a água. Alguns ainda com roupa, outros de biquíni, mas estávamos todos lá.
Assim acabou o meu ano de 2017 e começou o de 2018.

PS - Obrigada a todos os amigos, familiares, patrocinadores e especialmente ao meu melhor amigo, por fazerem com que eu esteja aqui, a navegar, a aprender e a ver o mundo no “School At Sea”. 

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“Thalassa” a chegar a Curaçao

A faialense Mariana Rosa encontra-se desde Outubro de 2017, no “School at Sea” – Projecto educativo holandês que reúne alunos de todo o mundo, do ensino secundário, com idades entre os 14 e os 17 anos .

Esta viagem de sonho, que decorre a bordo do “Thalassa” – que veio substituir o “Regina Maris” – tem a duração de 6 meses: de 21 de Outubro de 2017 a 21 de Abril de 2018. 

No âmbito do “School at Sea”, uma das paragens obrigatórias, será, como habitualmente, na ilha do Faial, o que deverá acontecer de 25 e Março a 1 de Abril de 2018.

Mariana Rosa, de 15 anos de idade, iniciou, neste ano lectivo, o 10º ano de escolaridade, e tem como colega de aventura a amiga Miriam Pinto, de 17 anos, que se encontra no 12º ano, ambas na Escola Secundária Manuel de Arriaga (ESMA), da Horta.

À excepção de Mariana e Miriam, que são portuguesas, os restantes alunos são todos holandeses.

Recorde-se que do Faial, já participaram neste projecto Júlia Vieira Branco, Bartolomeu Ribeiro, Emília Vieira Branco, Carolina Salema e Jorge Medeiros, com a particularidade de todos terem frequentado a Escola de Vela do Clube Naval da Horta.

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Esta será, certamente, uma experiência irrepetível, recordada para sempre

Fotografias cedidas por: Susana Rosa

Itinerário da viagem:

De 21 a 26 de Outubro de 2017: Amsterdão

De 27 de Outubro a 16 de Novembro de 2017: Navegação

De 17 a 23 de Novembro de 2017: Santa Cruz, Tenerife

De 24 a 30 de Novembro de 2017: Navegação

De 1 a 3 de Dezembro de 2017: Cabo Verde

De 4 a 19 de Dezembro de 2017: Navegação

De 20 a 24 de Dezembro de 2017: Dominica

De 25 a 29 de Dezembro de 2017: Navegação

De 30 de Dezembro a 6 de Janeiro de 2018: Curaçao

De 7 a 12 de Janeiro de 2018: Navegação

De 13 a 18 de Janeiro de 2018: San Blas Eilanden (Panamá)

De 19 a 20 de Janeiro de 2018: Navegação

De 21 de Janeiro a 1 de Fevereiro de 2018: Costa Rica

De 2 a 12 de Fevereiro de 2018: Navegação

De 13 a 24 de Fevereiro de 2018: Cuba

De 25 de Fevereiro a 4 de Março de 2018: Navegação

De 5 a 10 de Março de 2018: Bermuda

De 11 a 24 de Março de 2018: Navegação

De 25 de Março a 1 de Abril de 2018: Açores (Ilha do Faial)

De 2 a 17 de Abril de 2018: Navegação

De 18 a 21 de Abril de 2018: Ijmuiden (Holanda)

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