“Conhecer os Nossos Atletas” – Lucas Martins: “Através da Canoagem, vejo o mar como uma segunda casa”

Foi por incentivo do antigo Treinador – Carlos Pedro – que Lucas Martins decidiu dar uma oportunidade à Canoagem, já lá vão 3 anos. “Dei um empurraozinho no sentido de a minha mãe também começar a praticar, o que foi bom, pois é uma companhia”, sublinha este canoísta (Cadete Masculino) do Clube Naval da Horta (CNH).

Lucas recorda que o primeiro contacto que teve com a modalidade foi quando era pequeno – agora, já tem 15 anos de idade – no decorrer de umas Férias Desportivas e, apesar de também ter experimentado Vela e Natação, “a Canoagem foi sempre o que mais puxou”.  

Confessa que no início “foi difícil” lidar com as técnicas, mas percebeu que tudo é uma questão de tempo. “Tinha medo de revirar, o que acontece com diferentes condições de vento e de mar, mas agora já acho isso normal”, sublinha, para logo de seguida acrescentar: “Para aprender, temos de revirar”.

Considera que tanto o anterior Treinador como o actual – Hugo Parra – são “excelentes”. Contudo, diz que “o Hugo é mais calmo”, salientando que “o Carlos Pedro tinha os seus pontos bons. O Parra puxa por nós e ensina-nos muitas coisas. Às vezes tenta passar-nos aquilo que tinha lá no seu Clube, no Continente, onde a Canoagem é muito diferente. Não há comparação entre o que fazemos aqui e o que se vive nos Nacionais. O Clésio confirmou-nos isso mesmo”.

Lucas também gosta do trabalho de David Mila – Treinador de Iniciação – quando os treinos decorrem de forma conjunta.

Quando questionado sobre o grupo, responde de forma rápida e espontânea: “O nosso grupo tem um espírito de família. Somos amigos. A gente ajuda-se e motiva-se. Puxamos uns pelos outros. Há inter-ajuda”.

Sempre que há Provas – locais ou regionais – prevalece “o espírito de competição”, centrando-se o foco em “cada um trabalhar para melhorar os seus tempos”.

E, a propósito de competições, Lucas esclarece: “Dou a mesma importância tanto às provas locais como às regionais, embora os Regionais nos dêem a motivação para treinar todas as semanas”.

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“O Parra puxa por nós e ensina-nos muitas coisas”

Mesmo quando, localmente, há mais canoístas em prova, como acontece sempre que os vizinhos de São Roque do Pico vêm ao Faial, impera a amizade e o convívio e as conversas não se cingem a este desporto. Mas, naturalmente, que esse factor aguça “o espírito competitivo”, embora “todos sejam amigos”.

“Na Terceira, sentimos que alguns canoístas estão mais bem preparados, mas isso passa não só pelo treino, como, também, pelo facto de terem caiaques mais leves e rápidos”.

“Ajudava bastante se tivessemos caiaques novos e melhores instalações”

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“O Surfski dá segurança ao canoísta e é mais uma forma de ganhar confiança em nós próprios”

E como principal problema, Lucas aponta precisamente “o cansaço do material” do Clube Naval da Horta. “Ajudava bastante se tivessemos caiaques novos, bem como pagaias e coletes. Há poucos caiaques para a fase a seguir à Iniciação. Os nossos Millenium, Katabatic e Thunder Kid estão danificados.

Nos Regionais, o que mais se vê são os Surfski (o mais usado e moderno) e alguns Tsunami. Claro que o ideal seria todos termos Surfski’s, pois dão segurança ao canoísta e é mais uma forma de ganhar confiança em nós próprios”.

Este jovem atleta sabe que a segurança está sempre presente e todo o grupo usa o colete, a pagaia e o saiote. O saiote impede a entrada de vento e água no caiaque, o que dá estabilidade ao barco, ao mesmo tempo que prende o canoísta. “Sentimo-nos mais seguros, porque a água não entra e o vento não abana o caiaque”, realça.

O plano semanal inclui treinos no mar e em terra. Além da corrida, o trabalho de ginásio ajuda a criar resistência e a ganhar massa muscular. “Fazemos ginásio no barracão/contentor, mas o espaço é bastante reduzido. Era bom ter melhores instalações, pois, para arrumar o material e treinar, torna-se apertado, e então quando recebemos os do Pico, nem se fala!”

Lucas recorda que houve um mini-projecto proposto pela Secção de Canoagem à Direcção do CNH no sentido de ser adquirido mais algum material de treino, “fundamental no ginásio (halteres, fitas, etc), o que foi importante”.

“A Susana é uma Directora com quem podemos contar”

Este canoísta sente que “o Clube apoia e ajuda” a sua Secção, vendo com bons olhos o habitual convívio a seguir a cada uma das provas. “É bom, pois é uma forma de unir mais o grupo, funcionando como motivação. Além disso, também é positivo para não ser só o espírito de prova/casa.

Desde que a Susana é Directora da Secção, juntamo-nos e convivemos mais. É uma Directora com quem podemos contar e conversar sempre que é preciso. Escuta-nos e actualiza-nos em termos de informação”.

“Ao sábado, passo excelentes momentos em grupo”

Embora a Secção de Canoagem do CNH conte com 12/13 atletas, a verdade é que, “podia ter mais”, na opinião deste jovem.

E quando tudo puxa os canoístas para não irem aos treinos, Lucas deixa a receita mágica: “Mesmo não apetecendo, por causa do vento, da chuva ou do frio, o gosto pela modalidade leva-nos a vir treinar. Vimos pelo grupo!”

“Tenho Escola durante toda a semana e ao sábado passo excelentes momentos em grupo. A Canoagem é, também, uma forma de conviver”.

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“O nosso grupo tem um espírito de família, somos amigos”

Instado a formular desejos para a Canoagem, o nosso entrevistado pensa um pouco e diz que gostava que o grupo tivesse mais canoístas, que a Secção contasse com equipamento novo e que pudesse ganhar no Regional.

Perder o medo do mar

Recorde-se que este atleta do CNH já participou em dois Regionais: o primeiro decorreu em São Miguel e o segundo na Terceira, “a ilha que está mais avançada na Canoagem e tem muitos canoístas experientes”.

As deslocações permitem “aprender, passear e fazer amigos”. “A experiência que ganhamos ao longo da época desportiva é vantajosa noutras situações, pois se me convidarem para ir dar uma volta de barco ou até mesmo um mergulho, vou”, realça.

Foi quase no fim desta conversa – no âmbito da rubrica “Conhecer os Nossos Atletas” – que Lucas Martins revelou o seu grande segredo: “Um dos motivos por que vim para a Canoagem foi para perder o medo do mar e hoje vejo o mar como uma segunda casa”.

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Os prémios ganhos são um estímulo no sentido de crescer como canoísta

Da esquerda para a direita: José Decq Mota, Presidente da Direcção do CNH; Lucas Martins, canoísta do CNH, exibindo a prova de mais uma conquista; Susana Rosa, Directora da Secção de Canoagem do CNH; e Olga Marques, Vice-Presdente do CNH

Captar novos canoístas

Lucas Martins frequenta o 10º ano na Escola Secundária Manuel de Arriaga (ESMA), da Horta, na Área de Economia. Educação Física e Economia são as disciplinas de eleição, embora ainda não tenha definido o caminho profissional. Ainda assim, sabe que o futuro o levará para fora do Faial, pelo que garante que vai procurar praticar Canoagem no clube que ficar mais perto da universidade. Certo será o facto de nas férias vir “matar saudades ao CNH”.

Embora coloque os estudos em primeiro lugar, assevera que “há tempo para tudo”, o que também inclui o futebol: jogou no Fayal, na época passada foi para o Atlético pelo facto de o seu Clube não ter tido equipa no escalão pretendido, e este ano regressou ao Fayal. Mesmo assim, o CNH nunca é preterido. “Estou sempre a ver se consigo trazer mais pessoas para a Canoagem. E estou quase a convencer alguns dos meus colegas, que me perguntam se é difícil e se eu não tenho medo. Digo-lhes que têm de experimentar como é bom estar no mar”.

Definir numa só palavra o que representa a Canoagem, foi algo que Lucas preferiu não dizer, pelo facto de a expressão que ia utilizar já estar muito batida. Por isso, inspirou-se e deixou esta mensagem: “A Canoagem é um bom desporto e todos deviam praticá-lo. Dá-nos a conhecer o mar, fazendo com que percamos o receio dele, e permite-nos conviver”. 

“A vida está diferente”

Lucas Martins considera que mudou desde que começou a praticar Canoagem no CNH. “A vida está diferente. Criei novas amizades e posso contar com eles [colegas canoístas] fora da Canoagem. Este desporto ajuda-me não só a fazer exercício e a manter-me activo como, também, a divertir-me.

Se o Clube Naval da Horta não existisse no Faial, o cenário seria pior, pois não havia tantas actividades relacionadas com o mar.

Os meus colegas do futebol sabem da existência do CNH e das muitas actividades que promove e organiza. Na perspectiva deles, o que custa mais é enfrentar a água e, realmente, até aquecermos, é um esforço entrar na água fria. Por vezes, o tempo impede-nos de treinar no mar, mas em terra há sempre algo a aprender”.

Lucas: foi um gosto conhecer-te e poder conversar abertamente contigo. Espero que a Canoagem nos faça cruzar mais vezes e que a tua aposta neste desporto se mantenha, paralelamente a outros sonhos que acalentas. A tua coragem e força de vontade devem ser exemplos a seguir, sobretudo por aqueles que precisam de vencer medos, afirmando-se num rumo onde há sempre Norte e mar seguro.

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