Um dia com os atores das Férias Desportivas do CNH 2017

À hora marcada, o grupo acompanhado pelo professor Miguel Mendes encontrava-se junto à entrada da Associação Faialense de Bombeiros Voluntários. O objetivo era perceber o funcionamento de alguns aspetos desta instituição humanitária.

O Comandante, Nuno Henriques, deu as boas-vindas a todos e começou logo por alertar que iria ser uma pequena visita, atendendo ao manancial de equipamento existente e às variadas missões levadas a cabo pelos voluntários e profissionais desta casa. O primeiro foco foi a ambulância, que suscitou grande curiosidade pelo facto de ter sido permitido ligar a sirene, os rotativos e testar o conforto dos assentos deste carro de socorro.

Nuno Henriques explicou que o objetivo da ambulância é chegar o mais rápido possível junto de quem necessita de socorro, respeitando as prioridades. Para alcançar essa rapidez, são ligados os rotativos, a sirene e os piscas, o que permite obter prioridade em termos de trânsito. Com a perspetiva pedagógica e de exemplo a seguir, também é usado o cinto de segurança, pois quem socorre necessita igualmente de estar seguro.

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O Comandante, Nuno Henriques, indicou alguns dos procedimentos que os tripulantes de ambulância têm em caso de socorro

Passando à parte traseira da ambulância, o jovem comandante assinalou que o procedimento habitual é avaliar a temperatura, a pulsação e ver qual o nível de oxigénio no sangue, além de ser preciso perceber o tipo de lesões da vítima, etc.

A seguir, foi experimentado equipamento de combate ao fogo, à medida que iam sendo dadas indicações daquilo que costuma acontecer no terreno. Carina Medeiros disponibilizou-se a ajudar os elementos das Férias Desportivas que se iam divertindo mas, ao mesmo tempo, aprendendo com estas novas experiências.

Passando a um carro de combate a incêndio, Márcia Medeiros, Bombeira Voluntária há 7 anos e condutora de ambulância, teve o cuidado de descrever pormenorizadamente o equipamento que se encontra na cabine e no veículo. As crianças sentaram-se nos lugares habitualmente ocupados pelos bombeiros voluntários e foram acompanhando a descrição feita daquilo que poderá ser um dia de combate a incêndio.

No exterior do veículo pudemos ver extensões e um tripé destinados a montar um holofote na zona de combate, caso não haja iluminação suficiente; um gerador grande; um poço de fazer espuma; combustível extra para as ferramentas da viatura; uma moto-bomba para puxar água em caso de inundação; uma escada de corda se for preciso descer um poço ou uma ravina, apesar de a Associação dispor de uma Equipa de Grande Ângulo, treinada precisamente para esse tipo de situações e outras de maior risco e dificuldade; várias aricas extras (garrafas de reserva com ar comprimido); máscaras extras; agulhetas de espuma; mangueiras e, mesmo na traseira encontra-se o castelo do carro, parte em que só o condutor pode mexer.

Na parte superior do carro também se encontra material para combate a incêndios, como enxadas, pás, etc; e no lado oposto àquele que vinha sendo descrito, há disjuntores para montar uma linha de água. Neste ponto, Márcia Medeiros pontificou que existe sempre uma linha de ataque e uma de proteção.

Foi possível observar, ainda, uma bomba de profundidade destinada a captar água, com efeito de sucção, dispondo de uma rede para filtrar o lixo que possa existir na água.

A visita da manhã desta sexta-feira (dia 21) ao Quartel dos Bombeiros Faialenses, constituiu apenas uma amostra da realidade de trabalho diário desta casa, onde o grupo foi muito bem acolhido e, na hora da despedida, simpaticamente brindado com bombons e balões, prática habitual sempre que há visitas, que têm sido em grande número este ano.

Escola de Infantes e Cadetes dos Bombeiros Faialenses

Foi possível perceber que Martim Medeiros já sabia muitas das particularidades de funcionamento desta instituição voluntária, pelo facto de frequentar a Escola de Infantes e Cadetes desde há 3 anos, ou por outra, “desde que ela existe”, como o próprio sublinhou.

A Escola tem como Coordenadoras Márcia e Carina Medeiros (sem qualquer grau de parentesco), que ajudaram o Comandante nesta visita guiada, uma autêntica lição de vida para miúdos e graúdos, certamente muito alheados daquilo que são as reais dificuldades desta Associação, a única do género no Faial, cujos elementos dão o melhor de si de forma voluntária, ao ponto de sacrificar a sua vida pela dos outros, como, infelizmente, tem acontecido bastas vezes.
“Aprender e fazer coisas novas”

E foi este facto que levou o Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta a ter uma pequena conversa com Martim Medeiros, um menino de 10 anos, de olhos cativantes e ar tímido, cujo sorriso ilumina um rosto doce. Percebeu-se que é um aluno atento, que leva os ensinamentos a sério, constituindo um exemplo pela sua postura calma, mas responsável, que vai registando o filme da ação.

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Martim Medeiros desde sempre quis ser Bombeiro e já garantiu a sua presença nas Férias Desportivas em 2018

Martim confessou que “desde sempre quis ser Bombeiro, porque isso permite salvar muita gente”. Embora não haja historial na família, confirma que o futuro passa por essa nobre causa, reveladora de grande desprendimento pessoal e sentido humanitário. Revela que “o pessoal da Corporação é simpático”, mas percebeu-se que o Martim também já é especial ali dentro.

Quanto às Férias Desportivas, da responsabilidade do CNH, afirma que “são boas”, tendo em conta que constituem “uma oportunidade para fazer e aprender coisas novas”. E quando questionado sobre a atividade mais marcante, não tem dúvidas em afirmar que foi mergulhar com garrafas. “Foi a primeira vez e não tive medo”, salienta, orgulhoso.

Quando lhe perguntamos o motivo de se ter inscrito neste Projeto, responde que pesou muito o facto de os amigos também fazerem parte do grupo. Para que não restem dúvidas do interesse pelas Férias Desportivas do CNH, Martim garante que quer voltar no próximo ano.

O Coordenador do Projeto, professor Migue Mendes, é descrito como sendo “bom”.

Continuando a subir na faixa etária, falámos com Guilherme Bettencourt, de 12 anos, um veterano digamos assim, se tivermos em conta que começou a participar nas Férias Desportivas aos 6 anos de idade.

“O professor Miguel está a fazer uma grande diferença”

Este adolescente, desinibido, observador e bastante comunicador, diz que participa nas Férias “por gosto e não por obrigação”, pois até poderia ter passado este mês com a avó, “o que também teria sido bom”. Contudo, garante que aprende “sempre” nas visitas de estudo que este Projeto possibilita.

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Guilherme Bettencourt revelou que este ano está a gostar particularmente das Férias Desportivas

E partilha um dado curioso: “Este ano estou a gostar particularmente pelo facto de o programa incluir mais atividades e mais visitas. Está mais diversificado e está sendo muito bom”. Destaca, também, o Batismo de Mergulho como tendo sido a atividade (nova) preferida e, a propósito do professor Miguel Mendes sublinha: “Ele fez uma grande diferença este ano e é com muita pena que me despeço das Férias Desportivas, atendendo a que já tenho 12 anos”.

E remata: “Os Monitores são bons. Muitas vezes pensamos que quem vai tomar conta de nós tem de ser chato, mas a verdade é que são simpáticos! Não foram aborrecidos nem secantes”. Na lista dos top ao longo destes 6 anos, os eleitos são os professores David Castro e Lúcio Rodrigues e as Monitoras Maria e Joana Castro.

Guilherme sustenta que “é bom rever amigos e fazer novos”, salientando que “há muita inter-acção”. “Adoro interagir e desde pequeno que quero ser gestor. Gosto muito do contacto com o comércio. É por isso que participo sempre em atividades que me permitem fazer trocas, vender, contactar com comércio, como é o caso de barraquinhas, tascas, etc”.

As Férias Desportivas do CNH 2017 contam com Maria Almeida, Maria Castro, André Oliveira, Raquel Brasil e Clésio Pereira como Monitores.

Atendendo aos diferentes escalões etários, os vários participantes deste Projeto são divididos em grupos, permitindo uma maior assimilação da informação transmitida e um cabal aproveitamento das atividades realizadas.

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