Festival Náutico do CNH 2017 – 14 nadadores concluíram a Prova de Natação de Águas Abertas/8 kms

- Tiago Durães foi o vencedor, com fato

- Maria Armas foi a vencedora, sem fato

O mau tempo que se abateu sobre a ilha do Faial na manhã desta sexta-feira, dia 4, fez com que os nadadores tenham realizado um percurso alternativo à Travessia do Canal Pico/Faial. Como tal, foi realizada a Prova de Natação de Águas Abertas/8 kms (Porto Pim/Feteira/Porto Pim, que na prática foram cerca de 9 kms).

O Presidente do Clube Naval da Horta (CNH), José Decq Mota, explica que “a alternativa se centrou na costa Sul do Faial por ser o local mais próximo e onde as condições de vento, maré e mar produziam menos efeitos negativos”. E acrescenta: “Esta decisão foi tomada pelas 8h45 desta sexta-feira, tendo sido cumprido o restante horário e mobilizada a estrutura, adaptando-a ao novo percurso de cerca de 9 kms”.

José Decq Mota ressalva que “esta foi uma decisão da Comissão Técnica da Prova, da Direção do CNH e da Autoridade Marítima”, frisando que “não houve proibição mas concordância de posições”.

Inscritos estavam 18 nadadores – dos quais 3 elementos femininos – oriundos do Faial, Pico, Terceira, São Miguel, Continente português (Lisboa e Porto), Espanha, Itália e França. Verificaram-se 4 desistências: 3 antes da prova e 1 no decorrer da mesma. Este Dirigente lamenta que as condições atmosféricas não tenham permitido a Travessia do Canal. Para precaver eventuais situações semelhantes, o Presidente do CNH equaciona a possibilidade de, futuramente, “puderem ser estudados 2 diferentes dias para a realização da Travessia”, mas vai logo adiantando que “isso implica alterações estruturais no programa”.

Olga Marques, Vice-Presidente do CNH, concorda que “esta alternativa não foi tão agradável quanto teria sido fazer a Travessia”, chamando a atenção para o facto de “a distância ter sido superior: perto de 9 kms e o grau de dificuldade não ter sido inferior, com duras condições de prova”.

Tanto o Presidente como a Vice-Presidente do CNH aproveitam esta oportunidade para expressarem, de forma pública, o seu agradecimento às dezenas de Voluntários (Sócios, Dirigentes, Treinadores, Amigos e Simpatizantes do Clube Naval da Horta, que deram de si, do seu tempo e das suas embarcações), pois sem o indispensável apoio e empenho de todos não teria sido possível levar a cabo esta grandiosa Prova, que atesta de forma inequívoca a importância crucial o trabalho gigantesco e gracioso dos Voluntários no Festival Náutico do CNH, o maior que se realiza em Portugal. “A todos, um grande e sincero obrigado!” De realçar, ainda, a estreita colaboração com a Autoridade Marítima e a dedicação dos elementos da Comissão Organizadora da Travessia do Canal – que este ano teve como alternativa a Prova de Natação de Águas Abertas/8 kms – que constitui já um cartaz incontornável de promoção turística da ilha do Faial e da Região Açores, com a chancela do Clube Naval da Horta, o mais dinâmico dos Açores.

“Pretendo voltar em 2018 para fazer a Travessia do Canal”

Entrevistado pelo Gabinete de Imprensa do CNH, Tiago Durães, de Oeiras, diz que “a sensação é boa” e que “não estava à espera” de ganhar a Prova. Ele foi o vencedor, com fato, tendo levado 2 horas e 22 minutos. Impossibilitado de estar presente na Cerimónia de Entrega de Prémios, que se realiza este sábado, dia 5, no decorrer do Caldo de Peixe, evocativo de “Como tudo começou...”, com início pelas 20h30, Tiago Durães já foi fotografado de medalha ao peito, ao lado do Presidente do CNH.

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Confessa que quinta-feira, dia 3, ainda tinha expectativa de fazer a Travessia do Canal mas hoje de manhã (sexta-feira, dia 4) quando viu tudo nublado, percebeu logo que não ia ser possível. No entanto, garante que pretende concretizar esse desafio, pelo que se continuar a prática da natação (em piscina), voltará em 2018 para fazer a Travessia do Canal. E já deixou recado para ser contactado logo que abram as inscrições para o próximo ano.

Sendo engenheiro civil de profissão, a natação representa um hobby. Até agora, este continental desconhecia por completo os Açores e nesta curta viagem – de 3 a 5 – apenas viu parte do Faial.

Questionado sobre a forma como descobriu a Travessia do Canal organizada pelo Clube Naval da Horta, refere que foi através de uma amiga, que faz travessias curtas, que ao ver a informação no Facebook lhe comunicou. Daí até ter entrado em contacto com a Secretaria do CNH foi um ápice, tendo feito a sua inscrição há bastante tempo.

O vencedor dedica a vitória às filhas gémeas: Joana e Maria, de 7 anos, que, certamente estão orgulhosas do feito alcançado pelo pai.

A propósito da Prova, afirma que não parou para comer nem beber e que até à boia (na Feteira) nadou a um ritmo moderado. Já no regresso, imprimiu maior velocidade, vindo sempre encostado à costa. Durante o percurso apenas viu uma caravela portuguesa.

Embora admita que sabia estar “bem colocado”, assegura que “nunca” pensou ganhar.

O vencedor realça o trabalho do skipper do barco de apoio, Luís Moniz, a quem agradece, e dá os parabéns à Organização.

Tiago Durães refere que do pouco que teve possibilidade de ver, pode dizer que gostou da ilha, sublinhando que “as pessoas são simpáticas”. Certamente que esse é um fator de peso para que que regresse no próximo ano e incentive amigos e conhecidos a virem conhecer o Faial, ainda mais agora que percebeu que pode fazer um périplo pelo Triângulo, oportunidade exclusiva nestas ilhas do Grupo Central.

Este afável engenheiro, refere que trocou contactos com nadadores para provas futuras, os quais se revelaram “muito prestáveis”. Não admira, pois, que tenha feito novos amigos.

“Só queria completar a prova”

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Maria Armas: a 1ª mulher a completar a prova e a 1ª na linha de chegada sem fato

Maria Armas, de 19 anos, natural da ilha Terceira, foi triplamente vencedora pois, além de ter sido a 2ª da geral (demorando 2 horas e 26 minutos), foi a 1ª a cortar a linha de chegada dentro daqueles que não usaram fato, tendo, também, sido o 1º elemento feminino deste conjunto. Além dela, havia ainda em prova outras 2 adversárias: Letícia Toste, igualmente terceirense, e Laurence Falconet, francesa.

A corrente impediu esta praticante de natação de ter completado a Travessia do Canal (Faial/Pico) em 2016. Por isso, preparou-se para vencer o desafio este ano, confessando que só queria acabar o percurso. Por isso, “jamais” pensou que poderia ganhar. Contudo, admite que foi “interessante” ter levado a dianteira aos homens presentes na prova (à exceção do vencedor com fato). Perante a mudança de planos, esta terceirense diz que tem de voltar em 2018, pois a Travessia do Canal continua atravessada. O objetivo agora é convencer gente da sua faixa etária a participar neste desafio, “o que não se tem revelado muito fácil”.

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Esta jovem já fez travessias na sua ilha e começou nestas aventuras há apenas 1 ano, a convite do tio, Elias Ribeiro, também ele amante destas provas.

Maria Armas considera que “este ano correu muito melhor do que no ano transato” e admite que “o cansaço e o facto de o mar estar agitado foi o mais difícil, já na reta final”. Fazendo uma avaliação, acha que devia ter comido, mas não o fez para não perder tempo e também por recear que isso a deixasse enjoada. Como tal, só bebeu água.

Na opinião desta participante, “o Circuito foi bem organizado e tudo decorreu sem problemas”.

“Destaco o espírito de equipa, a mobilização do CNH e a simpatia de todos”

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Ricardo Frias: “O cansaço, a maré e o vento dificultaram, mas o mais complicado foi o facto de os braços não quererem ajudar”

Ricardo Frias, de Lisboa – que demorou 2 horas e 30 minutos a fazer o percurso – afirma que costuma realizar travessias, embora esta tenha sido a primeira no Faial e nos Açores. Como tinha férias marcadas para o Triângulo (Faial, Pico e São Jorge), já vinha com a intenção de se inscrever caso houvesse alguma prova. No entanto, “não estava à espera de ganhar” e confessa que “foi duro”. E explica: “Embora a corrente para lá estivesse boa, para cá, o cansaço, a maré e o vento dificultaram, mas o mais complicado foi o facto de os braços não quererem ajudar”.

Este adepto das travessias – já fez várias no Continente e também na Madeira – revela que não costuma parar quando os percursos são até aos 10 kms.

Mesmo dizendo que não estava preparado, confirma que “tinha consciência das condições”. O facto de só muito recentemente ter recuperado de uma lesão de bicicleta – outra paixão – não o impediu de agarrar este desafio, visto em primeiro lugar para com ele próprio e só depois para com os outros.

Destaca a “excelente organização do CNH”, a quem dirigiu os parabéns, salientando o acolhimento, o tratamento em prova e o acompanhamento. “Fui muito bem acolhido e garantidamente é para voltar em 2018 e fazer a Travessia do Canal. Se puder, trago outros comigo”.

“Dentro da capacidade organizativa, quero ainda vincar o espírito de equipa, a espantosa mobilização do Clube Naval da Horta e a simpatia de todos os que por aqui andam. É inerente às pessoas de cá e à forma como recebem”, sustenta.

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O facto de ter tido oportunidade de visitar três ilhas, permiti-lhe afirmar que “cada uma é muito particular”. Realça “a imponência de São Jorge com as suas magníficas e únicas fajãs, a rota da baleia e do vinho no Pico, além da majestosa montanha, e a hospitalidade do Faial e das suas gentes, muito viradas para o mar. Sou professor de Educação Física e fico contente por ver tanta gente a praticar desporto no Faial, onde se respira actividades náuticas, sem dúvida muito mais do que em Lisboa, também uma cidade situada à beira-mar”.

Classificação:

Com fato:

1.Tiago Durães: 2h 22’01’’85

2.Ricardo Frias: 2h 30’49’’60

3.Pablo Garcia Alta Ribas: 2h 45’25’’48

4.Jorge Fontes: 2h 58’32’’38

5.Rodrigo Rodrigues: 2h 58’54’’58

6.Sérgio Alves: 3h 11’54’’80

7. Paulo Alves: 3h 14’14’’45

8.Tomás Oliveira: 3h 19’31’’95

9.Laurence Falconet: 3h 52’06’’87

10.Mirko Girolamo: 3h 52’27’’77

11. Arnaldo Martins: 4h 03’24’’04

12.Elias Ribeiro: DNF

13.Albino Pinheiro: DNS

14.Alexandre Guerreiro: DNS

15.Vítor Medeiros: DNS

(DNF: não completou a prova/DNS: não realizou a prova)

Sem fato:

1.Maria Armas: 2h 26’08’’17

2.Letícia Toste: 3h 47’44’’00

3.Paulo Monjardino: 4h 22’27’’47

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