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IX Regata Internacional de Botes Baleeiros de 7 a 9 de Setembro, em New Bedford

Comitiva da Ilha do Faial embarca terça, dia 5

Esteve reunida esta semana, a comitiva da Ilha do Faial que vai à América, a fim de participar na IX Regata Internacional de Botes Baleeiros, que decorre de 7 a 9 do corrente, em New Bedford. Na prova, organizada pela Azorean Maritime Heritage Society (AMHS), serão utilizados os 3 botes desta instituição e que são o “Faial”, o “Pico” e o “Bela Vista”.

Será com estas embarcações que cada uma das tripulações irá realizar as Regatas de Remo e de Vela. A comitiva faialense é constituída por elementos que representam todas as entidades desta ilha possuidoras de património baleeiro (CNH e Juntas de Freguesia das Angustias, Capelo, Castelo Branco, Feteira e Salão).

A ilha do Pico também participa nesta IX Regata Internacional de Botes Baleeiros com uma tripulação feminina e uma masculina.

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Regatas de Botes Baleeiros: a preservação de um património identitário

Delegação da ilha do Faial avista-se com o Presidente da Câmara Municipal

A comitiva faialense é composta por uma equipa feminina e uma masculina, de 9 elementos cada, bem como pelo Presidente da Direcção do CNH, José Decq Mota.

O Grupo Coordenador desta comitiva integra o mais alto dirigente do CNH, José Decq Mota; Luís Alves, membro da Direcção do Clube; Rute Matos, Oficial Feminino, e Pedro Garcia, Oficial Masculino, e será recebido pelo Presidente da Câmara Municipal da Horta, José Leonardo Silva, na próxima segunda-feira, dia 4, pelas 11 horas, nos Paços do Concelho.

A Delegação do CNH apresentará cumprimentos de despedida, disponibilizando-se para ser portadora de mensagens do Município da Horta para a cidade-irmã de New Bedford, assim como para outras instituições da nossa comunidade naquela cidade da diáspora.

Recorde-se que Horta e New Bedford são cidades-irmãs, fruto da geminação oficialmente celebrada em 1972.

Comunidade de New Bedford fortemente envolvida

José Decq Mota refere que a IX Regata Internacional de Botes Baleeiros, uma prova de âmbito internacional, “tem associado um vasto programa de eventos que envolvem fortemente a comunidade local”. 

Esta é a 9ª Regata Internacional de Botes Baleeiros e a 4ª que tem como palco New Bedford. Sempre que a Regata se realiza deste lado do Atlântico é organizada pelo CNH e por uma entidade que representa a ilha do Pico, decorrendo as provas no Faial e no Pico. A última realizada cá foi no ano de 2015 e a próxima será em 2019.

O embarque, rumo aos EUA, está marcado para as 8 horas de terça-feira, dia 5.

A comitiva faialense sai de Boston no dia 12 e chega a casa no dia seguinte.

O papel visionário da Azorean Maritime Heritage Society

A propósito do importante papel da AMHS, aqui ficam algumas impressões do Presidente da Direcção do CNH, que é, também, membro da Secção de Botes Baleeiros do CNH e um forte entusiasta destas Regatas e da preservação do Património Baleeiro:

“A Azorean Maritime Heritage Society, fundada há 25 anos – em New Bedford, Massachussetts, EUA – por portugueses, especialmente do Faial e do Pico, ligados pessoal ou familiarmente às actividades baleeiras, teve sempre como objectivo a promoção e utilização lúdica da excelente embarcação tradicional que é o Bote Baleeiro Açoriano.

New Bedford foi um dos mais importantes portos baleeiros dos Estados Unidos da América e o seu belíssimo Museu Baleeiro dá conta disso mesmo. A baleação americana, a partir de navios de vela, antecedeu a baleação açoriana feita a partir de terra. Muitos navios baleeiros americanos caçavam cachalotes nos mares dos Açores e usavam o porto da Horta para reabastecimento, reparações e descarga de óleo de baleia.

Muitos e muitos açorianos foram, especialmente no século XIX, para os EUA em navios desses e muitos transformaram-se em baleeiros. Desses baleeiros luso- americanos, vários chegaram a capitães e armadores de navios da caça à baleia. Foi uma ligação de mais de 2 séculos e foi dessa ligação que nasceu a caça à baleia a partir de terra nos Açores.

As primeiras embarcações usadas foram botes americanos desembarcados de navios, sendo que a partir daí, e ao longo de vários decénios de um muito curioso processo evolutivo, nasceu o bote baleeiro açoriano: esbelto, rápido e que deu excelentes provas ao longo de toda a actividade baleeira.

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José Decq Mota: “New Bedford foi um dos mais importantes portos baleeiros dos EUA e o seu belíssimo Museu Baleeiro dá conta disso mesmo”

Razão tinham o faialense João Carlos Pinheiro, o picoense José Soares e vários outros, quando resolveram fundar a AMHS em New Bedford e quando traçaram como objectivo construir e usar do ponto de vista desportivo réplicas rigorosas de botes baleeiros açorianos. Nasceram assim, em 1997, o “Bela Vista” e, a partir de 1999, o “Faial” e o “Pico”.

Depois de ter botes baleeiros bem construídos, rapidamente a comunidade de luso-descendentes e outros cidadãos compreendeu que estava perante belíssimas embarcações  que mereciam ser utilizadas, divulgadas e preservadas. Assim nasceu o movimento de defesa e valorização do bote baleeiro açoriano em New Bedford. Ao mesmo tempo, aqui nos Açores esse mesmo movimento ganhava impulso, expressão e força social.

Foi com naturalidade que a partir de 1999 se começou a falar na concretização de uma Regata Internacional, a  realizar alternadamente em New Bedford e nos Açores. No início dos anos de 2000 começou, de facto, a realizar-se a Regata Internacional de Botes Baleeiros, alternadamente em New Bedford e no Faial e no Pico”.

No que concerne à geminação das Cidades da Horta e de New Bedford, aqui fica o texto de Fernando Faria Ribeiro, patente na obra “Em dias passados – Figuras, Instituições e Acontecimentos da História Faialense”, página 159:

“No termo da sua histórica visita à Horta, que culminou com a institucionalização da geminação da cidade faialense com New Bedford, o mayor John Markey, dirigiu, no dia 7 de Julho de 1972, através da comunicação social uma mensagem em que agradecia “a todo o maravilhoso povo do Faial a sua esplêndida recepção e hospitalidade”. Estava a terminar a deslocação que o presidente da Câmara de New Bedford fizera aos Açores, na companhia do conselheiro municipal Manuel Fernando Neto, nosso conterrâneo e já imigrante de sucesso nos Estados Unidos. Essa viagem teve como objectivo consagrar a deliberação de 3 de Maio desse ano da nossa Câmara Municipal, presidida pelo engº Victor Macedo, que proclamou New Bedford cidade-irmã da Horta. Naquela época, a geminação de cidades era ainda, ao menos em Portugal, um acontecimento pouco usual e que, talvez por isso, se revestia de profundo significado. Baseava-se na profunda convicção de que se todos os povos estabelecessem relações mais estreitas, mais facilmente se cimentavam as relações de amizade, intercâmbio e solidariedade. No caso da Horta com New Bedford os fundamentos da geminação tinham raízes históricas que vinham do século XIX, quando os caçadores de baleias das duas cidades estabeleceram frequentes e amistosas relações, mas eram do presente as razões determinantes para que as duas cidades se irmanassem. Na sessão solene de boas-vindas ao Mayor John Markey e que “selou” a geminação, realizada no dia 4 de Julho no Salão Nobre dos Paços do Concelho, o presidente da Câmara da Horta, engenheiro Victor Macedo disse, no seu discurso, que “o decisivo argumento que conduziu a Câmara Municipal àquela proclamação, em unanimidade de votos, foi, sem dúvida, o facto de New Bedford ser a cidade onde se encontra mais elevado número de faialenses”. Estimava ele que lá viviam “cerca de seis mil irmãos nossos”, o que significava quase “outra cidade da Horta dentro de New Bedford”. Quem, como nós, teve o privilégio de visitar aquela cidade e de lá residir um mês no Verão de 1965, pode corroborar a justeza das palavras de Victor Macedo, já que naqueles anos se tinha a impressão de que “não saímos da Horta”, uma vez que os faialenses de New Bedford “insistem em conservar o belo idioma de Camões e em prolongar as nossas melhores tradições, defendendo assim as melhores características de cidade açoriana”. Mas essa escolha de New Bedford para cidade-irmã da Horta era também a “homenagem do nosso Município a todo o Estado de Massassuchets” onde em várias das suas cidades existiam – e certamente ainda existem – autênticas comunidades de faialenses. Eles, juntamente com irmãos de outras ilhas, marcaram a presença histórica dos Açores em terras da América, quer no inicial e sucessivo processo da descoberta das costas americanas que vem do século XV, quer na própria guerra da independência, quer ainda na permanente construção daquele País, em que muita da nossa gente contribuiu, com o seu trabalho e a sua vida, para o engrandecimento dos Estados Unidos. Nunca, porém, esqueceram a Terra que os viu nascer e as Gentes que ficaram. E, no caso faialense, essa lembrança e essa solidariedade foram exuberantemente manifestadas logo na emergência da crise sísmica do Vulcão dos Capelinhos. Coube, efectivamente, a imigrantes – como bem o frisou Victor Macedo – a iniciativa de darem “os primeiros passos junto dos senadores Pastore e Joseph Perry para que obtivesse aprovação a lei especial que concedeu dois mil vistos aos sinistrados faialenses”. A partir daí o fluxo migratório atingiria proporções insuspeitadas. Essa nova debandada para a América, se como as anteriores, nunca descurou o progresso material e a promoção pessoal, manteve sempre acesa a chama da solidariedade, fortalecendo as relações de amizade e de intercâmbio das comunidades da diáspora com a Ilha-mãe. Assim se compreende a oportuna sinceridade do presidente Victor Macedo quando, no final daquela cerimónia de 4 de Julho, dia em que a Horta perfazia 139 anos da sua existência como cidade e que soube celebrar condignamente, testemunhava ao mayor Markey a grande honra que sentia na deliberação tomada, “pois o estreitamento dos laços entre as duas cidades, vai assim, ganhar expressão de alto significado apesar da nossa proclamação apenas lhe ter vindo dar foros de oficial”. Vivia-se então, desde que começara o surto migratório do Vulcão dos Capelinhos, uma intensa fase de aproximação entre os que partiram e os que ficaram, sucedendo-se em grande número as visitas de saudade, várias delas de grupos organizados, fossem eles de índole caritativa, fossem de natureza recreativa, cultural ou desportiva. E isso era tão frequente que, até nos dias em que se celebrou a geminação entre as duas cidades, estavam de visita à Horta membros da “Fundação Benificente Faialense” – os directores Maria Emília Pinheiro, Mário Baptista Peixoto, Manuel Fernando Neto e António Garcia de Lacerda – e a equipa de futebol do “Clube União Faialense” que efectuou jogos com clubes locais e que trazia como directores Manuel Freitas, Manuel Lima e Carlos Serpa. Era a prova evidente de que em pouco mais de uma dúzia de anos, os faialenses do Vulcão dos Capelinhos radicados em New Bedford já haviam “vincado bem o seu amor à Terra Natal” dando vida a três instituições: Clube União Faialense; A Chama (jornal-revista) e Fundação Benificente Faialense”.

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