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70º Aniversário do CNH: Mensagem do Director da Secção de Vela de Cruzeiro, Luís Costa

“Seria muito bom se o tecido empresarial local começasse a associar-se mais às nossas atividades, contribuindo, assim, para atenuar nas despesas que a organização de provas acarreta e podendo associar o seu nome a essas mesmas provas”

O Clube Naval da Horta é para a ilha do Faial e para a cidade da Horta, o elo de ligação com o mar. É uma instituição que promove a atividade náutica na sua vertente desportiva, educativa e lúdica, sendo o responsável pela organização de uma série de eventos anuais que faz com que mais de um milhar de pessoas todos os anos participem nas diferentes atividades promovidas pelo Clube Naval.

A projeção que o Clube Naval da Horta tem nos nossos dias, pode dizer-se sem quaisquer laivos de sobranceria, extravasa as fronteiras da ilha, da região e do país. Se não vejamos: temos um velejador que leva aos quatro cantos do mundo o nome desta instituição; todos os anos acolhemos regatas internacionais e o próximo ano não será exceção, estando previstas, até à data, duas.

Nesta instituição temos dado grande primazia à formação de jovens atletas e temos promovido um incremento no número de atletas nas mais diversas modalidades que o clube desenvolve, sendo que os resultados desportivos no corrente ano apareceram, sendo sinónimo que o trabalho que se está a desenvolver na base está sendo um bom trabalho desenvolvido pelos treinadores que estão ao serviço do Clube Naval da Horta. Expoente máximo deste trabalho é o nosso atleta Rui Silveira que há alguns anos a esta parte compete junto dos melhores do mundo na classe Laser, outros exemplos existem como os campeões regionais que tivemos no corrente ano em natação, vela ligeira, canoagem, botes baleeiros, e as excelentes prestações tidas no nacional da classe Hansa.

A envolvência dos sócios com as atividades desenvolvidas poderia ser maior, isso é uma das lacunas que apresento, mas também tenho que dizer que quando é preciso dizem presente e apoiam nas mais diversas atividades desenvolvidas com o seu voluntariado.

Na secção que está à minha responsabilidade, a vela de cruzeiro, procurou-se no corrente ano promover a participação de mais iates, e penso que a aposta que se fez foi ganha, tendo atingido os seus expoentes máximos, nas regatas efetuadas na Semana do Mar e na prova rainha da vela açoriana que é a Atlantis Cup a Regata da Autonomia. Viveram-se este ano momentos de sã confraternização e camaradagem na vela de cruzeiro, e o Rally às Sanjoaninas e a Regata Horta-Velas-Horta foi bem exemplo disso, tendo, e com muita pena de todos os participantes, ficado por realizar o Rally à Madalena, mas que por questões logísticas de dificuldade de locais de atracação das embarcações sido cancelada.

Para o próximo ano pretendemos realizar na plenitude este Rally à Madalena e alargar em mais um dia a Regata Horta-Velas-Horta antecipando a saída da regata em um dia, para além da ida às Sanjoaninas e das regatas locais.

Reconhecendo o momento atual do clube tenho plena noção que sem o apoio inestimável da Câmara Municipal da Horta e do Governo dos Açores, não nos seria possível desenvolver atividades nem tão pouco estarmos na vanguarda do desporto náutico em termos nacionais como entidade organizadora e promotora de eventos desportivos.  

Considero que a prenda que gostaríamos todos de receber na passagem deste 70º aniversário, seria a das obras de reabilitação da sede do Clube Naval e da construção de infraestruturas de apoio, mas para isso considero que se torna imperativo que lancemos uma comissão que faça uma análise aprofundada às obras que temos de efetivamente realizar de modo a tornar este clube mais funcional e a ter toda a dignidade que merece no panorama local, regional e nacional. Pois não é possível todos os anos termos de andar constantemente a encontrar soluções provisórias para arrumar material, muitas vezes em espaços longe dos locais onde se realiza a atividade desportiva, para além de que diligenciar o seu arrumo em locais improvisados e sem estarem devidamente adaptados, o que para materiais sensíveis como são os equipamentos de apoio à vela, à canoagem e ao windsurf provocam o seu desgaste mais rápido.

Gostaria também nesta ocasião de frisar que seria muito bom se o tecido empresarial local começasse a associar-se mais às nossas atividades contribuindo assim para atenuar nas despesas que a organização de provas acarreta e podendo associar o seu nome a essas mesmas provas. Penso que de uma maneira geral o Clube Naval da Horta é reconhecido, apesar de algum alheamento por parte da sociedade civil, como uma entidade de reconhecido mérito e promotora do desenvolvimento da ilha do Faial. No entanto, vê-se que infelizmente muitas vezes o trabalho desenvolvido “pro bono” pela direção do clube e por toda a estrutura diretiva, não encontra ecos junto da sociedade faialense, isto por existir um certo alheamento por parte das pessoas, mas sem dúvida que hoje pela dinâmica incutida muito por culpa da atividade desenvolvida e que envolve os botes baleeiros, o Clube Naval da Horta deixou de ser uma instituição citadina e hoje tem pessoas a praticar atividade oriundas de todas as freguesias do Faial, podendo hoje dizer-se que não é um clube da Horta mas do Faial.

Fazia um apelo para que cada vez mais as pessoas se cheguem para apoiar o clube de modo a que possamos manter todo o dinamismo que faz com que hoje sejamos reconhecidos internacionalmente como um exemplo de bem fazer e de bem organizar as coisas.

Concluo referindo que sem sócios ou mesmo simpatizantes que é muito difícil qualquer instituição sobreviver. Por isso, desejo eterna vida ao Clube Naval da Horta, uma vez que as pessoas passam e as instituições hão-de eternizar-se.