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“A Figura do Mês” - José Henrique Azevedo

“Está a ser muito agradável ter os meus filhos a trabalhar comigo neste ano do Centenário do “Peter Café Sport”

Na foto: José Henrique Azevedo está muito agradado por poder contar com a família toda no Centenário do “Peter Café Sport”

Atrás: José Henrique Azevedo e a mãe, Luísa Azevedo

Á frente: Pedro (filho mais velho), Fátima Pinto (esposa) e os outros dois filhos: Mariana e João

O mais conhecido empreendimento faialense com projecção na globalização – o “Peter Café Sport” – está em festa. Tudo começou há precisamente 100 anos (1918/2018), com a criação daquele que viria a ser conhecido como o santuário dos iatistas por sempre ter funcionado como um porto de abrigo, franco, amigo e hospitaleiro para todos os lobos do mar.

As comemorações centenárias do Mais Famoso Bar do Mundo para Marinheiros – situado na Capital Oceânica do Iatismo: a Cidade da Horta – começaram em Abril deste ano e só terminam em 2019. As velas serão apagadas no dia 25 de Dezembro próximo e cantados os Parabéns a uma Família de empreendedores, que vai já na quarta geração à frente do Café.

Durante um ano, são vastos e diversificados os eventos destinados a assinalar um século de existência, recheada de amizades por todo o Mundo, de visitas aos milhares, e, acima de tudo, de inúmeras testemunhas de uma hospitalidade fraterna, cimentando relações que ficaram para a vida, resistiram à morte e venceram laços de sangue. Não é por acaso que jamais um navegador encontrou amigos tão especiais como estes: Família Azevedo, na Ilha do Faial.

“Os meus filhos deixaram os seus empregos para trabalhar comigo”

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José Henrique Azevedo com os filhos Pedro, Mariana e João, numa fotografia tirada neste ano do Centenário pelo famoso fotógrafo francês (e amigo da Família Azevedo), Gilles Gultard

José Henrique Azevedo, o “Peter” dos novos tempos, sente-se visivelmente agradado – e até mais descansado – por ter os filhos a trabalhar consigo. “Muitas actividades têm sido possíveis graças à presença dos meus filhos (João e Pedro) e do meu sobrinho, Duarte Pinto. É sem dúvida muito bom ter toda a família reunida nesta data tão marcante, constituindo, também, uma excelente oportunidade para poderem avaliar aquilo que tenho conseguido fazer sozinho ao longo dos anos. Se não tivesse contado com a colaboração destes jovens – que são pessoas inteligentes e com excelentes ideias – não teria sido possível organizar e realizar o Programa delineado. Têm contribuído muito para que os eventos estejam a decorrer de forma tranquila e organizada”.

As muitas áreas de negócio (Café, Lojas, ‘Whale Watching’ e Museu de Scrimshaw) implicam um grande desdobramento por parte deste empresário, que se orgulha de a sua “casa” encerrar apenas dois meios-dias ao longo de todo o ano, designadamente pelo Natal e Passagem de Ano.

O homem do leme no mais internacional Café do Faial, dos Açores e de Portugal, de portas e janelas viradas para o futuro, sublinha que este está a ser “um ano muito bom!”, já que “o Centenário ajuda a este espírito de festa permanente”.

Para estes resultados “magníficos”, sem dúvida que a “tripulação de serviço” tem dado uma (grande) mãozinha até, porque, se encontra de corpo e alma neste ano consagrado de projectos. “Os meus filhos deixaram os seus empregos para trabalhar comigo ao longo deste ano e, desta forma, podem sentir melhor a intensidade do Café e de tudo o que gira à volta deste empreendimento”. E não estamos a falar de um qualquer negócio, já que são muitos os que, em qualquer altura, atravessam oceanos para conhecer o “Peter” (o Café e o dono), pelo que “a casa tem de estar aberta todo o ano”.

“Não gostava que o negócio saísse da Família”

O proprietário do “Peter” tem três filhos: dois rapazes e uma rapariga. Pedro, o mais velho, apostou na Gestão de Empresas, enquanto João, mais novo, se dedica à Economia. Mariana – a menina da Família – estuda Relações Públicas, Marketing e Publicidade, com Mestrado em Ciências da Comunicação. “Formaram-se todos em áreas relacionadas com o negócio, mas ainda não tomaram uma decisão quanto ao futuro”.

Embora este empresário admita que não gostava que o “Peter” saísse da Família – o que “também seria muito azar tendo três filhos” – a verdade é que aceita que isso possa vir a acontecer. Entretanto, estes jovens têm ainda mais algum tempo para perceberem se querem ou não constituir a quarta geração à frente deste exigente negócio, onde o dono faz parte da mobília, sendo, por isso, indispensável a sua presença.

Embora os filhos de José Henrique Azevedo representem a quarta geração familiar à frente do Café, a verdade é que a arte para o negócio vai já na sexta geração, a fazer fé no registo encontrado por este faialense, onde pôde ler uma referência ao seu trisavô, Manuel Lourenço de Sousa Azevedo (1822-1901) como tendo sido comerciante nesta Cidade. Assim sendo, José Henrique Azevedo supõe tratar-se do fundador da “Casa Açoriana”, tendo Ernesto Lourenço Sousa Azevedo, seu filho (e bisavô de José Henrique Azevedo), sido o natural herdeiro. Se tal for apurado como certo, estamos a falar de seis gerações de homens dedicados ao negócio familiar e quatro à frente do “Café Sport”.

“Os meus dois objectivos de vida foram alcançados”

O ano ainda não chegou ao fim, mas José Henrique Azevedo revela que os seus dois “objectivos de vida” já se concretizaram neste 2018: o primeiro tem a ver com os 100 anos do “Café Sport”, cujas comemorações há meses que são uma realidade bem sucedida (embora o Café só complete um século no dia de Natal); e o segundo está relacionado com o facto de a mãe, Luísa Azevedo, ter atingido a provecta idade de 90 primaveras.

2018: um ano especial

Este empresário tem alguma dificuldade em perceber se o aumento do movimento registado se deve à circunstância de este ser um ano excepcional, tendo em conta o Programa do 100º Aniversário ou, se porventura está relacionado com o crescimento do Turismo. Certo é que se tem notado “grande afluência de pessoas vindas de outras paragens”.

O Centenário do “Peter Café Sport” é um acontecimento que não passa despercebido tanto às empresas – comércio local tem-se congratulado com a data – como às entidades e ao Mundo.

Nesse contexto, o “Peter” foi agraciado pela Câmara Municipal da Horta com a Medalha de Honra, “pelo seu contributo na promoção do Faial e do destino Açores, através da recepção que faz, sobretudo aos iatistas”. A distinção foi recebida no Dia da Cidade da Horta: 4 de Julho de 2018, data em que se comemoraram os 186 anos de elevação de Vila a Cidade, o que notoriamente agradou a este empresário, embora não esperasse tal homenagem.

A “Yacht”, a mais conceituada Revista alemã de Vela do Mundo, no seu número de Junho deste ano, dedica 10 páginas ao “Peter Café Sport”, o que José Henrique Azevedo considera como um “enorme privilégio”, atendendo ao prestígio e projecção mundial desta publicação.

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Ano de 1973: Henrique Azevedo, fundador do Café, em 1918; José Henrique Azevedo, seu neto; e José Azevedo (baptizado como “Peter”), filho do primeiro e pai do segundo.

Fotografia de: Gilles Gultard

Este empresário refere com particular entusiasmo o facto de ter estado entre nós o fotógrafo francês Gilles Gultard, autor da fotografia a preto e branco, tirada em 1973 (acima reproduzida), e que imortalizou estas três gerações familiares: o avô Henrique, o pai José Azevedo e o neto José Henrique Azevedo. “Ele voltou ao Faial no ano de 2003 e tirou uma fotografia de conjunto, onde figura meu pai (meu avô já tinha falecido), eu e os meus três filhos pequenos, a qual ilustra um artigo que ele publicou na famosa Revista francesa dedicada à Vela Desportiva e de Lazer, intitulada “Voiles et Voiliers”. Essa grande reportagem, que integra a edição de Janeiro de 2004, apresentava o “Peter Café Sport” como “o mais Mítico Bar do Mundo”. E neste ano de 2018, Gilles Gultard fez questão de regressar novamente ao Faial para fotografar as duas gerações actuais do “Peter”: eu e os meus filhos” (fotografia acima reproduzida, à porta do Café).

Outra particularidade está relacionada com a estadia na Horta de um barco norueguês, de nome “Skoiern”, cujos donos são franceses. Pelo facto de o veleiro também estar a comemorar 100 anos, tal como o “Café Sport”, entenderam vir novamente este ano ao Faial, e como gostam da ilha e das pessoas, disseram-me que estão a pensar comprar casa e ficar a residir cá”.

Além do “Peter Café Sport”, que celebra um século de existência activa e proactiva – a quem desejamos, pelo menos mais 100 na senda de bem acolher quem aporta ao Faial – também outras instituições da nossa Terra festejam datas marcantes neste ano de 2018, sendo aqui referidas apenas algumas delas.

A Cidade da Horta assinalou 185 anos de passagem de Vila a Cidade; a Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários Faialenses (AHBVF) comemorou 106 anos ao serviço da população faialense; o próprio Clube Naval da Horta celebra 71 anos em Setembro próximo, e a “Atlantis Cup - Regata da Autonomia”, organizada por este Clube, completa 30 Anos de realizações; a Marina da Horta (que, ao nível das que recebem navegação ao largo é a 1ª de Portugal, a 2ª da Europa e a 4ª do Mundo) assinalou o seu 32º Aniversário; os Encontros Filosóficos, o Clube de Filatelia “O Ilhéu” (ambos da Escola Secundária Manuel de Arriaga (ESMA) da Horta); a Associação de Pais e Amigos dos Deficientes da Ilha do Faial (APADIF) e a Cooperativa de Jovens Agricultores do Faial completaram Bodas de Prata (25 anos); e o Teatro de Giz fez 20 anos de acção cultural.

Planos

Consolidar e melhorar as actuais áreas de negócio, são intenções de José Henrique Azevedo que, nesse âmbito, gostava que o Museu de Scrimsham tivesse o dobro do espaço. “Seria algo muito bom no sentido de valorizar a actual colecção”. Com mais  espaço seria possível patentear novas peças, já que foi acautelada matéria-prima com esse objectivo.

A edição de um livro sobre a história familiar é um sonho que este faialense acalenta há anos, o que poderá vir a ser uma realidade no rescaldo do Centenário, já com o registo deste vasto Programa.  

“Rally Peter Café Sport”: “o maior evento organizado pelo OCC”

De todas as actividades realizadas até hoje (o Programa encontra-se no fim deste artigo), José Henrique Azevedo destaca o “Rally Peter Café Sport”. Tratou-se de uma regata que juntou mais de 60 navegadores de 12 nacionalidades diferentes (Nova Zelândia, Japão, Inglaterra, Alemanha, Portugal, França, Espanha, Itália, Irlanda, Austrália, Canadá e EUA). “Os participantes adoraram o ‘Rally’, tendo mesmo sido o maior evento que o “Ocean Cruising Club” (OCC) organizou até hoje”, em parceria com o “Peter Café Sport”. Ao todo, estiveram envolvidas neste ‘Rally’ mais de 100 pessoas, muitas das quais já com alguma idade e com  muitas viagens feitas até ao Faial.

“Como toda a gente sabe, foram os iatistas, os marinheiros, os homens do mar, que fizeram do “Peter Café Sport” aquilo que ele é. Embora todos sejam importantes para nós, é mais do que evidente o papel que todos os estrangeiros têm tido na divulgação desta “casa” e, consequentemente, no conhecimento do Faial e dos Açores”, realça José Henrique Azevedo.

Não é por acaso que o Faial é conhecido como “a Ilha do Peter” e que muitos não conhecendo os Açores ou Portugal continental, sabem de cor a posição geoestratégica do Mais Mítico Bar do Mundo, onde se pode saborear o famoso ‘gin’ e um dos melhores bolos de chocolate.

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Navegadores de 12 nacionalidades participaram no ‘Rally’ destinado a assinalar os 100 anos do “Peter” 

“Boa adesão ao Dia da Amizade Faial/Pico”

Atendendo ao longo historial que o passado encerra no que concerne às (boas) relações (empresariais e de grande amizade) do “Peter” com a população da ilha do Pico, José Henrique Azevedo decidiu instituir o “Dia da Amizade Faial/Pico”. “Foi uma oportunidade para aproximar as pessoas dos dois lados do Canal e de estarem reunidas em ambiente festivo. A minha Família manteve, desde sempre, uma relação estreita com os picoenses e, portanto, achei que era uma forma de invocar esse passado sempre presente e importante. Além do mais, tenho raízes no Pico, atendendo a que o pai do meu bisavô era oriundo de lá”.

Para levar a cabo esta iniciativa, José Henrique Azevedo contou com alguns apoios, entre outros, da “Atlanticoline”, que ofereceu a passagem no sentido Madalena/Horta, tendo a Agência de Viagens “Aerohorta”, de Carlos Morais, disponibilizado autocarros para levar as pessoas a darem a volta à ilha do Faial, com paragem em pontos turísticos como a Caldeira e o Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos. O almoço foi oferecido pelo “Peter”, tendo, por esse motivo, a Rua do Peter sido encerrada ao trânsito.

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José Henrique Azevedo: “Tinha gosto que as pessoas participassem no “Dia da Amizade Faial/Pico” e a adesão foi boa. Estou satisfeito”

“Fiquei impressionado com o facto de um conhecido do Pico, na casa dos 40 anos, ter admitido nesse dia (10 de Junho) que nunca tinha ido ao Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos. E talvez tenha acontecido o mesmo com outras pessoas do Pico. Estamos tão perto, mas a verdade é que isto ainda acontece nos dias de hoje”.

José Henrique Azevedo afirma ter gostado desta actividade, ressaltando que quando programou este evento “foi sempre com o gosto de que as pessoas participassem”. E, a propósito, agradece o “fantástico apoio de todos os parceiros”.

Do vasto Programa evocativo do Centenário, este faialense evidencia a participação no “Encontro Internacional de Cafés Históricos da Europa”, em Coimbra; e o lançamento, a nível nacional, de uma emissão filatélica, composta por quatro selos e um bloco filatélico.

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O Programa do Centenário do “Café Sport” faz com que a festa seja permanente ao longo de meses

Uma história marcadamente familiar

A história do “Peter Café Sport”, que desde há décadas tem uma notável projecção nacional e internacional, é marcadamente familiar e empresarial. Pelo que se conhece com exactidão, remonta à fundação do “Bazar de Produtos Manufacturados no Faial” (“Bazar of Fayal Manufactures & Products”), situado no Largo de Neptuno – actual Praça do Infante – na Horta. Era seu proprietário Ernesto Lourenço Sousa Azevedo (nascido a 20 de Abril de 1859 e falecido a 24 de Março de 1931), bisavô de José Henrique Azevedo, actual proprietário do “Peter Café Sport”.

Ernesto Lourenço Sousa Azevedo dedicava-se ao comércio de produtos locais e no seu Bazar vendia bordados, rendas, chapéus e cestos de palha, flores de penas, trabalhos de crivo e muitos outros artigos do artesanato local. Em 1888, foi até à capital do reino a fim de participar na Feira Industrial Portuguesa, tendo recebido a Medalha de Ouro e Diploma, pela qualidade e diversidade dos seus artigos.

Posteriormente, no início do século XX (1901), Ernesto Lourenço Sousa Azevedo aproximou-se do Porto da Horta para fundar a “Casa Açoriana”, no lugar onde existe actualmente o Café. Como tal, mudou o “Bazar do Fayal” para a Rua Tenente Valadim (actual Rua José Azevedo - “Peter”), passando a denominar-se “Casa Açoriana/Azorean House”, juntando ao artesanato a venda de bebidas, tendo, assim, nascido o bar. Este novo estabelecimento oferecia ao seu proprietário a enorme vantagem de estar mais próximo do Porto e de todo o movimento que esta infraestrutura gerava como único local de entrada e saída de bens e pessoas da Ilha. Já nessa altura, o estabelecimento apresentava uma característica fundamental: era um negócio familiar, ocupando o pai, Ernesto Lourenço Sousa Azevedo, e dois dos seus filhos: Ernesto Lourenço D’Ávila Azevedo e Henrique Lourenço D’Ávila Azevedo, acabando este último por ser o continuador da tradição familiar e o herdeiro da “Casa Açoriana”.

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Ernesto Lourenço Sousa Azevedo e o filho, Henrique Lourenço D’Ávila Azevedo, o homem que transformou a “Casa Açoriana” no “Café Sport”, nascido em 1918

Na Horta, a época dos baleeiros atingia o auge e assistia-se à expansão das Companhias dos Cabos Submarinos, proporcionando bons empregos a muitos jovens faialenses. Henrique Lourenço D’Ávila Azevedo (1895-1975, avô do actual proprietário do “Peter Café Sport”) trabalhava com seu pai, Ernesto Lourenço Sousa Azevedo, na altura da I Guerra Mundial e, por isso, conheceu o cosmopolitismo de então. A presença inglesa e alemã das Companhias dos Cabos Submarinos incutiu nos faialenses o gosto pelo desporto.

Quando, a 25 de Dezembro de 1918, Henrique Lourenço D’Ávila Azevedo mudou o estabelecimento para a casa ao lado do negócio do pai, alterou-lhe também o nome. Assim nascia o “Café Sport”, consagrando na designação do estabelecimento a sua paixão pelo desporto, pois era praticante habitual de Futebol, Ténis e Pólo Aquático.

Foi Henrique Lourenço D’Ávila Azevedo quem lançou algumas das grandes características que ainda no presente distinguem e individualizam o “Peter”: o mobiliário e a decoração com motivos náuticos, a famosa águia americana como símbolo, o típico ‘gin’ tónico como bebida muito apreciada, e a tinta azul ‘royal’ e preta, com que o Café ainda hoje está pintado no seu exterior. A águia americana, esculpida em madeira, simbolizava o próprio Café. Foi comprada por Henrique Lourenço D’Ávila Azevedo e era originária da popa de uma baleeira americana que, colhida por uma tempestade, encalhou no Faial e ficou destruída.

José Azevedo – pai de José Henrique Azevedo – foi o sucessor do negócio. Nascido a 18 de Maio de 1925 na Cidade da Horta, era filho de Leopoldina e de Henrique Azevedo, sendo o quarto de cinco irmãos.                                                     

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José Henrique Azevedo, actual proprietário do “Peter Café Sport”, e o pai, José Azevedo, baptizado pelos ingleses como “Peter”

Frequentou a Escola Primária da freguesia das Angústias, mas desde muito novo, e ainda na década de 30, com pouco mais de 12 anos de idade, deu os primeiros passos no “Café Sport”, ajudando o pai a levar as compras aos ingleses que residiam na Horta e trabalhavam nos Cabos Submarinos. Esse relacionamento fez com que muito precocemente tenha aprendido inglês. No início da década de 60 de 1900, assumiu o negócio familiar.

Entretanto, em 1975, o “Peter Café Sport” havia mudado para o edifício anexo, do lado Norte, no âmbito de um acordo comercial com uma empresa da Região. Foi nestas novas e maiores instalações que se alteraram alguns aspectos do Café. Assim, a águia que estava no exterior como símbolo, passa para o interior, para a parte superior e sobranceira ao balcão. No exterior, a simbolizar o Café, passa a estar uma baleia esculpida em osso de cachalote, oferecida pelo artesão M. D. Fagundes, que abastecia o estabelecimento daqueles artefactos. Foi também nestas instalações que começaram a ser expostas e penduradas na parede as bandeiras (símbolo dos iates ou do clube a que pertencem) que iam sendo oferecidas a José Azevedo.

O ano de 1984 encerra as mudanças de instalações. Com a aquisição dos edifícios onde se tinha iniciado o Café, o “Peter” transfere-se para as actuais instalações, com a fisionomia e a localização que hoje apresenta.

José Azevedo, mantendo a tradição e a feição familiar do negócio, associa o filho, José Henrique Gonçalves Azevedo (actual proprietário do “Peter Café Sport”, nascido em 1960) à gestão do estabelecimento.

Já desde 1966 que José Henrique Azevedo dedicava as suas férias ao trabalho no Café, recebendo do avô e do pai a herança, a mística e a forma de tratamento pessoal e amistoso que caracterizam o “Peter”. Mas foi só a partir de 1978 que o actual proprietário se dedicou a tempo inteiro à empresa e foi, em grande parte, devido ao seu empenho que se concretizou, em 1986, após obras de adaptação no piso superior, o Museu do Peter (Museu de Scrimshaw). Aí passou a figurar aquela que constitui a maior e mais bela colecção particular da arte de Scrimshaw no Mundo, plena de trabalhos artísticos em dente e osso de baleia, a maioria dos quais realizada por artistas açorianos. É visitada por milhares de turistas e constitui uma verdadeira preciosidade – a “menina dos olhos” do proprietário – sendo o seu valor reconhecido por todos.

Programa evocativo do Centenário do “Peter Café Sport”

De Abril a Setembro de 2018 

  • 100 Noites de Música ao Vivo
  • 100 Árvores Endémicas serão plantadas no Monte da Guia
  • 100 Limoeiros serão plantados na Ilha do Faial (para futuros ‘gins’ tónicos)
  • 100 Crianças dos 6 aos 12 anos irão, pela primeira vez, ver baleias e golfinhos (uma oferta da empresa “Peter Whale Watching”)
  • 100 Idosos com mais de 65 anos farão uma viagem de observação de baleias e golfinhos (uma oferta da empresa “Peter Whale Watching”)

 Abril 

  • Dia 1: Exposição “Megalíticos do Mar”, de Jean-Noel Duchemin, na Rua do Peter, composta por materiais em fibra de carbono, reciclados de ‘trimarans’ famosos (mastros e cascos)

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Os “Megalíticos do Mar”, de Jean-Noel Duchemin, estarão patentes na Rua do Peter até ao fim deste ano

Fotografias cedidas por: José Henrique Azevedo

  • Dia 18: Decoração da Rua do Peter com bandeiras oferecidas pelos iatistas ao “Peter Café Sport”, ao longo dos anos
  • Dias 21 e 22: Participação no “Encontro Internacional de Cafés Históricos da Europa”, em Coimbra. O “Peter Café Sport” passou a petencer à “Associação Europeia dos Cafés Históricos”, com outros 12 Cafés do País
  • Dia 23: Patrocínio da Tertúlia “A Gentes Culturais”, no XX Aniversário do Teatro de Giz
  • Dia 24: Concerto “Festejar Abril”, para celebrar o dia da Liberdade

Maio

  • Dia 10: Encontro de antigos funcionários do “Peter Café Sport”
  • Dia 18: Celebração do Aniversário de José Azevedo (o “Peter”), nascido a 18 de Maio de 1925 e falecido a 19 de Novembro de 2005
  • Dia 22: Sopas do Espírito Santo: oferta aos Irmãos do Império da Rua José Azevedo “Peter”, numa homenagem a José Azevedo

Junho

  • Dia 2: Lançamento do Livro da autoria de Cristina Silveira intitulado “As Estratégias de Hospitalidade na Atracção de Visitantes - O Caso do Peter Café Sport na Ilha do Faial, Açores”
  • Dia 8: Lançamento do Romance “Meridiano 28”, de Joel Neto
  • Dia 10: Dia da Amizade Faial/Pico, destinado a celebrar a ligação especial existente entre o povo do Faial e o do Pico, não só pela proximidade com o cais de embarque dos barcos que ligava estas duas ilhas irmãs como, também, pelas ligações comerciais que, em muitos casos, se tornaram verdadeiras relações de amizade (compra de vinho, angelica, limões, artesanato em osso e marfim de baleia ou mesmo dentes de cachalote aos próprios baleeiros)
  • Dia 18: Lançamento, a nível nacional, da Colecção de Selos dos CTT do “Peter Café Sport”
  • De 18 a 24: “Rally Peter Café Sport”, organizado pelo “Ocean Cruising Club” (OCC) e pelo “Peter Café Sport”
  • De 10 a 24: Palestras com Peter Woodall “Stokey: “Navegação astronómica” “de satélites a frigideiras”; “Um passeio pelos céus”; “Tamanho”, “Tempo”, “Distâncias”

Julho

  • Dia 4: Lançamento do Livro de Poemas de Mário Cordeiro, intitulado “Aconteça um Gin Peter”

Agosto

  • De 5 a 12: Semana do Mar: Exposição Fotográfica sobre o “Peter Café Sport”, na “Base Peter Zee”
  • Dia 11: Regata de Botes Baleeiros
  • Dias 17 e 18: 1ª Mostra de Cinema Internacional do Faial”, patrocinada pelo “Peter Café Sport”
  • Dias 20, 21 e 22: Travessia Terceira/Faial em Caiaque, organizada pelo Clube Náutico de Angra do Heroísmo e pela Associação Regional de Canoagem dos Açores (ARCA), que contou com o apoio do “Peter Café Sport” e o apoio do CNH

“Esta foi uma inciativa organizada há 25 anos precisamente para assinalar os 75 anos do Café e este ano repetiu-se o evento para comemorar o Centenário”, explica José Henrique Azevedo.

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José Henrique Azevedo (o último, à direita), proprietário do “Peter Café Sport”, e os 10 terceirenses que fizeram as 65 milhas náuticas na Travessia Terceira/Faial em Caiaque. O Responsável pelo evento é Eliseu Reis, o 2º da esquerda para a direita

Setembro

  • De 3 a 9: “Peter Waterman Project”, uma semana de imersão no mundo marítimo e de redescoberta pessoal: o mar como fonte de entretenimento, de recursos e formas de vida
  • De 21 a 23: “II Festival de Papagaios de Vento”, com a participação de pessoas do Faial, Pico e São Jorge
  • Dia 29: “Triatlo Peter Café Sport”: prova iniciada há 25 Anos (no 75º Aniversário do “Peter Café Sport”) e que une as ilhas de São Jorge, Pico e Faial nas modalidades de ‘Windsurf’, Bicicleta de Montanha e Caiaque, ao longo de três etapas: a 1ª etapa é constituída por um percurso de 12 milhas náuticas em ‘Windsurf’ ligando as Velas de São Jorge ao Cais do Pico; a 2ª etapa é uma Prova de BTT - 60 quilómetros entre o nível do mar até a uma altitude de 1000 metros no Pico; e a 3ª e última etapa, é composta por 5 milhas náuticas em Caiaque, atravessando o Canal Pico/Faial, com a meta estabelecida em frente ao “Peter Café Sport”

Embora não constem deste Programa, na Entrevista concedida ao Gabinete de Imprensa do CNH, José Henrique Azevedo adiantou que em 2019 haverá outras actividades, onde se inclui, por exemplo, a reedição do livro de Banda Desenhada do “Peter”.

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As mulheres da Família Azevedo - Mariana (a neta), Fátima Pinto (a mãe) e Luísa Azevedo (a avó paterna)

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