Festival Náutico 2018 - Campeonato Regional de Canoagem de Mar

Atletas do CNH ficaram todos no pódio.

Na foto: Hugo Parra, Treinador (Competição) de Canoagem do CNH e os atletas: Carla Martins - Veterana Femininos: 1º lugar; Clésio Pereira - Júnior: 1º lugar; e José Gomes - Veterano B: 2º lugar  

“O Clube Naval da Horta (CNH) sempre se empenhou na promoção dos desportos náuticos e com igual tratamento para todos. Embora tenhamos dificuldades, estamos a atravessar um período muito bom em termos de expansão da modalidade”.

Foi com estas palavras que José Decq Mota, Presidente da Direcção do CNH, começou a sua curta intervenção na Entrega de Prémios do Campeonato Regional de Canoagem de Mar, que decorreu na manhã deste sábado, dia 4, no âmbito do Festival Náutico da Semana do Mar 2018. A Entrega de Prémios antecedeu o Almoço, que teve como espaço a Tenda Multiusos do CNH, na tarde deste dia.

Este Dirigente revelou que “a Canoagem está no topo das prioridades” em termos de apoio, atletas e material”.

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Susana Rosa, Directora da Secção de Canoagem do CNH; Ester Pereira, Vereadora da Câmara Municipal da Horta; José Decq Mota, Presidente da Direcção do CNH; e Antas de Barros, Presidente da Direcção da Associação Regional de Canoagem dos Açores, na Entrega de Prémios, na Tenda Multiusos do CNH

José Decq Mota agradeceu a presença de todos, com destaque para Ester Pereira, Vereadora da Câmara Municipal da Horta, e para o professor Antas de Barros, Presidente da Associação Regional de Canoagem dos Açores (ARCA), entidade orgnizadora deste Campeonato Regional de Canoagem de Mar, em colaboração com o CNH. “A Organização pretendeu corresponder às necessidades e aspirações dos atletas”, sublinhou o mais alto Responsável pelos destinos do Clube anfitrião, recordando que “o CNH organizou pela primeira vez uma prova de natureza regional nos anos 90 e daí para cá essa prática sucedeu-se repetidas vezes”.

“É uma alegria termos os melhores canoístas dos Açores no Festival Náutico da Semana do Mar 2018 – o qual é organizado pelo CNH – e esperamos que usufruam da festa”, notou este Dirigente.

Antas de Barros, o “pai” da Canoagem nos Açores Açores – ligado à modalidade há mais de 30 anos – afirmou que “são repetidos os elogios à Organização do CNH”. E ressaltou: “É um dos clubes que proporciona as melhores condições em termos de Organização de provas nos Açores. Percebe-se que as equipas de segurança – de mar e de terra – têm muita experiência e estão habituadas aos pormenores”.

O rosto mais marcante da Canoagem nos Açores – desde 2000 à frente da ARCA – sustentou que “tem dado resultado a descentralização dos Regionais para a ilha do Faial”. “E a prova disso – focou – é o bom momento que a Secção de Canoagem do CNH está a viver. Quero dar os parabéns aos atletas e agradecer à organização do Clube Naval da Horta pela atenção e cuidado depositados neste evento, revelador de que a Canoagem ocupa um lugar de destaque neste Clube e na ilha do Faial”.

Antas de Barros explicou que esta Época contou com três Campeonatos: um de Velocidade, um de Fundo e agora este de Canoagem de Mar.

Susana Rosa destaca apoio dos Voluntários

Em declarações ao Gabinete de Imprensa do CNH, Susana Rosa, Directora da Secção de Canoagem do CNH, faz questão de vincar que “o sucesso deste Campeonato Regional se deveu, também, ao grande apoio dos Voluntários na segurança, atendendo a que os canoístas se dispersam muito. De sublinhar o trabalho de Nuno Henriques, Responsável pela segurança.

As condições de tempo foram boas, com vento fraco de Norte e muito calor”.

Deram a largada 30 atletas, tendo terminado a Prova 29, representando os seguintes clubes: Clube Naval da Horta (José Gomes, Carla Martins e Clésio Pereira); Clube Ar Livre, Clube Náutico de Angra do Heroísmo, Angra Iate Clube (da ilha Terceira); Clube Naval de Vila Franca do Campo, Clube Naval de Rabo de Peixe e Clube Naval da Lagoa (ilha de São Miguel).

A Prova destinou-se a Juniores, Séniores e Veteranos, tendo-se desenrolado ao longo de um percurso de 14,10 quilómetros, que contemplou a saída do porto da Horta em direcção à Praia do Almoxarife, onde foi contornada uma bóia, rumando até fora da Boca das Caldeirinhas (Monte da Guia), tendo sido contornada a segunda bóia.

Realiza-se na tarde deste domingo, dia 5, uma Prova Local de Canoagem, em que participarão todos estes atletas. Trata-se de uma Competição de Velocidade de 500 e 1000 metros. A Prova de 500 metros destina-se a atletas dos Escalões Menor e Infantil, ao passo que a de 1000 metros é para Cadetes, Juniores, Seniores e Veteranos. A Entrega de Prémios acontecerá pelas 17h30 deste dia, na Tenda Multiusos do CNH.

Antas de Barros prepara sucessor

Falar em Canoagem nos Açores é sinónimo de falar desta figura conhecidíssima, chamada Antas de Barros, cuja persistência e tenacidade colocaram a modalidade no mapa regional e nacional.

O sonho de passar o testemunho já começou a acontecer neste segundo ano de um mandato de 4.

“Já me sinto acompanhado pelo Eliseu Reis desde o início deste mandato. E porquê o Eliseu? Porque na Presidência da ARCA tem de estar um entusiasta da modalidade e alguém conhecedor de tudo o que a mesma envolve.

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O professor Antas de Barros sente-se apoiado por Eliseu Reis, que será o seu sucessor à frente da ARCA

“Falta alguém que represente o Faial na ARCA”

Ele pratica Canoagem desde 1994 há, portanto, 25 anos. Passou por todas as etapas, tendo começado como Atleta, depois foi Treinador (há 8 anos nestas funções) e actualmente é Secretário da Direcção da ARCA. É verdade que nunca poderá fazer as coisas sozinho, mas pode contar sempre com o meu apoio, já que continuarei ligado à Canoagem, na Arbitragem e, também, como Presidente do Clube Ar Livre.

Em 2020 entrego as chaves e se não houve quem me substitua como Presidente, a ARCA fica em Comissão de Gestão.

Neste nosso desiderato de fazer com que a Direcção fosse tripartida – apenas não conseguimos um representante do Faial – também contamos com Rui Dias, do Clube Náutico da Lagoa, em São Miguel.

Posso afirmar que cada vez mais me sinto apoiado pela presente equipa e que não tem sido difícil trabalhar com dirigentes que se encontram noutras ilhas. A tecnologia facilita esse contacto e acho que estamos no bom caminho.

O Faial está a passar por um bom momento desportivo no que diz respeito à Canoagem, mas, em termos de dirigismo, ainda falta alguém que assuma essas funções na Direcção da ARCA”.

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O Faial está a passar um bom momento no que concerne à Canoagem. Clésio Pereira, campeão regional (a ostentar mais uma conquista) é bem o exemplo disso

“Dirigismo está em crise nos Açores”

O Presidente da Direcção da ARCA entende que “o dirigismo está em crise nos Açores”. E queixa-se de que os dirigentes não têm qualquer tipo de reconhecimento, seja em termos fiscais ou profissionais, que lhes permita sustentar esta constante solicitação de responsabilidades cada vez mais crescente.

Ser dirigente actualmente exige ser quase profissional. Portanto, são muitas e grandes as responsabilidades que vêm recaindo sobre amadores, que dão de si e do seu tempo sem qualquer compensação.

O actual modelo desportivo assenta na gratuitidade, o que não vai ter continuidade. São inúmeros os casos de clubes que têm encerrado as suas portas por falta de corpos gerentes”.

E recuando um pouco, este Presidente recorda os tempos em que a presença da Canoagem da Terceira na Semana do Mar se resumia à participação do seu Clube: o Ar Livre. Foi essa resiliência e amor à modalidade, que permitiu que, na ilha das touradas, a Canoagem tenha atingido o patamar onde se encontra presentemente.

“A Canoagem tem sobrevivido porque o Clube Ar Livre garantiu a sua continuidade”, atesta este homem polivalente.

“Portugal revela grande atraso em termos desportivos”

Eliseu Reis está consciente das responsabilidades que o esperam e “negociou” com Antas de Barros para que este fosse um mandato de transição.

É graças à grande dedicação que nutre pela Canoagem que Eliseu conseguirá aguentar a Presidência da ARCA, um cargo que exige conhecimento, experiência e “muita humildade”, o que, garante Antas de Barros, não lhe falta.

O sucessor do actual Presidente da ARCA – que espera continuar com o professor como conselheiro – lamenta “o grande atraso de Portugal no desporto quando comparado com outros países. E basta olhar para a vizinha Espanha para percebermos esse fosso.

O meu sonho era que a Canoagem fosse a primeira nodalidade nos vários clubes, mas a verdade é que continua a ser discriminada. E isso nota-se bastante em relação à Vela, por exemplo, o que é injusto, pois se virmos bem, nos últimos tempos a Canoagem projectou muito mais o país do que a Vela, sempre numa base de amadorismo.

Os recursos destinados a estas duas modalidades são sempre muito diferentes. Há uma grande discrepância no apoio que é dado a uma e a outra, sendo certo que a Canoagem fica sempre a perder”.

Eliseu Reis conhece bem (e por dentro) a realidade deste desporto, sobretudo na Terceira, se tivermos em conta que já rodou pelos clubes todos da ilha tendo, até feito uma pequena incursão em São Miguel.

Começou por ser atleta do Clube Náutico de Angra, depois mudou-se para o Angra Iate Clube, voltando novamente para o primeiro. A seguir, regressou ao Angra Iate Clube, depois representou o Clube Ar Livre, novamente o Angra Iate Clube, esteve uns meses no Clube Naval de Rabo de Peixe, regressou ao Angra Iate Clube e agora voltou ao Clube Náutico de Angra. Todas estas mudanças se deveram a factores de natureza diversa (falta de condições, encerramento de portas, etc), considerando que as mudanças “foram sempre para melhor”.

Como consolação, este Atleta, Treinador, Dirigente e amante da Canoagem, realça o facto de “a Canoagem já figurar em lugar de destaque em muitos clubes dos Açores” e de alguns atletas terem mesmo mudado da Vela para a Canoagem. 

Atletas federados no Faial, Terceira e São Miguel

Na Terceira, esta modalidade conta com cerca de 100 atletas federados, que representam 3 clubes (e já foram 4, mas, entretanto, o Clube Naval da Praia da Vitória deixou de remar): Clube Ar Livre, Clube Náutico de Angra do Heroísmo e Angra Iate Clube.

Em São Miguel, os atletas federados são perto de 40, pelos clubes de Vila Franca do Campo, Lagoa, Rabo de Peixe e Ponta Delgada.

No Faial, a modalidade tem vindo a ganhar um grande incremento, sendo mais de 14 os actuais canoístas, com a particularidade de todos pertencerem ao Clube Naval da Horta.

“Como no Faial existe apenas um clube, é provável que o rácio de inscritos e praticantes seja superior à Terceira e a São Miguel”, frisa Antas de Barros, acentuando que “o Clube Naval da Horta é, a nível regional, o que denota maior crescimento em termos de actividade regular, apesentando-se mais competitivo. Tem havido uma linha crescente de progressão. Há um grande acompanhamento da modalidade em termos do desporto em si e da divulgação noticiosa que é feita relativamente a esse trabalho. É difícil encontrar um cenário assim positivo e a valorização daquilo que é feito pelo Clube e pelos atletas. Estão de parabéns pelo belíssimo trabalho desportivo e informativo!”

Questionado sobre o porquê da grande implantação da modalidade na Terceira, este Dirigente refere que “Angra do Heroísmo é a únidade cidade açoriana que dispõe de três clubes dedicados à Canoagem” (e já foram 4). No resto das ilhas onde existe a prática da modalidade, apenas se verifica um por concelho. “Naturalmente que a existência deste número de clubes gera rivalidade, mas quero frisar que se trata de uma rivalidade saudável”, assevera Antas de Barros.

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