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APADIF: 25 anos a trabalhar para que todos se sintam iguais na diferença

As Bodas de Prata da APADIF foram comemoradas com um Programa que decorreu de Junho até Dezembro de 2018

Associação de Pais e Amigos dos Deficientes da Ilha do Faial (APADIF). Certamente que este nome é familiar e algumas das suas acções também. Mas se perguntarmos quantas são as valências que compõem esta Associação de direito privado sem fins lucrativos, começamos a pensar. E então se quisermos saber o que faz cada uma delas, a missão está bem mais dificultada. Foi exactamente por isso que o Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta (CNH) decidiu propôr a João Duarte, Vice-Presidente da APADIF, uma visita guiada a todos os sectores desta instituição, que no dia 10 de Novembro último completou 25 Anos de existência. 

O Programa integrou diversas iniciativas e desenrolou-se desde Junho até Dezembro. A última actividade foi a Regata de Vela Ligeira do CNH baptizada com o nome de APADIF, que este ano aconteceu no dia 8 deste mês, e que constituiu uma verdadeira festa entre Velejadores, Treinadores, Dirigentes, Sócios, Colaboradores e Parceiro do Clube Naval da Horta. A Entrega de Prémios contou com a presença de José Fialho, Presidente da Associação de Pais e Amigos dos Deficientes da Ilha do Faial há 18 anos consecutivos.

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João Duarte no apoio aos Atletas da Classe Hansa na Regata da APADIF

Esta espécie de prenda de anos foi de imediato aceite por este Técnico, que gentilmente se prontificou a informar as suas Colaboradoras de que este processo se encontrava em marcha. Durante o primeiro dia deste périplo, João Duarte fez mesmo questão de ser motorista, disponibilizando-se em termos de acompanhamento e facultando toda a informação tida como pertinente.

Mas antes de começarmos este roteiro guiado, revelador de um trabalho de gigante dado, por vezes, com passo de formiguinha (tenaz), talvez seja bom explicar que esta iniciativa surge porque o CNH e a APADIF são entidades parceiras, tendo implementado, de forma pioneira na ilha do Faial, nos Açores e quiçá no País, a Vela inclusiva, mediante o Projecto “Vela Para Todos - Faial Sem Limites”. Este Projecto, instituído protocolarmente a 29 de Dezembro de 2011, visa “a inclusão de todos na prática da Vela, destruindo barreiras e preconceitos que ainda possam existir, dando o seu contributo para a construção de uma sociedade mais justa e aberta à diferença”.

A 10 de Novembro de 1993, sob a direcção de Gilberto Ferrão Salgado, nascia esta Associação de direito privado sem fins lucrativos, um marco na vida daqueles que nasceram especiais ou assim se tornaram por força das circunstâncias.

Trabalho desenvolve-se em 5 valências

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O alpendre do ATL “Arco-Íris” foi concluído em Novembro deste ano, como atesta a placa afixada à entrada do mesmo

A APADIF desenvolve o seu trabalho em 5 valências. A primeira a surgir foi o Atelier de Tempos Livres (ATL) “Arco Íris”, em 2002, que funciona na antiga Escola da Volta, na Conceição.

Em 2006, arrancava o Centro de Desenvolvimento e Inclusão Juvenil (CDIJ), situado actualmente nas Angústias (antigas instalações da Radiodifusão do Faial).

O Moviment’Arte é uma realidade desde 2009, nas Angústias, e em 2011 foi inaugurado o Centro de Dia da Conceição, nesta freguesia. Em 2017, foi criado o ATL Esperança, sedeado nas Angústias. Mas o universo desta instituição não se fica por aqui, havendo outras pretensões e projectos na calha.

Além do que foi referido, funciona na Praça da República o Quiosque da APADIF, uma realidade graças à boa vontade e disponibilidade dos Voluntários, onde são vendidos trabalhos feitos não só por este Grupo mas, também, pelos utentes das várias valências desta Associação.

A sede da APADIF funciona na Travessa de São Francisco, na Horta (antigo Dispensário).

Uma instituição abrangente 

João Duarte é funcionário da APADIF (Técnico de Reabilitação) mas desempenha funções no Instituto de Acção Social da Horta (IAS) no âmbito de um protocolo (sendo, também, o Treinador da Classe Hansa (Vela Adaptada) do Clube Naval da Horta).

Inicialmente levou a cabo um trabalho de Coordenação dos Coordenadores das diferentes valências da APADIF e actualmente integra a Direcção desta Associação, ocupando o cargo de Vice-Presidente neste mandato de 4 anos que já vai a meio. 

joao duarte 2017

João Duarte: “Tudo o que tem com a ver com a Inclusão, na área da deficiência no Faial, acaba por ter como veículo a APADIF”

“A Associação de Pais e Amigos dos Deficientes da Ilha do Faial é uma instituição que dá respostas de forma muito abrangente, englobando crianças, adultos e idosos”, sublinha este homem polivalente, que salienta: “Abrangemos não só a problemática da deficiência como a questão dos ATL’s com as crianças; o CDIJ com o abandono escolar; temos o Centro de Dia para Idosos e um projecto que, para mim, seria o projecto que fundamenta esta instituição que é o Moviment’Arte, destinado a pessoas adultas com deficiência. O nosso objectivo era que o Moviment’Arte evoluisse para um Centro de Actividades Ocupacionais (CAO), dando uma resposta que fosse mais de encontro às necessidades dos nossos utentes.

O ATL Esperança, criado no ano passado, é a designação de ATL Inclusivo com a qual não concordo, pois defendo que todos os ATL’s deviam ser inclusivos e receber crianças com deficiência.

Todas estas valências estão relacionadas com a deficiência, área que é muito trabalhada na APADIF, tanto no Projecto Movimento’Arte como na “Vela para Todos” e em acções de sensibilização para a Inclusão, de que é um bom exemplo o Baptismo de Mergulho, que decorreu na Piscina Municipal da Horta, no dia 3 deste mês, Dia da Pessoa com Deficiência. Tudo o que tem a ver com a Inclusão na área da deficiência no no Faial, acaba por ter como veículo a APADIF.

atl arco iris nov 19 2018

Para já, a grande ambição da APADIF é fazer com o que o Projecto “Moviment’Arte” cresça e se transforme num Centro de Actividades Ocupacionais

“A APADIF está num patamar de reconhecimento muito elevado”

“No capítulo da sensibilização, acredito que muita coisa melhorou (acho que a idade me está a dar perspectivas mais positivas) e que estamos no bom caminho no que concerne à Inclusão. É natural que ao fim de 25 anos de trabalho nesta área, a forma como as pessoas encaram a deficiência tenha evoluído muito! Claro que há sempre muito mais para evoluir mas considero que a APADIF está num patarmar de reconhecimento muito elevado e a prova disso é que as salas que acolhem as nossas iniciativas enchem sempre. E não estamos só a falar de pessoas ligadas aos utentes mas de outro público. Somos uma instituição relativamente pequena (em termos de quadro técnico e valências) mas com grande projecção na comunidade”.

“Temos ainda muitos degraus para subir”

“Gostávamos de poder dar mais respostas na área social e na área da deficiência e noutras que abraçámos, mas mesmo em função da nossa dimensão, sentimos que há um ‘feedback’ muito forte da comunidade. Isso revê-se nas homenagens que nos são feitas, nos apoios que os particulares nos fazem chegar e nos eventos que realizamos em que há muita participação. Tudo porque, independentemente da problemática ou da faixa etária, o nosso lema é a Inclusão. E a Inclusão engloba toda a gente. Sentimos que essa mensagem está a ser passada para a sociedade.

É verdade que muito já foi feito ao nível das acessibilidades físicas e existe uma aproximação muito grande com a Autarquia no sentido de ir trabalhando estas metas. Nesta questão da Inclusão e da Acessibilidade apesar do caminho percorrido, há sempre muito para fazer, portanto, estamos a meio de uma escada em que subimos uns degraus mas temos ainda muitos outros para subir. Contudo, penso que as coisas estão a evoluir no bom sentido.

Temos muitos parceiros e é graças a eles que conseguimos chegar mais longe. A Câmara é um grande parceiro, o Instituto de Acção Social e o CNH, que é um parceiro de renome”.

Depois desta apresentação, feita com a colaboração e grande empenho de João Duarte, começamos a visita ao mundo de cada valência.

Respeitando a cronologia, damos hoje a conhecer o ATL “Arco-Íris”, que tem como Directora Técnica, Carla Matos, que nos explicou como funciona esta valência, deixando transparecer a ligação que tem à APADIF, ao Presidente desta instituição e ao Projecto que abraçou já lá vão 16 anos!

“Sinto a APADIF como um bocadinho de mim”

atl arco iris carla matos nov 2 2018

Carla Matos: “Fui a primeira funcionária desta Associação”

“O ATL “Arco Íris” existe desde 2002. Funcionou sempre neste espaço da antiga Escola da Volta. Foi-nos pedido para escolher um nome, e eu juntamente com as crianças, na altura lembrámo-nos do arco-íris, porque eram diversas idades e diversos gostos.  

Temos lotação para 40 crianças e na maior parte das vezes há lista de espera. Arrancámos com esse número neste ano lectivo, mas tendo em conta que duas mudaram de residência, actualmente temos 38.

Abrangemos um público desde o Pré-Escolar até ao 1º Ciclo, ou seja, desde os 3 até aos 10/11 anos.

Em tempo lectivo, recebemos as crianças após a hora escolar até às 18h30. Mas em altura de férias e sempre que há um plenário sindical ou alguma reunião de professores, colmatamos a falha da Escola, o que significa que abrimos portas desde as 8h15 até ao fim da tarde.

De Verão funcionamos até às 18h15 e de Inverno mais 15 minutos.

Em termos de quadro, somos três pessoas fixas: eu, como Directora Técnica; uma Ajudante de Educação, que é a Cristina Soares; e uma Auxiliar de Serviços Gerais, que é a Humberta Silva. E depois temos sempre duas pessoas de programas diferentes. Temos connosco, há cerca de 2 anos, a Diana Pereira, que está a fazer um Estágio T na área de Animação; e a Joana Soares, também do Estagiar T, há 1 ano. A Tânia está “emprestada”, porque a Joana se encontra de férias.

atl arco iris nov 5 2018

“O primeiro projecto da APADIF foi este ATL” 

Sinto-me realizada com o trabalho que faço aqui na APADIF

Sou formada em Educação Social e gosto muito do que faço.

Quando tirei a minha formação, já havia a opção para trabalhar nas santas casas mas eu sempre gostei mais da educação e da parte infantil.

Sinto a APADIF como um bocadinho de mim, porque fui a primeira funcionária desta Associação. Quando comecei aqui não havia nada. O primeiro projecto foi este ATL, que é o mais antigo.

Recordo-me que tudo isto começou com um intercâmbio realizado com o “Charles Horizonte”, um grupo do Porto. E fui eu que organizei esse intercâmbio e depois disso o sr. Fialho disse-me que tinha em pensamento criar um ATL na Escola da Volta e perguntou-me se esse projecto fosse para a frente se eu gostaria de colaborar, e eu respondi que gostava muito.

Fomos pedir apoios e lembro-me de ter ido buscar mesas para as escolas antigas. Não existia absolutamente nada! Começámos aqui sem nada e por isso sinto isto como um bocadinho de mim.

Primeiramente arrancou o ATL “Arco-Íris” e posteriormente os projectos “Veredas” e “Trilhos”, trabalho que passou para o CDIJ. Começou a haver uma amplitude.

A APADIF não era nada há 16 anos e hoje tem nome em qualquer sítio onde se fale dela. E as pessoas já conhecem este Projecto. Há 16 anos ninguém sabia o que era. Mesmo aqui na cidade.

atl arco iris nov 17 2018

O Parque Infantil é o sítio certo para descarregar energias

Ao trabalhar numa instituição como a APADIF, qualquer pessoa já sente isto como um bocadinho seu, mas vendo este projecto crescer desde o início, como aconteceu comigo,  claro que faz parte de mim e é quase como uma família para mim.

Tentamos sempre dar de nós e do nosso tempo. Às vezes, em casa, dizem-me em tom de brincadeira: “Aquilo é o teu trabalho e não a tua casa”. Mas o que é facto é que sentimos isto como nosso e é bom que assim seja, porque também sentimos por parte da Direcção o reconhecimento pelo que fazemos. Dão-nos valor pelo facto de darmos o nosso melhor. O que nos move é o gosto, o reconhecimento e não o mérito ou a vertente financeira. É mesmo gostarmos daquilo que fazemos e vermos no dia-a-dia os pais e os miúdos apreciarem o nosso trabalho. Olhar para trás e ver esse reconhecimento, representa tudo! E quando postamos algo e os pais nos dizem que o melhor tempo dos filhos foi o que passaram no ATL “Arco-Íris” (os trabalhos que fizeram) porque aqui os sentiam seguros, é um grande reconhecimento do nosso trabalho.

Não podia ter um trabalho melhor do que este. Sinto-me realizada com o que faço aqui na APADIF.

Fazemos trabalhos para oferecer às crianças

atl arco iris nov 8 2018

“Gostamos de fazer sempre um miminho pelo Natal e pela Páscoa”

Em vez de comparmos um livro ou outra coisa para os meninos, costumamos nós próprias fazer um acessório e depois compramos uns bombons para complementar. Atendendo a que as crianças de manhã estão na Escola, depois de termos o plano diário organizado, dedicamo-nos à vertente dos trabalhos manuais, pois gostamos de fazer sempre um miminho para lhes oferecer por altura do Natal e da Páscoa.

Há sempre pais que fazem os seus elogios e guardam estes miminhos durante anos como recordação da equipa do ATL “Arco-Íris”.

atl arco iris nov 9 2018

“Ajudamos as crianças a fazer os trabalhos de casa”

Os meninos ficam muito contentes e ansiosos por saber qual vai ser a novidade em cada estação. Este ano reciclámos os frasquinhos da fruta e vamos pôr um Pai Natal a sair do saquinho e bombons.

Todas as valências também tentam fazer trabalhos para pôr à venda no Quiosque da APADIF, montado na Praça da República, que funciona como um meio de angariar fundos para a Associação.

Alguns meninos às vezes vêm de propósito para receber a sua oferta. Mesmo que tenham estado a faltar, nesses dias vêm sempre para levar esta oferta.

Eles também fazem trabalhos de expressão plástica e os trabalhos de casa, com a nossa ajuda.

A brincadeira faz igualmente parte deste espaço, havendo um Parque Infantil nas traseiras do edifício”.

“Aqui, estou sempre feliz!”

atl arco iris humberta silva nov 26 2018

Humberta Silva: “Este é o melhor trabalho que arranjei na minha vida”

“Sou funcionária deste ATL há uns 14 anos. Adoro trabalhar com crianças. São muito queridas. Ao fim-de-semana sinto-me triste com a falta delas. Às vezes até chorava! Aqui, estou sempre feliz! E como gosto muito das minhas colegas, graças a Deus, ainda melhor! Gosto muito da minha chefe. É uma grande amiga minha e eu dela. E a Diana também é muito querida e dá-me muito carinho. Ela não está efectiva mas eu adorava que ela ficasse. Também gosto muito da Joana e da Cristina, que hoje não se encontram cá. Gosto muito delas todas. Não há nada melhor do que entrar e sair daqui com um sorriso.

Neste momento só temos uma criança diferente neste ATL mas fazemos com que todos se sintam iguais. E é assim que tem de ser.

Sinto-me muito bem aqui e há sempre uma menina que diz que eu sou avó dela. Sei que é a brincar, mas gosto! Não queria de maneira nenhuma mudar de emprego. Este é o melhor trabalho que arranjei na minha vida.

Estas pequenas – digo assim, porque têm idade de ser minhas filhas – também me ajudam, pois fazem as coisas da maneira que eu gosto e que é tudo muito limpinho. Gosto de ter isto aqui como se fosse a minha casa: tudo limpinho e tudo da minha mão. Tenho isto aqui tudo como se fosse meu. E venho sempre feliz para aqui. Nunca falto senão mesmo em última instância.

O sr. Fialho tem boas ajudantes

Esta instituição cresceu muito! Quando comecei, não era nada disto. Ele lutou muito para que fosse aquilo que é hoje. Se não fosse ele, não tínhamos conseguido mas a verdade é que ele também tem boas ajudantes. Todas se dedicam muito ao seu trabalho. E ele é um bom chefe.

Quando eu cheguei aqui, ele dizia-me sempre que isto nunca tinha estado tão limpinho como agora. E mesmo pessoas da Câmara Municipal – porque este espaço pertence à Câmara – também diziam: “Isto consola a entrar aqui! Cheira sempre a limpo”.

O sr. Fialho também diz: “Isto consola a entrar aqui”. E os pais dizem o mesmo.  Quando acaba o período de aulas, fazemos limpeza geral. Agora nunca fechamos portas, por isso todos o dias vamos fazendo limpeza da parte da manhã.

atl arco iris nov 18 2018

Humberta Silva: “Sinto falta das crianças quando estou em casa”

Também colaboro a fazer trabalhos para o ‘Halloween’, Natal, Páscoa e fazemos sempre uns a mais para pôr à venda no Quiosque. Adoro fazer estes trabalhos, embora o médico me proíba por causa da minha tendinite, mas adoro! Tenho muito jeito para estas coisas e também gosto de cantar no Grupo Coral da Horta, onde sou solista. Ando na Chamarrita nas Angústias e em Pedro Miguel. Sempre gostei de bailar num grupo folclórico e antigamente isso só era permitido às pessoas que pertenciam à freguesia, mas hoje em dia como já é difícil de arranjar pessoas para estas tradições, faço parte dos dois. Além de tudo isto, ainda ajudo minha mãe, minha filha e uma netinha.

Há crianças que me vêem e me abraçam e beijam. E mesmo depois de sairem daqui, do ATL, continuam a ser tão carinhosas comigo. Ainda há pouco tempo vi uma senhora no “Modelo” que me disse: “A sra. Humberta tá aqui! A minha netinha gosta muito de si. A senhora ainda tá no ATL?” Fico triste quando estou em casa sozinha, pois aqui elas andam sempre atrás de mim.

A APADIF já é muito conhecida e as pessoas colaboram com as actividades que organizamos. O sr. Fialho é uma pessoa muito boa que tem ajudado muita gente. Por isso, digo: Venham mais 25 anos com saúde, que é o mais importante!”

Outros momentos destas conversas podem ser vistos na Galeria de Fotos.

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