25 Anos da APADIF - Moviment’Arte e ATL Esperança apoiam utentes com e sem incapacidades

“O Moviment’Arte é vocacionado para jovens e adultos que se encontravam em casa, isolados da comunidade faialense”

Marta Faria, Psicóloga há 11 anos e Directora do Moviment’Arte e do Centro de Actividades de Tempos Livres (ATL) Esperança da Associação de Pais e Amigos dos Deficientes da Ilha do Faial (APADIF) dá-nos as boas-vindas e faz uma visita guiada por estas duas valências da APADIF, sedeadas numa dependência da Paróquia das Angústias. Por isso, as primeiras palavras são de “agradecimento ao padre Paulo Silva”, pároco desta comunidade.

“O Moviment’Arte surgiu em 2009 através de uma proposta apresentada à Direcção Regional de Igualdade de Oportunidades (que na altura tinha como Directora a Dra. Natércia Gaspar), que veio aprovada. Esta valência destina-se a jovens e adultos que se encontravam em casa, isolados da comunidade faialense. Este projecto permitiu trabalhar em prol da igualdade de oportunidades para todos e todas, desmistificar mitos e preconceitos relativos ao cidadão com deficiência e promover a integração social. Portanto, mais do que possibilitar estas competências pessoais e sociais e o ‘empowerment’ dos nossos utentes, fazemos muitas actividades direccionadas para a comunidade e com o intuito de envolver a comunidade, porque só assim é que conseguimos desmistificar os mitos relacionados com este público. Estamos a falar de pessoas que têm iguais direitos e competências tal como nós.

Os vários Ateliers proporcionam competências pessoais e sociais aos seus utentes

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“Fazemos muitas actividades direccionadas para a comunidade” 

Dispomos de diversos Ateliers como Equitação Terapêutica, Hidroginástica e Culinária com o objectivo de transmitir conhecimentos e tornar estes utentes mais autónomos. Temos, também, o Atelier de Autonomia Pessoal, que ensina a ver as horas, a ler e a escrever.

O Atelier de Culinária é o preferido porque eles adoram comer! Se calhar mais do que aprender a cozinhar.

Já tivemos Horticultura mas infelizmente agora não, porque como entretanto arrancámos com outra valência, os mesmos Monitores estão a assegurar duas valências e por isso o Moviment'Arte está a funcionar, na maioria dos dias, apenas da parte da manhã.

No âmbito dos Ateliers implementados, destaque, ainda, para o de Carpintaria em que eles fazem diversos artigos que depois são colocados à venda em lojas locais.

Este é um grupo muito heterogéneo, com idades entre os 16 e os 72 anos, sendo os utentes de Castelo Branco, Feteira, Angústias, Matriz, Conceição, Pedro Miguel e Ribeirinha.

A APADIF assegura os transportes destas pessoas, indo buscá-las e pô-las em casa, sem qualquer custo. O horário de funcionamento é das 9 às 13 horas.

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“Os utentes fazem diversos artigos que depois são colocados à venda em lojas locais” 

Nesta valência, ao contrário de outras, não existe lista de espera. Eles gostam muito de frequentar o Moviment’Arte. O único aspecto que desagrada às famílias é o facto de estes utentes não poderem estar o dia todo aqui, mas se fosse para ser assim, o apoio financeiro teria de ser a dobrar, pois implicaria o almoço e mais Monitores.

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Este Projecto permitiu trabalhar em prol da igualdade de oportunidades

O Moviment’Arte conta com uma Psicóloga/Coordenadora (Marta Faria); uma Educadora de Infância (Viviana Vieira); uma Auxiliar de Serviços Gerais (Elnora Amaral); dois Ajudantes de Educação (Ricardo Pinto e Mónica Picanço) e uma Assistente Social (Tânia Pereira).

Sem dúvida que precisávamos de mais colaboradores, pois lidamos com um público muito exigente e a verdade é que não é bom termos sempre gente a entrar e a sair mas isso está directamente relacionado com as verbas disponíveis. Contudo, sempre que temos a sorte de ter alguém que se enquadra no perfil de colaborador, a APADIF faz de tudo ao seu alcance no sentido de contratá-lo.  

Decorações para a Árvore de Natal da Assembleia Legislativa

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Ricardo Pinto, Ajudante de Educação; e Viviana Vieira, Educadora de Infância, orientavam os trabalhos 

A Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA) costuma convidar instituições que dão respostas a cidadãos com deficiência – como o Moviment’Arte da APADIF ou o Centro de Actividades Ocupacionais (CAO) da Santa Casa da Misericórdia da Horta – para fazer a decoração da Árvore de Natal e do Presépio. Este ano coube-nos fazer os adornos para decorar a Árvore.

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João Duarte, Vice-Presidente da APADIF, também acompanhou estes trabalhos

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O Moviment’Arte da APADIF foi à Assembleia decorar a Árvore de Natal

O CAO da Madalena do Pico também já foi convidado para fazer a decoração da Árvore da ALRAA. Fazíamos muitos intercâmbios com o Pico ao abrigo dos quais íamos dois dias lá, onde passávamos a noite. Realizávamos com bastante regularidade  encontros anuais de inter-centros entre o Moviment’Arte e os CAOS da Madalena, Horta e da Calheta.

Dia Internacional da Pessoa com Deficiência

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Assistimos a um ensaio de Mariana Pinto, conduzido pelo professor Paulo Gonçalves, para a actuação na ALRAA

O Moviment’Arte conta, ainda, com um Atelier de Dança, com 30 utentes, em que as aulas são dadas pelo professor Paulo Gonçalves.

A Mariana Pinto ensaiou para a actuação que decorreu na Assembleia, no Dia Internacional da Pessoa com Deficiência (3 de Dezembro).

Neste mesmo dia de manhã também houve um Baptismo de Mergulho, na Piscina Municipal da Horta. E à noite, no Teatro Faialense, decorreu o lançamento do nosso 3º livro, intitulado “O Bennu - a Ave do Sol”, da autoria de Sara Porto.

De realçar que no âmbito das comemorações do Dia Internacional da Pessoa com Deficiência também participámos no “Prémio Cartaz 3 de Dezembro”. Esta foi uma iniciativa do Instituto de Reabilitação Nacional destinada a sensibilizar a população para a temática da deficiência.

Ainda a propósito de livros, recorde-se que a APADIF conta igualmente com outros dois, também da autoria de Sara Porto, e que são  “Finalmente Árvore”, editado em 2010 (uma fábula que dá conta de uma sementinha que cresce e se torna em frondosa árvore) e “Safira”, também lançado em 2010, com um CD acoplado contendo a gravação da história tocante de uma menina, Safira, que desperta para o conhecimento do mundo ouvindo as sábias palavras de um velho e de Samuel, um menino que não podia ver com os olhos e a quem a menina explica a beleza que há num arco-íris.

Agora com “Bennu” completa-se uma trilogia, toda ela ilustrada por utentes da APADIF, incluindo alguns cegos.

O primeiro livro, lançado em 2010, tem a particularidade de ser em braille, o que atinge um público que geralmente fica excluído das nossas leituras, ao passo que a publicação agora lançada – 3 de Dezembro – tem também uma versão audio, em língua gestual. 

Transformar o Moviment’Arte num CAO 

Um grande objectivo que temos desde há algum tempo é transformar o Moviment’Arte num Centro de Actividades Ocupacionais (CAO) e aí, sim, teríamos uma equipa específica para trabalhar com este público durante o dia todo. Haveria outro tipo de resposta.

Eu sou muito esperançosa e acredito que isso vai ser uma realidade. Sabemos que é preciso muito dinheiro mas torna-se imperioso termos uma equipa coesa, pois estamos a falar de 30 utentes no Moviment’Arte. Diariamente vêm 20.

Festival Internacional de Tango, em Lisboa

Das 19h30 às 21h00 temos Atelier de Tango. Mas com os transportes levamos uma hora. Por isso, começamos às 17h30 e acabamos às 10 horas da noite. Para tanto, sai uma carrinha para o lado Norte e outra para o lado Sul da ilha.

Anteriormente tínhamos Atelier de Trabalhos Manuais mas agora dispomos de um Atelier de Tango. Em Maio deste ano participámos no Festival Internacional de Tango, em Lisboa. Conhecemos professores de outras nacionalidades, o que nos abriu portas. Nesse evento estavam representados 42 países.

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“Estavam representados 42 países. Foram 4 dias muito bons!”

O evento funcionava pela noite dentro e durante o dia queríamos mostrar tudo aos nossos utentes: o Oceanário, levá-los ao MacDonald’s, ao Jardim Zoológico e a outros locais. Adoraram! Foi uma experiência única! Até na questão de ficar fora de casa. Foi uma aventura desde o Aeroporto da Horta até ao regresso. Foram 4 dias muito bons!

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“Foi uma aventura desde o Aeroporto da Horta até ao regresso”

O nosso professsor de Dança – Paulo Gonçalves – que é Voluntário assim como a Érica Gonçalves, são do Continente português e fazem parte de um projecto de tango. Vieram residir para o Faial, contactaram-nos e já estamos a trabalhar em conjunto há uns aninhos. Eles são apaixonados por aquilo que fazem. E nota-se!

Elnora Amaral: “Adaptei-me a estas pessoas. É como se fossem meus filhos” 

Convidada a dar o seu testemunho, Elnora Amaral fala com expressividade e alma!

“Há 2 anos que trabalho na APADIF e adaptei-me a estas pessoas. É como se fossem meus filhos. Vir trabalhar para aqui foi a melhor coisa que me aconteceu! De manhã estou com os utentes do Moviment’Arte e à tarde com as crianças no ATL Esperança.

É um espectáculo! Nesta valência (Moviment’Arte) eles fazem coisas que em casa não são capazes de fazer. Eles gostam de estar aqui. Aliás, gostam mais de estar aqui do que em casa. A gente tenta fazer com que se sintam iguais a nós. Dizemos-lhes que são capazes e eles acreditam e conseguem! É sempre abraços e saudades da gente. É como se fôssemos os segundos pais deles. Quando nos vêem é uma loucura! Se não nos encontramos num dia, no dia seguinte dizem que sentiram a nossa falta. Há pouco tempo, um deles chorava por mim e perguntava-me: “Onde é que estavas, Lola?, pois é assim que uns me tratam. A Érica chama-me Móia. Tenho um nome para cada um deles.

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“Isto foi sempre o que idealizei para a minha vida e ao fim de 20 e tal anos consegui!” 

Eu era e sou empresária. Tinha e tenho um Restaurante e um Café (“Salgueirinha”), que agora se encontram alugados. Ao fim de vinte e tal anos vim encontrar a melhor parte da minha vida, que é esta. Nunca julguei mas aqui faço tudo aquilo que sempre sonhei e a que queria dedicar-me. Sempre trabalhei como cozinheira e no Café mas gostava de trabalhar em artes e aqui faço o que gosto: cantar com eles, fazer teatro, danças. Isto foi sempre o que idealizei para a minha vida e ao fim de 20 e tal anos consegui!

Não troco este trabalho por nada!

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Elnora Amaral em grande plano e Mónica Picanço ao fundo, acompanhadas por dois utentes do Moviment’Arte

Estou 100% feliz por estar aqui com eles e não troco este trabalho por nada! A sério, do coração, que não troco a minha vida de hoje por nada! Nem espero ter de voltar ao antigo ramo da minha vida.

No início assustei-me um bocadinho. Quando não se lida com este público não temos a noção do que é a realidade. Ouvimos falar desta e daquela doença mas quando encaramos isto ao vivo, é diferente! De início sentia pena e era tudo difícil. Agora não! A gente já consegue lidar com eles e perceber o gosto de cada um, a maneira de ser de cada um, as dificuldades, as capacidades. Tento lidar o mais possível de forma normal, como fazemos com nós próprios.

Sinto-me feliz com tudo isto! Não há horários. Sou sempre a primeira a chegar cá, às 8h30/08h40 e abro o portão. Faço a minha hora de almoço aqui dentro e trago a minha lancheira. Há dias, na hora de almoço estive a adiantar trabalhos para a decoração da Árvore de Natal da Assembleia, porque ela é grande e precisa de muita coisa.

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No dia em que o Gabinete de Imprensa do CNH fez esta visita, os utentes do Moviment’Arte encontravam-se a fazer as decorações para a Árvore da Assembleia

Tudo isto compensa, porque faço aquilo de que gosto e não digo: “Está na hora de me mandar daqui”. Não é isso que acontece. A Marta diz mesmo: “Está na hora, uma sai às 5 e a outra depois. Estas não querem ir embora”.

A não ser que tenha alguma consulta médica ou compromisso, nunca saio à hora certa. Fico o dia todo. Vai fazer 2 anos que aqui trabalho e almoço sempre aqui; seja com as crianças no Verão seja com estes utentes. Quando acabar estes trabalhos com eles, vou pô-los em casa pois também faço transportes. Quando voltar, arrumo as coisas e deixo tudo limpinho e preparado para amanhã. Vou para o ALT, a Érica come connosco e continuamos assim até à hora de sair. Não troco isto por nada!

São pessoas muito especiais! Adoro-os!

Outra actividade de que eles gostam muito é Culinária. É algo que era a minha mão. Eles gostam de ajudar e de escrever. Têm o seu livro de receitas que fizemos. Os que têm mais capacidades ajudam a descascar o que é preciso. Cada um participa consoante as suas capacidades. Adoram isto e pedem-me coisas doces.

São pessoas muito especiais! Adoro-os!

Tivemos a oportunidade de ir em Maio ao Continente, ao Festival Internacional de Tango, com um grupo de 6 utentes. Esta deslocação representou estarmos juntos 24 sobre 24 horas, o que lhes permitiu ficar ainda com uma maior intimidade connosco. Dormimos juntos, comemos juntos, passeámos juntos! Foi outra experiência na minha vida que adorei, adorei! E estou cá para isso e para o que for preciso.

Tenho de agradecer muito a oportunidade que tive de vir aqui parar, pois comecei por fazer férias e fui ficando e fui ficando e espero ficar definitivamente. Tenho esperança de que gostem do meu desempenho. Faço tudo aquilo que posso. À hora que é necessário”.

ATL Esperança: 40 vagas todas prenchidas em 2019

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Marta Faria: “A grande mais-valia do ATL Esperança é receber crianças com e sem incapacidade o que permite o desenvolvimento harmonioso”

O ATL Esperança foi criado em Dezembro de 2017 recebendo crianças com e sem incapacidades.

Marta Faria explica que funciona com meninos do 1º e 2º ciclos que por terem horários diferentes, “torna tudo muito complicado”. “Precisamos de mais apoio financeiro para poder alargar as actividades no Moviment’Arte e no ATL Esperança.

Actualmente temos 38 crianças neste ATL mas como duas vagas já estão reservadas para 2 meninas com perturbação de aspectos de autismo – que vão frequentar este espaço já no próximo ano – significa que em 2019 teremos o total das vagas preenchidas e que são 40. Existe uma lista de espera bastante significativa, com 15 crianças inscritas.

Tendo em conta que este é um ATL Inclusivo – aliás, é o único ATL Inclusivo do Faial a título formal – as crianças com deficiência têm prioridade. Mas recebemos crianças com e sem incapacidades, entre os 3 e os 16 anos.

A prioridade é dada a estes meninos especiais e por isso o ATL Esperança tem a designação de Inclusivo, se bem que, tal como o João Duarte (Vice-Presidente da APADIF) defende e muito bem, todos os ATL’s deveriam ser inclusivos. Só faz sentido ser assim. Entendo que esta é a grande mais-valia do nosso ATL Esperança, pois ao receber crianças com e sem incapacidade o desenvolvimento é harmonioso. As crianças sem incapacidade têm uma sensibilidade muito grande relativamente ao cidadão com deficiência. Quem não tem a oportunidade de conviver diariamente não desenvolve ou desenvolve menos bem esta vertente.

O ATL dos afectos

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“Existe uma lista de espera bastante significativa, com 15 crianças inscritas”

Há cerca de um mês estivemos um dia de porta fechada por causa de um alerta de mau tempo do Serviço Regional de Protecção Civil e Bombeiros dos Açores (SRPCBA) e no dia seguinte recebemos meninos tendo em conta que os professores estavam em plenário o dia todo. E a conversa deles foi esta: “Eu já tenho saudades do Isac!” O Isac é um menino com paralisia cerebral. Eles não se lembraram dos outros mas falaram deste!

Quando temos uma criança com deficiência, trabalhamos essa área para que os outros percebam a situação.

Embora o Isac não fale, é importante os outros meninos falarem com ele e a verdade é que ele gosta! Ele está numa cadeira de rodas mas levamo-lo para a rua e é engraçado, porque ele vê os outros a jogar à bola e fica feliz já que eles vêm brincar com ele e fazer-lhe um miminho. Ficamos todos a beneficiar com a vinda destes meninos com deficiência. Acho que o nosso ATL ganha muito com isto. É muito rico! Dizem que o nosso ATL é o ATL dos afectos.

Há regras como em todas as outras valências mas temos esta parte muito humana dos afectos e gostamos de tratar assim o nosso ATL, que funciona das 9 às 18 horas.

Nas férias lectivas, as crianças estão todo o dia aqui. No tempo lectivo, a manhã é preenchida com o Moviment’Arte e a tarde com as crianças depois da escola.

Quando os professores fazem greve, funcionamos o dia todo. A nossa resposta é sempre dada em função das necessidades escolares.

Tem de haver uma sensibilidade muito grande

No ATL Esperança temos 5 funcionários mas é preciso realçar que o trabalho implica mudar fraldas e dar lanche a cerca de 10 crianças com 3 anos, sendo, portanto, mais dependentes dos adultos.

Nesta valência o grupo é, também, muito heterógeneo, pelo que necessitamos de mais pessoal. Recentemente fizemos um pedido à Secretaria da Solidariedade Social no sentido de podermos contar com mais monitores. Torna-se uma exigência muito grande dar resposta a um público tão heterogéneo como o nosso.

Temos uma Psicóloga, uma Educadora de Infância, que possui uma pós-graduação em Necessidades Educativas Especiais, e três Monitores (Ajudantes de Educação). Em função das nossas necessidades, propomos à instituição (APADIF) e vamos recebendo formação nestas áreas.

Esta área não dá dinheiro mas realização pessoal e profissional

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“Dificilmente trocaria a APADIF por outra instituição”

Já tivemos muito boa gente aqui a trabalhar mas como a Associação não consegue renovar o contrato por falta de verbas, eles vão-se embora. É preciso haver uma sensibilidade muito grande por parte de quem trabalha nestas valências. O mais importante é gostar, porque nós trabalhamos feriados, fins-de-semana e sempre que somos convidados para ir a (muitas) iniciativas da comunidade. Ninguém pode estar aqui pelo dinheiro, porque se for esse o caso vai ficar frustrado. Posso garantir que esta área não dá dinheiro mas dá outras coisas que o dinheiro não traz como a realização pessoal e profissional.

Aprendemos muito com estes utentes. Sinto-me realizada a trabalhar na APADIF, até, porque, temos um público muito heterogéneo, que nos permite desenvolver outras aptidões.

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“Aprendemos muito com estes utentes”

Tive a sorte de acabar o Curso e de vir trabalhar para a APADIF. Dificilmente trocaria a APADIF por outra instituição. Aqui tenho a possibilidade de não só trabalhar nesta valência como ainda apoiar outras valências. Vou às Escolas através do Projecto de Dependências da Horta – desenvolvido em parceria com a Câmara Municipal – trabalhar a deficiência com as crianças, competências de aprendizagem, competências pessoais e sociais. E noto que quem não tem contacto com estas realidades, assusta-se. Quando vou falar, eles aceitam muito bem. Levamos uma cadeira de rodas e participam nas actividades e até acham piada mas quando os colocamos em contacto com a realidade, percebemos que estas crianças estão a retrair-se e a evitar o contacto.

Por isso é que eu digo que os nossos utentes têm uma vantagem muito grande relativamente aos outros, até porque fazemos vários Encontros Inter-Geracionais e envolvemos as várias valências.

Recordo-me de há uns anitos termos noutra valência duas jovens de 15 anos que se aproximaram de mim – estávamos todos a conviver – e manifestaram medo de se chegar junto de pessoas com deficiência. A culpa não é delas, porque nunca tinham tido este contacto. Até então esta área não tinha sido trabalhada com elas. Depois adoraram e vinham cá várias vezes fazer visitas. O que é preciso é nós sairmos do casulo e sensibilizarmos o público para esta temática.

APADIF trabalha com e na comunidade 

Ainda há um percurso muito grande a fazer. Relativamente às barreiras físicas já muito foi feito mas entendo que as barreiras psicológicas são as piores. Acho que a APADIF já fez um trabalho formidável e há pouco tempo numa reunião que tivemos com o Bruno Frias do Serviço de Desporto da Ilha do Faial, abordámos precisamente essa questão.

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“O que é preciso é nós sairmos do casulo e sensibilizarmos o público para esta temática”

A APADIF e o CAO da Santa Casa têm tido um papel muito importante na ilha do Faial em termos de sensibilização para a área da deficiência.

Fazemos muitas actuações – recebemos muitos convites – o que é imprescindível para as pessoas perceberem quem somos e o que fazemos. Realizamos exposições fotográficas com os nossos untentes, desfiles de moda, espectáculos de variedades e outras iniciativas direccionadas para a comunidade, onde se incluem os nossos três livros. Isto é a prova de que realmente fazemos um trabalho de sensibilização na ilha do Faial.

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“A APADIF tem tido um papel muito importante na ilha do Faial em termos de sensibilização para a área da deficiência” 

Penso que no Faial não há quem desconheça a APADIF precisamente porque fazemos muitas actividades para a comunidade.

As pessoas com quem convivo valorizam o trabalho que a APADIF faz e dizem que é muito importante nesta área.

Cada vez mais vamos precisar de mais apoio, atendendo ao número de casos que chegam até nós. Uma coisa é estarmos a falar de alguém que tem uma deficiência ligeira outra coisa são jovens com uma deficiência mais profunda. Temos utentes que precisam de um monitor diriamente com eles, pela questão da higiene, da alimentação, etc. O facto de o monitor estar com aquela criança vai faltar noutras áreas.

Temos uma equipa fantástica 

Temos 4 monitores envolvidos nos transportes, porque fazemos de várias escolas. Se for para estagnar ficamos como estamos mas nós queremos sempre mais. Queremos dar resposta a estas crianças e queremos dar uma resposta de excelência.

Reconheço aquilo que se poderia melhorar mas também sei aquilo que fazemos bem feito. E acho que a nossa valência faz um trabalho maravilhoso. Temos uma equipa fantástica! Posso dizer que todos os profissionais que estão aqui gostam do que fazem. E não estamos a falar do ordenado ao final do mês. Não há uma única vez que eu peça para trabalhar à noite que neguem. A APADIF incutiu-nos sempre o gosto para trabalhar nesta área.

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“Não há uma única vez que eu peça para trabalhar à noite que neguem”

Temos tido o apoio incondicional da Câmara Municipal da Horta. Sem isso não conseguiríamos chegar tão longe. Têm sido fantásticos até nesta questão da resposta da Igualdade para Todos e Todas, com o financiamento de várias iniciativas. E depois temos, também, o apoio das entidades locais. Andamos sempre a pedir para poder fazer actividades, recorrer a espaços, apoios e todos têm sido formidáveis com a APADIF. Se estivessemos só à espera do apoio financeiro que recebemos da Segurança Social não conseguiríamos fazer tudo isto”.

“Dou-me bem com todos e gosto mesmo de trabalhar na APADIF”

Roberto é Assistente Operacional na APADIF, o que quer dizer que é mecânico,  motorista e “hiper-activo”, garante João Duarte, acrescentando: “Precisamos de gente assim”.

É com um sorriso rasgado e boa disposição que aceita partilhar a sua opinião sobre o que faz nesta Associação e, sendo vaidoso como dizem as colegas, ser solicitado para a fotografia não é problema algum!

“Há 1 ano que estou na APADIF e gosto muito. Dou-me bem com todos e gosto mesmo de trabalhar aqui com os idosos e as crianças. Anteriormente trabalhava nas Obras Públicas (cantoneiro) mas como agora não tenho uma perna, fruto de um acidente, já não posso fazer o trabalho de antes e com o actual emprego não me sinto nada incapacitado. Não deixei de andar de moto nem de fazer a minha vida mas há coisas que mudaram. 

Seria muito bom ficar a trabalhar aqui, porque gosto imenso deste ambiente, dou-me bem com todos e sinto que sou útil.

São todos impecáveis comigo

Estava longe de pensar que iria fazer uma coisa destas. Digo sempre que há males que vêm por bem. Eu era irresponsável e fazia algumas asneiras na estrada mas agora estou tão bem! Ninguém me chateia. Tenho o meu trabalho e a minha namorada. Vivemos juntos. Não peço melhor.

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Roberto Faria: “Estou muito feliz e tenho aprendido imenso!” 

O senhor João e o senhor Fialho são impecáveis! Aliás, todos são impecáveis. Às vezes tenho de me deslocar fora para fazer ajustes na prótese e eles nunca me dizem: “Estás a fazer falta”, mas, sim: “Fica o tempo que for preciso. Põe-te bem e depois volta”. São mais família do que a minha, porque convivo mais com eles do que propriamente com a minha família de sangue. Com eles é desde manhã até ao fim do dia. Gosto imenso!

A senhora Cláudia, a senhora Marta, são todas muito boas para mim. Uma coisa muito positiva e que notei grande diferença em relação a outros trabalhos, foi que nesses locais os patrões mandavam e aqui a forma de mandar é quase como pedir: “Olha, tu podes fazer isto?” E isso faz muita diferença. A pessoa está a mandar na mesma mas a forma como manda tem muito a ver.  A senhora Cláudia nunca diz: “Olha, faz isto”, mas sim: “Ó Roberto, quando tu puderes, vai-me ali àquela carrinha e faz isto e isto”. É algo muito bom para a gente pois não nos sentimos inferiorizados.

Qualquer problema que tivermos sabemos que se falarmos com ela não vai dizer que não. Ela é uma pessoa impecável, assim como a Marta, a Glória. Dou-me super-bem com todos desde que estou cá.

Estou muito feliz e tenho aprendido imenso!

A oportunidade de fazer mergulho com garrafa

Também foi graças à APADIF que tive a oportunidade de fazer mergulho com garrafa. O senhor João Duarte convidou-me e eu estava receoso, porque tenho uma amiga nas Flores – que inclusivamente foi “Miss Flores” – que por causa do mergulho ganhou uma bolha na cabeça e ficou deficiente. Agora está lá como um vegetal.

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“O senhor João Ferraria, que é Instrutor Profissional de Mergulho, quis oferecer-me o Curso e eu estou radiante”

Mas experimentei e adorei e agora o senhor João Ferraria, que é Instrutor Profissional de Mergulho, quis oferecer-me o Curso e eu estou radiante.

O Baptismo de Mergulho que fiz no dia 3 deste mês, na Piscina Municipal a convite da APADIF, foi excelente. Adorei! Há males que vêm por bem e cada vez percebo mais isso. É lógico que a minha perna me faz muita falta e que não há nada que a substitua mas com isto a minha vida mudou muito!

Eu chego aqui de manhã, vou buscar as crianças à escola e elas mal me vêem começam a gritar o meu nome: “Ro-ber-to! Ro-ber-to!” Agarram-me e fazem brincadeiras. Gosto muito de crianças e dou-me bem com todos”.

Outros momentos destas conversas podem ser vistos na Galeria de Fotos.

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