cal   fb    tw    instagram   telegram   whatsapp   yt   issuu   meo   rss

 

“A Figura do Mês” - Jorge Macedo: “Sempre estive mais virado para a vertente organizativa e gosto!”

Não tem barco nem se assume como velejador mas o seu gosto pela Vela – nascido em 1989 – e em especial por organizar e dirigir eventos, faz com que seja uma cara conhecida neste ambiente. Como tal, já esteve à frente da Secção de Vela de Cruzeiro do Clube Naval da Horta (CNH) cerca de 15 anos (ao longo de vários mandatos); é o actual Presidente da Associação Regional de Vela dos Açores (ARVA) e há mais de 10 anos que assume as funções de Director de Prova da “Atlantis Cup” (na qual está envolvido há mais de 20 anos) que em 2018 completou 30 Anos de realizações e o desafio lançado pela actual Presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA), a faialense Ana Luís, de passar por todas as ilhas do Arquipélago, reforçando a unidade autonómica.

Falamos de Jorge Macedo, que partilha a sua opinião sobre a principal Regata de Vela de Cruzeiro realizada no mar dos Açores e uma das mais importantes de Portugal – organizada pelo Clube Naval da Horta – e sobre diversos aspectos relacionados com a Vela e o mundo náutico.

“Quando assumo um compromisso levo-o a sério”

- Gabinete de Imprensa do CNH: Alguma vez pensou em ter barco?

- Jorge Macedo: Nos anos 90 ponderei seriamente em adquirir um barco mas como tive de fazer opções, tal não foi possível. Agora já não penso nisso. Se tivesse acontecido, teria sido bom mas não me sinto nada frustrado nesse sentido. Sinto-me bem com o que faço, porque sempre estive mais virado para a vertente organizativa e faço-o com gosto!

Eu só faço com vontade aquilo de que gosto e quando assumo um compromisso levo-o a sério. Não é para passar tempo. Sou metódico: gosto das coisas bem organizadas, no seu lugar certo, a tempo e horas. Mas às vezes não acontece bem como nós pretendemos...

jorge macedo 2

Jorge Macedo: “Já servi muito mais de borla os Açores do que muitos políticos que ganham vencimentos simpáticos!”

- Gabinete de Imprensa do CNH: Não gosta de estar dependente de outros?

- Jorge Macedo: Quando estamos dependentes de terceiros ficamos um bocado ‘stressados’ e tem-me acontecido ao longo do tempo, tanto enquanto dirigente do CNH como agora na ARVA, situações que não são bem resolvidas como se pretendia. No entanto, considero que as coisas vão funcionando minimamente, porque quando achar que já não é assim, salto fora.

- Gabinete de Imprensa do CNH: O Jorge tem uma grande ligação à Vela...

- Jorge Macedo: Não sou velejador. Nunca fui! Claro que se pode ter um barco para dar uns passeios mas também para fazer umas regatas. Noto que há muita gente com barco que apenas sai da Marina quando há regatas. De resto, não se vê andarem de barco. Alguns, claro.

- Gabinete de Imprensa do CNH: O gosto por organizar e dirigir faz de si um Voluntário com muitos anos de experiência.

- Jorge Macedo: Dei e continuo a dar à sociedade muitas horas da minha vida pessoal e familiar. Costumo dizer com frequência que já servi muito mais de borla os Açores do que muitos políticos que ganham vencimentos simpáticos! Atiro sempre isso quando falo com conhecidos meus que andam na política. Pelo facto de serem directores regionais ou de desempenharem outra função, não mudo o discurso sempre que estamos numa amena cavaqueira. E verdade seja dita que não tenho sido muito criticado por isso. Aliás, esse é um aspecto de que me admiro no mundo da Vela.

atlantis cup 1

“Era importante voltar ao patrocínio da SATA nas viagens inter-ilhas”

- Gabinete de Imprensa do CNH: Organizar uma “Atlantis Cup” (AC) não é o mesmo que dirigir a Secção de Vela de Cruzeiro do CNH. Certo?

- Jorge Macedo: Claro que organizar uma “Atlantis Cup - Regata da Autonomia” não é a mesma coisa que organizar uma regata local. A logística é completamente diferente; muito mais complexa se estivermos a falar na “AC”. Basta envolver mais gente na organização e andar de avião de ilha para ilha a dar largadas e a fazer chegadas dos barcos em cada etapa. A complexidade está em coordenar e conjugar todos esses factores. Depois é preciso alinhar as viagens aéreas a tempo e horas de cada etapa para que cheguemos antes dos velejadores, tratar e tentar negociar os alojamentos, a alimentação, etc. Encontrar argumentos para cativar os armadores a participarem também faz parte deste trabalho. É preciso jogar com uma série de factores que são fundamentais para as coisas funcionarem. Porém, o princípio organizativo de uma Regata desta natureza e de uma regata local é semelhante.

- Gabinete de Imprensa do CNH: Mas as coisas têm funcionado bem e sinal disso é que vai ser de novo o Director de Prova em 2019!

- Jorge Macedo: Sim, as coisas têm funcionado bem! Fui convidado pelo actual Presidente da Direcção do CNH, José Decq Mota, para ser novamente este ano o Director de Prova da “AC”, um sinal inequívoco da confiança no nosso trabalho.

jorge macedo 4

“É completamente diferente ser velejador e ser organizador. É muito mais cómodo ser velejador!”

- Gabinete de Imprensa do CNH: Como estão a decorrer os preparativos para aquela que será a 31ª edição da “Atlantis Cup - Regata da Autonomia”?

- Jorge Macedo: Bom, se pensarmos em tentar arranjar patrocinadores vai ser muito difícil, pois já estamos em Fevereiro! Um patrocinador de prova não se arranja quatro meses antes. Aliás, na minha opinião, essa tem sido uma lacuna. Estamos a falar num patrocinador global da “AC”, o que significa que tem de ser um projecto conversado e bem elaborado. Não me refiro ao Alto Patrocínio da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, o que já vem acontecendo desde 2003, altura em que a “Atlantis Cup” foi rebaptizada como “Regata da Autonomia”.

Gostava que este ano pudessemos contar com mais patrocinadores, pois seriam menos verbas que sairiam do Clube. Era muito importante voltar ao patrocínio da SATA nas viagens inter-ilhas.

“Este ano vamos voltar ao figurino antigo (2003)”

- Gabinete de Imprensa do CNH: Na sua opinião, acha que o facto de as eleições do CNH terem sido adiadas de Dezembro de 2018 para Janeiro de 2019 também atrasou a preparação da “Atlantis Cup”?

- Jorge Macedo: Claramente! Essa questão contribuiu para este atraso, pois é fundamental que a preparação comece no ano anterior.

Quando eu estava na Secção de Cruzeiro do CNH acabava a “AC”, a Semana do Mar e depois de um período de férias, em Outubro princípio de Novembro o mais tardar, começávamos a trabalhar na preparação da Regata. Este ano estamos um bocadinho atrasados, se bem que em 2018 aconteceu o mesmo e ainda assim correu tudo bem nos 30 Anos da “Atlantis Cup - Regata da Autonomia”. Contudo, houve aspectos que se decidiram muito em cima da hora. 

- Gabinete de Imprensa do CNH: Qual vai ser o figurino dos 31 anos da “Atlantis Cup - Regata da Autonomia”? Em 2018 muitos defendiam que era importante voltar ao percurso inicial.

- Jorge Macedo: Este ano a ideia do Clube Organizador – Clube Naval da Horta – é voltar ao figurino antigo, neste caso de 2003. Assim sendo, será Vila do Porto/Ponta Delgada; Ponta Delgada/Angra e Angra/Horta.

- Gabinete de Imprensa do CNH: Mas esse não foi o trajecto inicial.

- Jorge Macedo: A 1ª edição da “Atlantis Cup”, realizada em 1988, envolveu apenas três ilhas: São Miguel, Terceira e Faial.

A intenção é voltar ao figurino inicial mais recente e que envolve Santa Maria, iniciado em 2003. E assim dá menos dias de Regata, se bem que todos os anos anda à volta dos 10 dias.

Santa Maria entrou pela primeira vez no roteiro da Regata em 2003 e esse foi o primeiro e único ano em que fiz a “AC” como velejador, com o Dr. Tomás Azevedo, no “Trillemus” e com o António Luís. Quando se tem disponibilidade e um amigo com barco, está tudo reunido para fazer a Regata.

“Tenho ainda em mente um dia fazer a travessia Açores/Madeira/Canárias”

- Gabinete de Imprensa do CNH: Foi a única vez que deixou de ser organizador para ser velejador. São papéis completamente diferentes! Qual o melhor?

- Jorge Macedo: A primeira “AC” em que estive na organização foi em 1989, ou seja, a 2ª edição desta Regata.

É completamente diferente ser velejador e ser organizador. É muito mais cómodo ser velejador!

Estava a pensar que este ano ia fazer a Regata novamente como velejador mas isso já está adiado, novamente. No entanto, está pensado num futuro próximo fazer, com amigos, uma Açores/Madeira/Canárias.

Em 2018 o Alexandre Rainha veio cá fazer a “AC” com o seu barco e eu era para ter ido com ele no regresso, até Olhão. Mas depois não foi possível por razões profissionais. Fiquei triste por ter perdido essa oportunidade.

Gostava ainda de fazer uma viagem maior! Independentemente de não ser velejador, tenho sempre aquele desejo de um dia fazer mais umas milhas do que aquelas que fiz até hoje: 220mn, sensivelmente.

“Um rali é muito diferente de uma regata”

atlantis cup 2

“O número de barcos tem vindo a aumentar, assim como o número de velejadores mais novos”

- Gabinete de Imprensa do CNH: A “Atlantis Cup” mudou muito em 30 Anos!

- Jorge Macedo: Mudou muito a todos os níveis! O número de barcos tem vindo a aumentar e a qualidade dos barcos melhorou substancialmente assim como o número de velejadores mais novos.

No início da “AC” participaram alguns estrangeiros. Depois houve um período mais ameno e em 2018 a participação foi boa, com 22 barcos. Inicialmente o número de estrangeiros era maior do que os locais. Isso verificava-se mais na Horta/Velas/Horta. A partir de certa altura eles deixaram mesmo de participar. Talvez por terem menos tempo ou por estarem de passagem e necessitarem de repouso para continuar a sua viagem. No entanto, há aqui uma questão que pode estar directamente relacionada com a diminuição da participação de estrangeiros e que tem a ver com o facto de estarmos a falar de uma regata.

Lembro-me perfeitamente que a determinada altura se começou a chamar ralis às nossas regatas locais no sentido de afastar esse estigma. Uma regata envolve uma série de requisitos, tais como regras oficiais, bóias, etc, ao passo que um rali é um passeio, em que nem sequer é obrigatório a existência de classificação.

hrt velas hrt 2008 1

‘Briefing’ da Regata Horta/Velas/Horta de 2008. Da esquerda para a direita: Luís Serpa, Armando Castro, Comandante José Salema e Jorge Macedo

O ser humano é um bicho de competição. Independentemente de ser uma prova mais ou menos a sério, até aos 5 minutos do tiro da largada estão todos a brincar mas depois disso acabou! A maior parte gosta de chegar à frente. Claro que uns têm mais possibilidades do que outros, consoante as embarcações e as tripulações que têm. Mas mesmo sabendo que não vão ganhar nada, ao menos há o gosto de dizer: “Fui o primeiro a largar!”

hrt velas hrt 2008 2

“Inicialmente o número de estrangeiros era maior do que os locais. Isso verificava-se muito na regata Horta/Velas/Horta”

- Gabinete de Imprensa do CNH: Recordo-me de que em 2018 a questão do ‘Rating’ também foi muito apontada como sendo um factor de injustiça em termos classificativos. Vai haver alterações nesse sentido?

- Jorge Macedo: Há muita gente que opina sem conhecimentos suficientes. O ‘Rating’ ORC é um sistema internacional. Para o ‘Rating’ funcionar correctamente, é fundamental dispormos de uma frota menos díspar do que aquela que temos. Caso contrário não há ‘Rating’ que funcione. E o que se verifica é que temos barcos muito diferentes uns dos outros. Num patamar intermédio há apenas um ou dois e com esse número de barcos não se faz regatas, porque são insuficientes.

Para haver a tal equidade no ‘Rating’, o mesmo tem de ser bem dividido e não temos frota para dividir dessa maneira. Os ‘ratings’ só funcionam bem se as embarcações forem semelhantes. Não quer dizer que sejam iguais, porque se for tudo igual nos resultados não é preciso haver ‘Rating’ mas devem ser o mais aproximadas possível em termos de comprimento e áreas vélicas.

A frota existente no Faial é boa e recente, havendo barcos mesmo de regata, concebidos para isso. A nível regional há muitos barcos e bons. Na actualidade, nesta Prova aparecem barcos muito bons, que nos Açores são mais de 20, divididos pelas ilhas Faial, Terceira e São Miguel.

Recordo que o sistema de ‘Rating’ também foi alvo de alterações. Durante muitos anos vigorou o ‘Rating’ Oficial do CNH (inspirado num ‘Rating’ dinamarquês – ‘Rating’ é o cálculo matemático adequado às características de cada embarcação) que foi reajustado por gente local e que funcionou muito bem durante largas edições. Como remate final sobre esta questão, refiro o exemplo muito recente que tivemos na “AC” de 2018, em que o vencedor da Regata foi um barco relativamente pequeno, o “Quinas”, da Terceira, que nunca tinha feito esta Regata.

“Temos um leque mais vasto de hipóteses de percursos”

jorge macedo 8

“Os concorrentes do Continente têm mesmo de tirar férias se quiserem fazer a “AC”

- Gabinete de Imprensa do CNH: Os 30 Anos da “Atlantis Cup” são sinónimo de consolidação e simultaneamente de um maior número de participantes?

- Jorge Macedo: Não sei se vai haver mais concorrentes este ano. A questão da participação não tem uma razão específica mas a verdade é que este figurino, que contemplou as ilhas todas, abriu um leque mais vasto de hipóteses de percursos.

O que inicialmente parecia um “papão” em termos de Organização, quando a senhora Presidente da ALRAA fez essa proposta na apresentação da Regata, em 2013, foi muito bem contornado e com muito sucesso, para além de termos envolvido novos clubes na história da “Atlantis Cup - Regata da Autonomia”.

A nossa principal dificuldade prendia-se com a duração da Regata, que não pode ultrapassar os 10 dias. A Regata larga sempre no fim de Julho coincidindo a chegada com o início oficial da Semana do Mar (primeiro domingo de Agosto), uma questão determinante para a participação.

Existe um decreto na Admnistração Pública Regional que prevê as dispensas para a participação em Provas Desportivas. Mas a mudança operada nalgumas instituições veio pôr fim a isso. Os Hospitais, por exemplo, passaram a E.P.E. (Entidade Pública Empresarial) e, como tal, os funcionários deixaram de estar abrangidos pelo decreto. Se quiserem fazer a Regata, têm de tirar férias. É claro que isso veio dificultar a participação, porque existem alguns médicos e enfermeiros com embarcações que costumavam participar e agora já nem todos o fazem.

Os concorrentes do Continente têm mesmo de tirar férias se quiserem fazer a “AC”, pois estamos a falar de um mês, pelo que as férias de família acabaram! É por esse motivo que a participação não é muito expressiva, já que são necessários 6 a 8 dias para fazer a travessia até ao Faial, mais 10 dias de Prova no mínimo e novamente 6 a 8 dias para regressar a casa. Ainda assim, a delegação nacional tem estado presente através de barcos que têm representado Portugal no plano internacional, como é o caso do “Giullieta”, que já participou, por exemplo, na “Giraglia Rolex Cup”, em Saint-Tropez, ou na “Copa del Rey”, em Palma de Maiorca.

A verdade é que estamos muito longe dos continentes! Estamos no meio de tudo e do nada.

atlantis cup 3

“Vila Franca do Campo foi excepcional em termos de receptividade e das condições que nos proporcionaram”, realça Jorge Macedo, aqui acompanhado por Paulo Pacheco Costa, Presidente do Clube Naval de Vila Franca do Campo e por Alexandre Rainha, Presidente da Comissão de Regata 

- Gabinete de Imprensa do CNH: Já há interessados na edição deste ano?

- Jorge Macedo: Já recebi três contactos de pessoas interessadas em fazer a Regata. Um deles é precisamente aquela equipa de Hong Kong, que estando muito longe de nós vem de novo fazer a “AC” pela terceira vez. Já confirmaram a sua presença este ano e inclusivamente já alugaram barco por cá. A última vez que vieram foi em 2016, ano em que a Regata foi às Flores e ao Corvo.

- Gabinete de Imprensa do CNH: Nota-se mais entusiasmo por parte das ilhas pequenas em receber a “Atlantis Cup” em comparação com as maiores.

- Jorge Macedo: Estamos a falar de uma Regata que já fez 30 anos e que se calhar já tocou 25 vezes em Ponta Delgada e em Angra (sendo a Horta sempre o ponto de chegada) e claro que as coisas vão mudando.

atlantis cup 4

Vítor Mota, Alexandre Rainha, Comandante José Salema e Jorge Macedo, Director de Prova, nas Flores, em 2016

- Gabinete de Imprensa do CNH: Quer partilhar alguns dos momentos marcantes deste percurso de décadas?

- Jorge Macedo: O figurino inicial da “Atlantis Cup - Regata da Autonomia” – que se manteve ao longo de vários anos – apenas contemplava Horta/Angra/Ponta Delgada. O ano de 1989 contou com uma largada presidencial, dada por Mário Soares na Horta (que se encontrava em Presidência Aberta nos Açores) a bordo do navio “Creoula” da Marinha Portuguesa, naquela que foi a 2ª edição deste evento náutico.

No ano de 1989 – que marca a cedência das actuais instalações ao Clube Naval da Horta – ocorreu uma peripécia, que podia ter sido desastrosa. A Regata estava associada à Direcção Regional do Turismo (DRT), que designava um funcionário para integrar a equipa organizativa. Na chegada a Angra do Heroísmo, esse elemento da DRT segurava a folha de registo de chegadas da etapa quando a mesma repentinamente caiu ao mar, deixando em pânico a colaboradora, que ainda se sentiu tentada a atirar-se à água em busca da folha, não fosse a densa concentração de águas-vivas na zona em questão. Valeu a rápida intervenção de um mergulhador que se encontrava nas imediações equipado com fato de mergulho e que resgatou a folha, onde figuravam os tempos de chegada dos barcos. Posta a secar e tratada com desvelo, a mesma foi recuperada para total alívio da Organização.

“As ilhas mais pequenas agarram estas iniciativas de maneira completamente diferente!” 

Para a história fica a famosa tábua destinada a ajudar nas medições no sistema de abono CNH. Foi a tábua mais viajada de sempre! Pintada de branco, indignando o pessoal nos aeroportos, andava connosco para todo o lado. Servia para tirar as medidas destinadas ao cálculo do comprimento da linha de água. Era assim que funcionavam as medições até aparecer o ORC, sistema internacional adoptado em todo o mundo, reconhecido pela Autoridade Nacional: a Federação Portuguesa de Vela (FPV) e que veio tirar muito trabalho a quem tinha de tirar as medidas de casco a todos os barcos em prova.

No primeiro ano que veio aos Açores um cruzeiro da Associação Nacional de Cruzeiros (ANC) penso que eram cerca de 20 embarcações e a maior parte foi medida com este sistema. Imagine-se a azáfama que foi e claro que a nossa famosa tábua fartou-se de trabalhar!

O ano de 2013 foi marcante, altura em que se celebrou as Bodas de Prata da Regata. Registou-se a maior participação de sempre, com cerca de 40 barcos.

Nestes últimos três anos tive surpresas muito agradáveis, que foram situações novas. Vila Franca do Campo foi excepcional em termos de receptividade e das condições que nos proporcionaram. Para mim, foi o melhor ponto! Precisamente por ser a primeira vez que recebia a “AC” e também porque a Direcção do Clube tinha gente com entusiasmo para fazer essa recepção. Se a Direcção de um determinado Clube não estiver entusiasmada nesse sentido, as coisas funcionam menos bem.

Em Vila Franca do Campo até tiveram o cuidado de fazer uma plataforma em madeira na cabeça do molhe de enrocamento. Para tanto, aproveitaram as madeiras que serviram para fazer o mergulho do “Red Bull Cliff Diving World Series” e houve uns carpinteiros que foram lá e montaram um palanque para fazermos a recepção da Regata, o que já demonstra a grande boa vontade! Eu, o Presidente do Clube Naval de Vila Franca, o Carlos Araújo (Parece) e a Directora da marina fizemos ali uma “jinga-jonga” engraçada e os barcos ficaram todos dentro da marina, que estava repleta! E de realçar que é uma das marinas mais abrigadas dos Açores.

Também o ano passado na Graciosa, naquele espaço do porto de pescas – que não é uma marina mas sim um abrigo de pescadores – conseguimos arrumar a frota toda lá dentro. Também porque nos deram essa possibilidade.

E Santa Maria é sempre um sítio que a gente gosta de ir e onde as pessoas são acolhedoras e tem a marina mais abrigada dos Açores. É também um percurso mais recente. Estas coisas funcionam melhor ou menos bem em função das pessoas que estão à frente das instituições. As ilhas mais pequenas, como têm menos movimento e até pela novidade, agarram estas iniciativas de maneira completamente diferente. E isso nota-se muito bem!

orion xl

“Todos gostamos desta envolvência, que obviamente dá trabalho mas também permite convívio e conhecimento”

“A Organização da “AC” é um trabalho de equipa”

- Gabinete de Imprensa do CNH: A equipa que vai trabalhar com o Jorge na Organização da “Atlantis Cup” 2019 tem algumas caras novas?

- Jorge Macedo: A Organização da “AC” é um trabalho de equipa mas esta equipa já tem muito anos, funcionando sempre bem até aqui. E é quase sempre a mesma. Eu convido as pessoas e apresento a proposta à Direcção do CNH, que tem concordado com as minhas sugestões de equipa.

Há muitos anos que desta equipa fazem parte eu, o Comandante Salema e a Alzira Luís.

A Alzira Luís, prestável e sempre disponível, tem sido o rosto do Secretariado da Prova e o Comandante José Salema funciona sempre como um elemento fundamental na Comissão de Regata e no aconselhamento. Mais recentemente, o grupo alargou-se com a participação de Vítor Mota, que é o Selador oficial da Prova; de António João, o homem das Classificações (‘scorer’) e Medidor da Prova; e de Alexandre Rainha, um algarvio também sempre disponível, que desde há alguns anos tem desempenhado funções variadas dentro do ‘staff’.

atlantida

Jorge Macedo, Bruno Rosa e José Menezes: os novos fazem a ligação com os mais experientes na Organização

antonio joao

Nas últimas edições, António João tem sido o homem das Classificações e Medidor da Prova

alzira luis

“A Alzira Luís, prestável e sempre disponível, tem sido o rosto do Secretariado da Prova”

Em 2018, a equipa contou com dois elementos novos: o Tomás Duarte e o José Menezes. O Bruno Rosa também já tinha feito parte no ano anterior mas é um elemento novo. Este ano vou falar com ele uma vez mais, para presidir à Comissão de Regatas.

O pessoal gosta desta experiência. E se perguntarmos a qualquer um deles se quer ir novamente este ano, a resposta vai ser “sim!” Os novos engrenam logo no espírito da Regata.

Em 2018, o Comandante Salema não integrou este grupo por razões de saúde mas eu gostava que ele voltasse, pois ele aprecia muito este tipo de actividade e convívio. Além do mais, ele sempre foi uma pessoa ligada a este Clube e é um homem que já deu muito a esta “casa”! Basta recordar que foi o o primeiro Coordenador Pedagógico dos Cursos de Navegador de Recreio do Centro de Formação de Desportistas Náuticos do Clube Naval da Horta, responsabilidade que manteve a partir de 1997 e ao longo de vários anos, sempre de forma graciosa. Penso que o facto de ele voltar a fazer parte da equipa pode ser visto como uma espécie de homenagem.

Todos gostamos desta envolvência, que obviamente dá trabalho. Mas tentamos levar isto na desportiva! O cansativo é termos de estar à espera dos velejadores, de noite, mas temos uma escala e por vezes vamos revezando-nos.

Além dos que já foram acima mencionados e receando esquecer-me de alguém, recordo estes elementos que integraram parte da equipa de Organização da “Atlantis Cup”: Eduardo Sarmento, Jorge Rosa, Rogério Feio, Manuel Soares, Benedita, Fernando Medeiros, Jorge Oliveira, Viegas, Clotilde, Carlos Fontes, Rui Silva, Steffani, Luís Costa, Paulo Martins, Hildeberto Luís, António Oliveira, Pedro Garcia, Nuno Lima e Vítor Medeiros. Se deixei alguém de fora, que me desculpem os visados.

“Não era descabido ir fazer a promoção da Regata ao Algarve”

atlantis cup 5

“Ao longo destes mais de 20 anos em que estive envolvido na “AC”, fiz alguns amigos e muitos conhecidos”

- Gabinete de Imprensa do CNH: Acha que era necessário fazer uma maior divulgação da Regata?

- Jorge Macedo: A divulgação é crucial! É fundamental continuar o trabalho de promoção que se tem vindo a fazer na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL). No entanto, entendo que se deve apostar mais e ir a outros pontos. Um dos sítios que nunca se foi e que não era descabido, era ir ao Algarve. Vamos sempre a Lisboa mas no Algarve temos o Alexandre Rainha que poderia ser uma peça importante nessa engrenagem. Ele já fez várias “AC” e funciona como um bom embaixador do CNH no Continente. 

- Gabinete de Imprensa do CNH: O Jorge fez muitos amigos pelas ilhas ao longo destes anos.

- Jorge Macedo: Fiz alguns amigos e muitos conhecidos.

Somos todos muito rodeados por mar mas, na minha opinião, a Vela é pouco divulgada. É um casulo tipo ouriço-caixeiro e esta gente dos barcos é pouco expansiva. Nas ilhas mais pequenas achei curioso, porque eram as pessoas mais idosas que nos abordavam e colocavam questões quando estávamos na ponta da doca à espera dos barcos. A Regata constituia um movimento diferente para eles. Para a ilha Graciosa ter tido, em 2018, pela primeira vez aqueles barcos todos dentro do porto de pescas, foi algo de muito diferente. E proporcionou fotos espectaculares!

“No Faial há bastante actividade náutica”

jorge macedo 16

Para Jorge Macedo (aqui ao lado de Jorge Krug Pires, velejador do CNH), “a Vela é um desporto completamente diferente dos outros” 

- Gabinete de Imprensa do CNH: A Regata também permitiu conhecer as ilhas de maneira diferente.

- Jorge Macedo: É sempre gratificante ir para um sítio e demonstrar que há uma actividade nova que pode ser agarrada por outras pessoas. Não quer dizer que seja só para aquelas pessoas que estão ligadas à Vela. Seria mais uma actividade que poderia existir.

No Faial, contrariamente ao que se verifica na maioria das restantes ilhas, há bastante actividade náutica. E o Festival Náutico da Semana do Mar é um pólo universal nesse sentido, proporcionando e fomentando actividade náutica ao longo de todo o dia, durante 10 dias. É uma realidade constantemente presente.

“Nunca me desliguei do CNH”

- Gabinete de Imprensa do CNH: O que distingue a Vela das outras modalidades?

- Jorge Macedo: A Vela é um desporto completamente diferente dos outros. É preciso gostar mesmo muito, pois é praticada em ambientes muitas vezes agressivos, como é o caso da chuva e do frio, estando os atletas sempre molhados. Para além de ser um desporto individual e exigente.

Os miúdos nem sempre são cativados e o acompanhamento por vezes também não é o mais indicado, porque eles merecem ter um carinho especial, diferente de uma equipa de pavilhão.

jorge macedo 17

 

- Gabinete de Imprensa do CNH: O Jorge deixou de pertencer à Direcção do CNH mas continuou ligado ao Clube pela Vela.

- Jorge Macedo: Nunca me desliguei completamente da Vela e por só existir um Clube na minha ilha é com esse que me identifico. Deixei de ser Director da Secção de Vela de Cruzeiro do CNH mas continuo na “AC”, porque entendo que não há incompatibilidade.

- Gabinete de Imprensa do CNH: Pondera voltar a integrar um elenco directivo do Clube Naval da Horta?

- Jorge Macedo: (Silêncio).

- Gabinete de Imprensa do CNH: Mas na actualidade já foi convidado nesse sentido...

- Jorge Macedo: Não fui convidado mas fui falado. Neste momento sou Presidente da Associação Regional de Vela dos Açores e é nisso que quero estar focado e dar o meu contributo para o desenvolvimento da modalidade (VELA) na Região Açores, em conjunto com os Clubes e todos os agentes ligados à ARVA.

- Gabinete de Imprensa do CNH: Voltar a ser Dirigente do CNH é algo que está fora de questão?

- Jorge Macedo: A ARVA dá que fazer. Ainda só cumpri dois anos de um mandato de quatro. Mas está tudo a correr bem e para isso tem contribuído o apoio do restante elenco directivo e dos clubes associados.

jorge macedo 18

“A Vela é um desporto individual e exigente”, sustenta Jorge Macedo, aqui ao lado da velejadora do CNH, Maísa Silva

- Gabinete de Imprensa do CNH: E se daqui a dois anos surgir um convite para mais um mandato à frente da ARVA, aceita?

- Jorge Macedo: Neste momento diria que talvez, mas dependerá dos clubes da Região Açores.

- Gabinete de Imprensa do CNH: A transição do CNH para a ARVA ajudou muito!

- Jorge Macedo: Posso dizer que sim, embora na ARVA seja um pouco diferente atendendo a que no CNH nunca estive ligado à Vela Ligeira mas sim à Vela de Cruzeiro. É uma situação com algumas diferenças, porque estamos a falar de competição mas as bases são as mesmas.

“Gosto muito de trabalhar com o José Decq Mota”

- Gabinete de Imprensa do CNH: Embora tenha experiência como Director de Prova da “AC” e goste particularmente da vertente organizativa, o facto de ser este o Presidente do CNH foi decisivo para aceitar uma vez mais ser o coordenador da Regata?

- Jorge Macedo: Claro que fez diferença ser Presidente do CNH quem é! Gosto muito de trabalhar com o José Decq Mota, o que já acontece desde há bastantes anos. O facto de ter pertencido a algumas das direcções presididas por ele, também contribuiu para este conhecimento antigo.

Recordo-me que estava na Direcção com ele em 1997 e em Julho de 1998 vi-me forçado a abandonar, porque deixei de ter disponibilidade para tal devido ao sismo.

A verdade é que ao longo destes vários anos como Director de Prova da “Atlantis Cup - Regata da Autonomia” já trabalhei com muitos Presidentes do CNH, pois o que está em causa é a Vela, embora as pessoas ajudem muito.

jorge macedo 19

Jorge Macedo, Director de Prova da “AC” e José Decq Mota, Presidente da Direcção do CNH, na apresentação de cumprimentos ao Presidente da Associação Nacional de Cruzeiros de Lisboa, Ruy Ribeiro, em Março de 2014

- Gabinete de Imprensa do CNH: Isso quer dizer que está na disposição de acompanhar o mandato do actual Presidente do CNH enquanto Director de Prova da “AC”?

- Jorge Macedo: Enquanto eu tiver disponibilidade e alguma vitalidade, faço com gosto. A primeira vez que colaborei com o Clube Naval da Horta foi nos anos 80, quando Aurélio Melo era Presidente da Direcção. Eu não integrava o elenco directivo mas ajudava por “culpa” do meu vizinho, o Carlos Lacerda, que me pediu colaboração.

Depois trabalhei com o Manuel Fernando Vargas e mais tarde com o João Garcia, durante dois mandatos.

No tempo em que o Renato Azevedo foi Presidente, também dei apoio à “AC”.

Na Direcção do Hugo Pacheco só não dei apoio no primeiro ano do mandato.

Trabalhei integrado em direcções cerca de 15 anos, tendo sido simultaneamente, durante alguns anos, Director da Secção de Vela de Cruzeiro deste Clube e Director de Prova da Regata, um cargo que na prática significa coordenar tudo o que esteja relacionado com a Regata nos diversos sectores. Por isso, era bem mais fácil levar a cabo esta tarefa quando integrava a Direcção do Clube Naval da Horta.

Relativamente à “Atlantis Cup - Regata da Autonomia” – que acompanho garantidamente há mais de 20 anos – primeiro fui Oficial da Comissão de Regata, uma espécie de árbitro da competição, e depois colaborei como Medidor Oficial (sendo também Medidor Oficial da Federação Portuguesa de Vela (FPV), com o nº 13, no sistema ORC) que abrange a segurança e a fiscalização de medições das embarcações. Estive igualmente envolvido, ao longo de várias edições deste evento, na Selagem de Motores.

“Acho que o CNH já faz demais!”

- Gabinete de Imprensa do CNH: Atendendo ao conhecimento acumulado e à vasta experiência, podemos dizer que o actual Presidente é o melhor que esta “casa” poderia ter?

- Jorge Macedo: Estamos bem com este Presidente. Para já, é uma pessoa que sabe de Vela e conhece a “casa”. Tudo o que apareça não é novidade para ele em termos de Clube Naval. As coisas já fluem normalmente. Não há atropelos. Mas é preciso que ele tenha à sua volta alguém que o ajude, pois não pode tratar de tudo sozinho. Mesmo sendo reformado.

- Gabinete de Imprensa do CNH: Considera que o CNH pode fazer mais nas actuais circunstâncias?

- Jorge Macedo: Acho que já faz demais! É um Clube com muita actividade e variadas Secções. Se formos a outros clubes navais do país – já nem falo a nível regional – não é fácil haver tanta actividade como aquela que o CNH realiza ao longo de todo o ano.

Mesmo em termos de apoio, quando há uma regata numa prova regional há clubes do Continente que têm de pagar a pessoas para irem colocar e levantar as bóias. Não sei se aqui vamos chegar a esse ponto. O Clube Naval da Horta tem de ter algum cuidado para não correr esse risco num futuro próximo. Quem integra as Comissões de Regata e Segurança, passa muitas horas no mar!

jose decq mota 2014

O CNH é um embaixador do Faial no Mundo. Mauro Olmedo Alonso, Presidente do Club Maritimo de Canido, na Galiza,  troca lembranças com José Decq Mota, Presidente da Direcção do CNH, em Maio de 2014

“O CNH tem capacidade organizativa e moldura humana para mais”

- Gabinete de Imprensa do CNH: Mesmo sem as condições ideais, a ambição é ir sempre mais além...

- Jorge Macedo: Penso que o Clube tem capacidade organizativa e moldura humana para isso mas é preciso ter cuidado para não haver atropelos.

O problema do CNH é não dispôr de verbas próprias para acompanhar este ritmo frenético de actividade, porque tudo isso custa muito dinheiro!

- Gabinete de Imprensa do CNH: Uma sede neste estado pode condicionar o ritmo?

- Jorge Macedo: Neste momento a sede começa a ser um pesadelo, na medida em que, por exemplo, é triste estar numa reunião de Direcção ou outra e ser necessário desviar a mesa, porque está a chover em cima. Isto não abona em nada o Clube!

O CNH tem uns balneários que são uma vergonha! Para além de servir os seus velejadores, também serviu sempre as empresas marítimo-turísticas desde o seu início. De cada lado existem dois duches: dois masculinos e dois femininos. Humanamente esta é uma situação muito precária! Deveria ter pelo menos uma bateria de quatro a cinco duches por balneário. Em muitos aspectos, o CNH está a ficar sem as condições mínimas. Foi pena os proprietários deste edifício terem deixado chegar a sede do CNH a este estado de degradação.

- Gabinete de Imprensa do CNH: Qual a razão para as obras nunca terem avançado?

- Jorge Macedo: É melhor perguntar isso ao poder político! Ao longo dos anos, a Portos dos Açores – na altura Junta Autónoma dos Portos – nunca fez as manutenções normais necessárias no edifício. Isso deveria ter acontecido antes mesmo de se pensar nestas intervenções. E é preciso deixar claro que este edifício não sofreu nada com o sismo de 98. Todas as degradações já lá estavam, só que em menor escala.

A impermeabilização das paredes exteriores deste edifício, todo em betão armado, era verniz de betão. Em alternativa poderia ter sido usada tinta. Mas se nunca mais foi aplicado qualquer material impermeabilizante, era inevitável que a degradação ia ser galopante!

O betão normal é um material muito absorvente. Portanto, tudo o que bate naquelas paredes é absorvido e chega rapidamente ao ferro, começando este a aumentar de diâmetro e a rebentar com a sua envolvência. E já há algum ferro a aparecer, inevitavelmente. Podiam ter debelado tudo isso com um simples envernizamento a verniz de betão, evitando que se tivesse chegado a este ponto.

“O aumento da actividade revela a força de vontade dos Dirigentes”

equipa acores viana castelo

Jorge Macedo com uma equipa representativa dos Açores, numa Prova de Vela Nacional em Viana do Castelo

- Gabinete de Imprensa do CNH: Há alguém que desconheça o que se passa no Clube Naval da Horta?

- Jorge Macedo: Penso que te referes a pessoas com responsabilidades públicas. Os políticos todos sabem muito bem como é que isto está! E em relação aos Sócios e demais pessoas, só não sabem da actividade do Clube se não quiserem, pois basta aceder ao ‘site’ do CNH, sempre com conteúdos sobre as suas acções.

- Gabinete de Imprensa do CNH: Apesar da falta de condições, a verdade é que a actividade aumentou no CNH. Como é que se explica isso?

- Jorge Macedo: O aumento da actividade revela a força de vontade dos Dirigentes do Clube, que têm tornado possível tudo isto! Uma Direcção deve trabalhar em conjunto. E as do CNH trabalham! As coisas não caem do céu. Quem anda à volta deste Presidente tem de acompanhá-lo e a verdade é que ele consegue mobilizar quem o rodeia.

Embora eu considere que o Clube já foi um pouco melhor em termos de organização de eventos, mesmo assim continua acima da média, porque a Direcção funciona como uma equipa. Há muitos clubes que não funcionam tão bem, somente porque os dirigentes não se aplicam o suficiente.

O CNH precisava de um patrocinador forte, porque tem gastos brutais devido ao grande volume de actividade que desenvolve. Ninguém imagina! Só quem segue de perto, com alguma curiosidade e sabe das contas, é que poderá ter uma noção do que se passa nesta “casa”!

- Gabinete de Imprensa do CNH: A maioria das pessoas não tem essa percepção...

- Jorge Macedo: Só os que têm interesse em saber, ou seja, os Sócios que participam nas Assembleias-Gerais. E muitos outros sabem, porque a informação chega. Há pessoas que não têm  nada a ver com o Clube e dizem-me: “Ah, vocês fizeram isto e aquilo...” Vão-me perguntando aqui no Faial e até mesmo quando saio da ilha. Nota-se que a informação circula e chega a muitos lados.

“A ideia que passa é de que o CNH é um Clube cheio de movimento e vitalidade!”

- Gabinete de Imprensa do CNH: Sente isso?

- Jorge Macedo: A informação existe e acho que a comunicação do Clube para o exterior é uma realidade! Se as pessoas não lêem, é porque não querem. 

Para se ter a noção do volume da actividade do CNH é preciso fazer o acompanhamento ao longo de todo o ano e não apenas por altura do Festival Náutico da Semana do Mar, no Verão.

- Gabinete de Imprensa do CNH: E qual é a ideia que passa para fora sobre este Clube?

- Jorge Macedo: É de um Clube cheio de movimento e vitalidade! E é! Até mesmo no Continente é essa a ideia que passa. Aquela malta da Associação Nacional de Cruzeiros, com grande actividade ao nível de regatas de cruzeiro, já ouviu falar do CNH. Não somos assim tão pequenos! No contexto nacional, acho que o CNH é bem cotado no que concerne ao conhecimento que têm desta instituição.

A boa organização, com sabedoria e experiência, é um marco desta “CASA”.

Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.