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“A Figura do Mês” - Manuel Fernando Vargas: “Tenho muito orgulho no Clube, uma estrutura extremamente importante para o Faial”

A ligação de Manuel Fernando Vargas ao Clube Naval da Horta (CNH) deu-se na década de 90 do século passado, quando foi convidado para encabeçar uma lista. E como não sabe dizer que não, aceitou o desafio, que acabou por durar dois mandatos: 1992/1994 e 1994/1996. Desses 4 anos como Presidente da Direcção do CNH guarda gratas recordações e boas amizades, que perduram e se cimentaram volvidos que são mais de 20 anos. E foi com esse espírito de faialense cooperante e empenhado, que nos recebe sempre com um sorriso simpático, que acedeu partilhar as memórias desse tempo.

 Um desafio bem sucedido

“Antes de ser Presidente nunca tinha tido ligações ao Clube Naval porque, quando eu era jovem, como morava em Castelo Branco, isso não era muito fácil devido à distância e à logística que tal implicava. E foi muito mais tarde, já quando trabalhava na Quinta de São Lourenço, onde exerci durante muitos anos a minha vida profissional [é Médico Veterinário de formação] como Director de Serviços, que um dia apareceram lá para falar comigo os senhores Aurélio Melo, Augusto Sequeira e José Decq Mota. Pensei que pretendiam algum tipo de apoio para o Clube Naval, por isso fiquei muito surpreendido quando me convidaram para presidir à Direcção do CNH. Disse logo que tinha pouca ligação à “casa” e que não estava por dentro das questões da Vela. E ainda acrescentei: “A única coisa que eu sei é nadar”.

Argumentaram que o Clube dispunha de um técnico com experiência e qualificação nessa área. Atendendo a que não gosto de dizer não a idênticas circunstâncias e como já sabia mais ou menos como são estas coisas uma vez que tinha sido Presidente do Sporting na década de 80 (fui jogador nos Júniores e nos Séniores antes de ir estudar para Lisboa, portanto, tinha alguma ligação a esta colectividade), aceitei ponderar. Pedi algum tempo não só na perspectiva de pensar sobre o assunto em si mas, também, para poder falar com algumas pessoas com vista à formação de uma lista. A minha preocupação imediata foi encontrar pessoas da minha confiança para a Direcção. O primeiro que contactei foi o Vítor Pacheco, amigo do tempo do Liceu e além de sermos amigos de muitos anos também éramos compadres. Infelizmente já não se encontra entre nós. Contei-lhe sobre o convite que me tinham feito e disse-lhe que agora tínhamos ambos um desafio.

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Manuel Fernando Vargas recebe das mãos de Augusto Sequeira, então Presidente da Assembleia-Geral, o Diploma de Sócio Honorário do CNH, já depois de ter cessado funções como Presidente da Direcção

Actualmente a contabilidade de muitas colectividades está a cargo de empresas dessa área. No entanto, naquele tempo a Direcção é que era responsável pela elaboração das contas.

Considero que para haver uma boa gestão de qualquer instituição se torna necessário haver rigor e controlo permanente das despesas.

Tendo o Victor para essas funções, contactei mais três pessoas conhecidas, que me dessem garantias de constituir um elenco directivo capaz da responsabilidade e exigências do Clube. Assim, a Direcção ficou constituída por Victor Pacheco, João Serafim, Jorge Macedo e João Menezes.

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Cópia do Auto de Posse da Direcção presidida por Manuel Fernando Ramos Vargas, datado de 25 de Novembro de 1992

A primeira decisão que tivemos de tomar estava relacionada com o bar do Clube, pelo que foi lançado concurso para a exploração do mesmo. Entre os concorrentes, constava o histórico e apaixonado pelo CNH, o sócio Luís Gonçalves, que, infelizmente, já não está entre nós e que não tendo sido a sua proposta seleccionada, em artigo publicado num órgão de comunicação social local contestando a decisão tomada, escreveu: “O Doutor pode saber muito da terra mas falta-lhe o sal do mar”.

Para início de funções, como é hábito dizer-se, foi nosso pensamento: “Está a começar bem!!!”

Terminado o mandato em 1994 – que correu bem e constituiu uma perspectiva nova – e não havendo quem se candidatasse, este elenco directivo manteve-se por mais 2 anos, tendo tido a oportunidade de concluir alguns dos processos em curso.

Nessa altura, na Secretaria do Clube só estavam a Orlanda e o Armando (“Catita”), com quem foi fácil de trabalhar, tendo sido bons colaboradores.

Também não é difícil de as coisas funcionarem comigo. Naturalmente que nem tudo foi perfeito mas fizeram-se iniciativas interessantes e o Clube cresceu bastante”.

CNH e as boas relações com o Turismo na captação de regatas francesas

“Nos anos 90, o CNH estava muito relacionado com as actividades do Turismo e o facto de o responsável máximo ser o Dr. Eugénio Leal – meu grande amigo – facilitou a relação de ambos os lados. Estamos a falar do tempo da “Route des Hortensias”, da “Vannes/Les Açores/Vannes, com origem na Bretanha francesa. Criou-se uma boa empatia. Fui a França com o Eugénio e posso assegurar que estes eventos tiveram um impacto muito grande. Não fazia ideia de que já naquela altura a Vela e a Náutica tinham um peso tão grande naquela região.

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Neste recorte de um jornal francês, guardado pelo nosso entrevistado, podemos ler que Yannick Le Maguer criou em 1992 a “Route des Hortensias” em homenagem a seu pai. Na legenda, o próprio Yannick sublinha que “esta Regata é, igualmente, um elo de união cultural entre a ilha Azul: o Faial, e a cidade azul de Concarneau”

“Route des Hortensias

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Jean Le Maguer com o seu amigo Eric Tabarly na imagem de fundo

Fonte: Google

A primeira vez que se fez a “Route des Hortensias”, ligando as cidades de Concarneau e Horta, foi em 1993, ano em que participaram apenas três embarcações. A partir daí, começou-se a criar algo com mais consistência e em 1995 esta Prova teve um grande impacto. Tratava-se de uma Regata com um cariz mais social do que competitivo e que ao longo dos anos trouxe ao Faial inúmeros participantes e acompanhantes.

A “Route des Hortensias” foi criada com o objectivo de prestar uma homenagem a Jean Le Maguer, tendo a iniciativa partido do filho deste navegador, Yannick Maguer, e, por esse motivo, foi criado o “Trophée Jean Le Maguer”.

Jean Le Maguer - tripulante de um navio de mercadorias que fazia a ligação entre a França e a América - faleceu na ilha do Faial na sequência de um problema de saúde originado por um acidente sofrido em 1951. E foi em 1992 que Yannick, juntamente com o seu amigo de longa data, Eric Tabarly [o mais conhecido navegador francês] decidiu realizar uma regata que ligasse as duas cidades, perpetuando, assim, o nome do pai.

Do programa elaborado, constava sempre uma romagem ao Cemitério do Carmo, onde cada um dos participantes depositava uma hortênsia na campa de Jean Le Maguer.

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No destaque podemos ler o seguinte: “Amanhã, domingo, será dada a partida da 3ª edição do “Troféu Jean Le Maguer”. O Ministro do Turismo dos Açores [Sr. Léal] acompanhado pelo Presidente do Clube Naval da Horta [“Sr. Vargas”] vai dar a largada

 A “Route des Hortensias” – um excelente veículo de promoção do Porto da Horta – já contou com a participação de vários faialenses, cujos ‘skippers’ foram Hildeberto Luís e Emídio Gonçalves.

Quando fui recebido em França, senti que para eles o Presidente do Clube Naval era uma pessoa muito considerada e de grande prestígio. O Yannick era um empresário reconhecido naquela região e, para além de bom comunicador, tinha contactos com a comunicação social, o que permitiu uma ampla divulgação da Regata e, consequentemente, de Concarneau e do Faial.

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Na legenda da fotografia do “Cornouaille” de 4 de Agosto de 1999, é referido que Eugénio Leal e Manuel Vargas, acompanhados por Yannick Le Maguer, foram recebidos na Câmara Municipal por Gilbert Le Bris

Nesta altura, a “Route des Hortensias” já atingia a sua 5ª edição, altura em que registava um número recorde de 25 barcos inscritos até ao momento. Nesse ano, a Regata partiu de Etel, não só para alargar este prazer ao concelho de Morbihan mas, também, por uma questão sentimental, já que Yannick Le Maguer nasceu em Etel

“Vannes/Horta/Vannes”

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Olhando para este recorte do jornal “O Telégrafo”, edição de 18 e 19 de Julho de 1992, podemos ler que o faialense Hildeberto Luís foi o primeiro velejador açoriano a participar na 2ª edição da Regata “Vannes/Horta/Vannes”

Aquando da Regata “Vannes/Horta/Vannes”, a Câmara daquela cidade tinha um vice-presidente – Michel Met, que faleceu recentemente – sobre quem recaía a responsabilidade do Turismo, o que ajudou a projectar a Regata e as duas cidades: Vannes e Horta. Ao longo dos anos mantivemos uma grande amizade.

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Já em 1994, por ocasião da 3ª edição da Vannes/Horta/Vannes (que em bom rigor era “Vannes/Les Açores/Vannes”), além de Hildeberto Luís, também participaram nesta Regata outros dois faialenses: Armando Castro e Luís Melo, de acordo com o que noticiava o “Telégrafo” de 17 de Junho desse ano

Uma das perguntas que habitualmente me faziam era que tipo de barco é que eu possuia, uma vez que para eles ser presidente do Clube Naval da Horta implicava ter um veleiro, pelo que eu tentava sempre desviar o assunto. Porém, por uma das vezes insistiram com a questão e o Eugénio como político que era, ao ver-me atrapalhado, salvou a situação, explicando: “Sabe, ele não tem barco à vela. Tem um barco a motor, porque é um homem que não tem muita paciência para estar à espera do vento”. Pensei: “Sim senhor, já me safaste!”

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Cartaz da “Vannes/Les Açores/Vannes da edição de 1994, ainda hoje patente no Centro de Formação de Desportistas Náuticos do CNH

Foi logo no início do mandato mas correu tudo muito bem. Ficou uma ligação de amizade, sobretudo com o Yannick, a qual ainda hoje perdura e ele já veio ao Faial várias vezes.

De salientar que se realizaram 10 edições desta Regata ao longo de 20 anos (de 2 em 2 anos)”.

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Nesta edição do “Quest-France” de 1993, pode ler-se que “Um ministro lança a 3ª edição” da Vannes/Les Açores/Vannes”, que se realizaria em 1994

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Lendo o título e o destaque desta notícia de Abril de 1999, percebemos que “o ministro açoriano” foi portador de um pedido de geminação. Nesse sentido, Eugénio Leal tinha estado em Concarneau para acertar alguns detalhes entre a Cidade Azul (Concarneau) e a Ilha das Hortênsias Azuis: Faial

“Acho que deixei o Clube com a melhor situação financeira de sempre!”

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“Penso que nessa altura o Clube já era acarinhado, embora por vezes não tanto quanto merecia”

“Outra coisa que me dá orgulho foi a gestão que fizemos. Já tinha sido assim no Sporting e voltou a ser assim no Clube Naval da Horta. Acho que deixei o CNH com a melhor situação financeira de sempre! Aliás, o actual Presidente, que foi também quem me sucedeu em 96, chegou a referir-me isso posteriormente, dizendo: “O Clube está numa situação financeira boa mas não tão boa como aquela que deixaste”. É verdade que, entretanto, também se criaram outras valências, o que implicou mais despesas. Um dos aspectos que contribuiu para essa saúde financeira, foi o bom relacionamento que o CNH tinha com a Secretaria Regional do Turismo, com a Câmara Municipal da Horta (CMH) e com outras entidades. Apercebo-me de que hoje em dia a Câmara é um bom parceiro do Clube.

Penso que nessa altura o Clube já era acarinhado, embora por vezes não tanto quanto merecia. E considero que isso se aplica também aos dias de hoje, pois nem sempre se nota o devido reconhecimento. Contudo, entendo que isso é algo característico do Faial que, por vezes, não dá o devido valor às estruturas que tem e o Clube Naval da Horta é uma instituição que deve ser olhada de outra maneira. Para melhor!

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Manuel Fernando Vargas integrou o grupo que recebeu D. António de Sousa Braga, Bispo de Angra e Ilhas dos Açores, na visita que o Chefe da Igreja Católica Açoriana fez ao CNH no ano de 1998, altura em que era Presidente da Direcção José Decq Mota 

Fotografia de arquivo de: CNH

As pessoas que estão nos sítios-chave têm grandes responsabilidades e, como tal, devem agir nesse sentido. É imperioso haver outro envolvimento. Já nesse tempo não sentia por parte de alguns responsáveis políticos, com obrigações a nível de ilha e da Região, aquele carinho que o Clube merece. Havia como que um certo desprezo, o que chega até a ser injusto, pois – e eu falo por mim – aceitei este cargo para servir a instituição e a terra. Não tinha outros objectivos. Tenho por norma participar, cumprir a minha missão a bem da instituição em que estou envolvido e prestigiá-la. Não tenho outros fins. Até percebo que certas pessoas beneficiem de alguma projecção e tirem dividendos disso. Mas, no meu caso, não tinha ambição de vir para o Clube fazer carreira.

No decorrer dos meus 2 mandatos tive a sorte de ter no Turismo um grande amigo meu – amizade que se mantém ainda hoje – com quem havia também uma boa relação institucional e isso ajudou bastante, até mesmo no que toca às nossas deslocações a França e na recepção das Regatas no Faial, que estavam a cargo do CNH, embora o Turismo colaborasse. E correu tudo muito bem! Para mim, isso foi importante, porque dignificou o Clube Naval da Horta, a Ilha do Faial e até a Região Açores”.

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Outro aspecto da visita de D. António ao CNH. Na fotografia podem ver-se, além do Padre Júlio da Rosa, Carlos Fontes, Orlanda Moniz, Francisco Gonçalves, Carlos Garcia e Manuel Fernando Vargas

Fotografia de arquivo de: CNH

“O Clube Naval cresceu muito!”

“Noto que o Clube está muito diferente do meu tempo de Presidente, pois as coisas evoluiram e ele cresceu muito! Essa diferença vê-se ao nível das actividades, da movimentação de atletas e até em termos orçamentais.

A Semana do Mar também evoluiu muito e estamos a falar de um cartaz com um peso determinante para a ilha. Mas atenção, que sem Festival Náutico a Semana do Mar não será o que é!

Noto que ao longo dos anos tem havido a preocupação crescente de aproximar o percurso das regatas de terra a fim de possibilitar uma maior envolvência da população. Contudo, considero que ainda não se conseguiu chegar lá.

Uma iniciativa criada pelo José Decq Mota foi os Passeios em Bote Baleeiro no decorrer do Festival Náutico. Ele gosta muito desta Secção e com razão. Acho muito bem esta ideia, pois tem um forte impacto na divulgação que se faz deste rico e histórico património.

Já no meu tempo as regatas eram muito disputadas entre o pessoal do Faial e do Pico. Da minha parte enquanto Presidente houve sempre essa abertura em relação aos nossos vizinhos, que jamais poderão estar de costas voltadas, já que ninguém ganha nada com isso.

A realização da Regata Internacional e o excelente trabalho de recuperação e divulgação do património baleeiro deve-se ao actual Presidente do CNH, que se empenha de forma muito activa neste processo. 

A “Atlantis Cup” é um marco sublime da evolução da Vela de Cruzeiro nos Açores. Lembro-me perfeitamente do envolvimento da Associação Nacional de Cruzeiros (ANC) nesta Regata em que a sua Presidente chegou a vir ao Faial.

A “Atlantis Cup - Regata da Autonomia”, a maior prova de Vela de Cruzeiro dos Açores e uma das maiores de Portugal, que atrai velejadores regionais, nacionais e até do estrangeiro, em 2018 completou o roteiro de envolvência de todas as ilhas dos Açores, com a particularidade de esta Prova ter sido extremamente bem-recebida nas parcelas mais pequenas. Mais um sinal do bom trabalho levado a cabo pela Entidade Organizadora, que é o Clube Naval da Horta, sempre aberto a novos desafios e iniciativas, funcionando como um excelente embaixador do que de melhor se faz no Faial e nos Açores na vertente dos desportos náuticos, na preservação do mar e na formação das camadas jovens”.  

“Já no período em que fui Presidente trabalhei no processo das instalações”

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Manuel Fernando Vargas: “A transferência deste imóvel [Centro de Formação] para o CNH só foi possível graças ao empenho do colega e amigo do tempo de Liceu, Dr. Norberto Rosa”

“No que toca às instalações do Clube, fico um pouco triste com este processo, que é bem elucidativo da forma como funciona o Faial. Sempre que há uma Assembleia-Geral, o actual Presidente da Direcção [nestas funções pelo quarto mandato consecutivo] dá a sua explicação mas julgo que esta situação constitui um “calcanhar de aquiles”. É difícil aceitar, como é que um Clube com este dinamismo; com o desenvolvimento que tem; o número de atletas que comporta nas diversas modalidades; o facto de ter o único de atleta de Vela dos Açores (Rui Silveira) na Alta Competição e a trabalhar para os Jogos Olímpicos de 2020 em Tóquio; as Regatas que organiza (com destaque para a “Atlantis Cup” com mais de 30 anos); o Festival Náutico da Semana do Mar, organizado há mais de 40 anos (sendo mesmo o maior do País e que é algo único) e depois constatamos que nunca se conseguiu ter uma sede condigna. Fico perplexo!

Não quero crer que por detrás disso haja razões político-partidárias, embora se saiba que ainda não se deu o passo em frente devido, também, à falta de vontade política, porque estas coisas só se fazem com vontade política.

Já no período em que estive à frente do CNH – de 1992 a 1996 – se tratou do processo das instalações. Embora não tenha dado tempo de, como Presidente da Direcção do CNH, receber a comparticipação acertada, a verdade é que já nessa altura cada Secretaria se tinha comprometido a contribuir com um determinado montante destinado à remodelação das mesmas.

Este edifício onde nos encontramos a conversar [Centro de Formação de Desportistas Náuticos do CNH] foi uma batalha muito difícil que tive de travar no meu tempo de Presidente. Era pertença da Alfândega que já não o utilizava há bastantes anos e onde funcionou a sede do Clube Naval da Horta depois do 25 de Abril até à passagem para as actuais instalações. A transferência do imóvel para o Clube Naval só foi possível graças ao colega e amigo do tempo de Liceu, Dr. Norberto Rosa, que, na altura, exercendo as funções de Director-Geral do Tesouro, se empenhou na concretização deste objectivo”.

“O José Decq Mota está a fazer um trabalho excelente!”

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Ano de 1998: José Decq Mota, também na altura Presidente da Direçcão do CNH tal como hoje, conduz a visita que o Bispo Açoriano fez às instalações desta instituição náutica 

Fotografia de arquivo de: CNH 

E perante esta falta de condições, podemos ser levados a pensar como é que o CNH tem conseguido, ano após ano, desenvolver um número cada vez maior de actividades. Não sei se isto seria possível nalgum outro sítio, pois só quem está por dentro da verdadeira situação do CNH poderá perceber o esforço tremendo que tem sido feito para executar os Planos de Actividades nas condições em que vive e que se agudizaram bastante nos últimos anos. Isto é mau para todos nós!

Claro que a evolução registada no CNH só é uma realidade cada vez mais visível devido ao empenhamento de muita gente, de muitos “carolas”, e, sobretudo, das últimas Direcções, que têm sido presididas pelo José [Decq Mota], que está envolvido há já muitos anos! E ainda bem que está e espero que continue por muitos mais, pois, como reformado, tem bastante disponibilidade. É o homem certo no lugar certo! Está a fazer um excelente trabalho! Tem um bom relacionamento com as pessoas, é um especial conhecedor das instituições locais e tem muita facilidade em entender as coisas como elas são. Penso que a questão da sede é uma batalha que ele tem para vencer mas sabemos que não é só por isso que ele continua como Presidente. Ele também gosta disto! E ninguém tem dúvidas de que o CNH dá trabalho mas também dá prestígio”.

“Grande empenho dos Voluntários”

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“Os Voluntários são tudo gente muito querida e amiga do Clube Naval”

“O Clube viveu e continua a viver com a grande colaboração dos Voluntários. E isso é indispensável! Mesmo na recepção às Regatas que vinham de França naquele tempo, havia muitos Voluntários envolvidos. E era fácil reunir estas pessoas, porque esse espírito estava incutido naqueles que andavam pelo Clube, tanto os mais jovens como os outros, tudo gente muito querida e amiga do Clube Naval. As pessoas apareciam. Era uma coisa quase natural! Ainda hoje o Clube vive muito disso, sobretudo quando se realizam aqueles eventos maiores em que é preciso muita gente, como é o caso do Festival Náutico”.

 “CNH: uma estrutura fundamental” 

“Financeiramente, o CNH tem-se mantido equilibrado. Naturalmente que isso é fruto de uma gestão apertada mas que funciona. É preciso vermos que esta instituição cresceu muito e as despesas são cada vez maiores.

Ninguém põe em causa a sua vital importância para a formação dos mais novos – e até dos menos jovens – e basta olhar para a variedade de Secções e de actividades destinadas a todas as faixas etárias desenvolvidas ao longo de todo o ano! É um cenário único na Região e no País!

O CNH é uma estrutura fundamental para esta terra e está saudável economicamente, ao contrário do que se verifica com outras instituições do Faial, que atravessam dificuldades. E é precisamente por causa deste papel de charneira (dentro e fora do Faial e dos Açores) e do seu dinamismo, que o CNH é uma estrutura diferente e continuo a pensar que não está a receber o carinho merecido. É preciso um maior envolvimento por parte dos Sócios – e o Clube Naval tem muitos! – das estruturas locais e da sociedade em geral. As pessoas estão modificadas. Vivem num comodismo grande, muito por culpa da tecnologia, que veio roubar o nosso tempo”.

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