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Cerca de 25 velejadores do CNH foram a bordo do “Tres Hombres”

Acompanhados pelo treinador de Vela Ligeira do Clube Naval da Horta, Duarte Araújo, cerca de 25 velejadores foram a bordo do “Tres Hombres” perceber como é o dia-a-dia no único cargueiro que navega sem motor, onde tudo é feito para não prejudicar o ambiente.

São 15 pessoas (homens e mulheres) a bordo, sendo feitos turnos de dia e de noite. Quando o vento está muito forte, são precisas duas pessoas para manobrar o leme. Os painéis solares e eólicos são uma realidade, cuja energia serve para carregar as baterias dos equipamentos necessários, que apenas são accionados à noite.

O computador de bordo é ligado para a navegação básica, sendo utilizada a bússola e o sistema VHF.



O barómetro indica a pressão atmosférica e é uma ferramenta importante para perceber quando é que o mau tempo se aproxima, sendo inteligente traçar uma rota que o evite.

Durante a visita guiada, realizada este sábado (dia 29), foi referido que este cargueiro – o único que a nível mundial navega sem motor – tem como velocidade 12 nós, o que é significativo, se tivermos em conta que os cargueiros que viajam inter-ilhas atingem uma velocidade de 16 nós.

A viagem das Bermudas até ao Faial demorou 12 dias. De todos os locais por onde o “Tres Hombres” vai passando, adquire produtos sustentáveis, havendo uma grande rotatividade de trocas comerciais. Das Caraíbas vem rum e cacau; de França e Portugal é levado vinho que é vendido no Brasil, e dos Açores serão levados produtos que ainda se encontram a ser estudados, como é o caso do mel, do chá Gorreana e do atum de Santa Catarina.

Aquando da abertura do porão de carga, foi possível sentir o forte odor do chocolate e rum, transportando-nos, imaginariamente, para outras paragens.

Sem energia a bordo, electrodomésticos como o frigorífico não fazem falta, sendo os produtos frescos a tónica dominante, o que se assemelha a séculos passados.

Na conversa mantida, foi explicado que está a ser construído um segundo barco igual a este, tendo sido mostrado o protótipo de futuro.

O diário de bordo é uma peça fundamental, onde é registado o rumo, a velocidade, a latitude, a longitude e outros elementos tidos como importantes.

Sala de navegação, livraria e oficina, cozinha, sala de jantar e quartos de camas, são alguns dos compartimentos desta embarcação, marcada pela exiguidade de espaços ou, se preferirmos, por um aproveitamento milimétrico.

Por isso, é fundamental que todos os elementos que compõem a tripulação se dêem bem e saibam conviver, caso contrário ficam difíceis as relações num espaço muito limitado.

Treinador radiante

Duarte Araújo sente-se “satisfeito” pelo número de velejadores que, num sábado à tarde, deu corpo a esta actividade, que classifica como “espectacular”.

“O tempo colaborou, os miúdos estavam animados e a recepção a bordo foi simpática e minuciosa”, sublinha.

Este treinador considera que estas visitas são “muito importantes” para estes adolescentes e jovens terem contacto com os aventureiros que aportam à Horta. “É bom que eles tenham estas referências, o que constitui uma oportunidade para praticarem o inglês, que deve ser valorizado”.

Iniciativa aplaudida
Os velejadores demonstraram-se entusiasmados por terem tido a oportunidade de ver “in loco” as reais condições de uma embarcação que faz tudo para proteger o meio ambiente. Longe do conforto e do espaço que cada um dispõe em casa, mas ainda assim, sensibilizados para a necessidade de todos fazermos um esforço no combate aos desperdícios.

Na impossibilidade de cada um dar a sua opinião, três atletas da Escola de Vela Ligeira do Clube Naval da Horta deixaram a sua apreciação sobre esta actividade, unanimemente aplaudida e apreciada:

Tomás Pó:



- Eu gostava de fazer uma viagem no “Tres Hombres”.

É importante divulgarmos este conceito, porque assim poupa-se combustível, electricidade e não se polui o ambiente. Esta iniciativa foi importante para ficarmos a conhecer este projecto.

Inês Duarte:




Apesar de saber que as condições a bordo são duras, gostava de viajar nesta embarcação, que só navega à vela, usando energias alternativas. Tratando-se de uma navegação mais exigente, também é muito mais interessante e divertida.

Emília Branco:




Adorei a visita! Foi muito interessante saber, por exemplo, que sendo um navio holandês, tem bandeira da Serra Leoa, uma vez que na Holanda não são permitidos navios cargueiros sem motor.

Foi-nos explicado que, antes, o barco só tinha motor, e agora só navega à vela, sem motor.

Também nos foi dito que durante a viagem até cá, o mastro partiu-se, pelo facto de o vento ter rodado e que o barco começou a adornar, tendo sido necessário repará-lo.

Veja as fotos do evento no site CNH/Arquivo/Galeria ou no Google+ do CNH