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Evolução das Ajudas à Navegação e GMDSS em foco nas “Conversas na câmara”

Os perigos naturais encontrados no mar são os mesmos, tendo mudado os artificiais. A tecnologia e a previsão foram aspectos que também sofreram mudanças e que constituem ajudas à navegação.

Quanto ao GMDSS (Sistema Global de Socorro e Segurança Marítima), foi concebido para proporcionar um sistema de comunicações credível e global para as comunicações de Socorro, Urgência e Segurança marítimas.


No âmbito das “Conversas na câmara”, decorreu na tarde desta quinta-feira (dia 15), a bordo da Corveta NRP “Baptista de Andrade”, que se encontra no porto da Horta, a apresentação de duas temáticas intituladas “Evolução das Ajudas à Navegação: GPS/AIS/Radar/Assinalamento Marítimo e “GMDSS/DSC/METOC”.

Esta actividade faz parte do programa destinado a assinalar o Dia da Marinha, cujas comemorações decorrem na ilha do Faial de 15 a 24 do corrente, contando com o apoio do Clube Naval da Horta (CNH).


O Comandante da Corveta “Baptista de Andrade”, Capitão-Tenente Victor Plácido da Conceição, falou da Evolução das Ajudas à Navegação

A recepção a bordo foi feita pelo Comandante da Corveta “Baptista de Andrade”, Capitão-Tenente Victor Plácido da Conceição, que deu as boas vindas a todos aqueles que quiseram participar neste primeiro dia das “Conversas na câmara”. Presentes estiveram também o Contra-Almirante Comandante da Zona Marítima dos Açores, Pires da Cunha, bem como o Capitão do Porto da Horta, Comandante Diogo Vieira Branco.


O Contra-Almirante Comandante da Zona Marítima dos Açores Pires da Cunha participou e animou as “Conversas na câmara” desta quinta-feira (dia 15)


Em primeiro plano, o Capitão do Porto da Horta, Comandante Diogo Vieira Branco

Victor Plácido da Conceição começou por explicar que esta iniciativa visa transmitir a experiência da Marinha sobre esta e outras temáticas relacionadas com a segurança e salvamento daqueles que andam no mar. Prosseguindo a sua intervenção, explicou que “no mar é fundamental saber onde estamos e para onde vamos”, acrescentando que “os perigos naturais encontrados são os mesmos (a costa, o fundo, os outros navios, etc), tendo mudado a tecnologia e a previsão”.

Outro aspecto que também mudou são os chamados perigos artificiais de que são exemplos as estações petrolíferas, as ilhas flutuantes, os parques eólicos e outros. “E quando temos pouco mar, tudo isto constitui um problema”, frisa.


O 2º Tenente Areias Ferreira apresentou o GMDSS

O segundo tema foi apresentado pelo 2º Tenente, Areias Ferreira, que explicou o aparecimento, funcionamento e potencialidades do GMDSS.

Em 1979, a Organização Marítima Internacional (IMO) reconhecendo a necessidade de implementar o sistema de comunicação marítima, decidiu dar início à instalação de um novo sistema de socorro e segurança conhecido como Sistema Global de Socorro e Segurança Marítima (GMDSS - Global Maritime Distress and Safety System).

O GMDSS entrou em vigor em 1992 e estabelece a arquitectura de comunicações necessária à melhoria da segurança marítima e, em particular, à optimização da Busca e Salvamento/Search And Rescue (SAR). Baseia-se numa combinação de serviços de comunicações proporcionados por satélites e por estações terrestres, fazendo utilização extensiva de sistemas automáticos (por exemplo, em situações de emergência os equipamentos GMDSS têm capacidade para enviar automaticamente mensagens de socorro, sem qualquer intervenção dos operadores).

O conceito básico que se pretende alcançar com este sistema tem a ver com a rapidez com que as autoridades de busca e salvamento, bem como os navios que naveguem nas proximidades são informados da existência de um navio em emergência através de técnicas de comunicação terrestres e satélite, e deste modo poderem prestar assistência com recurso a operações de busca e salvamento no mais curto espaço de tempo.

O GMDSS aplica-se somente aos navios da classe SOLAS - Safety Of Life At Sea (Convenção Internacional para a Segurança da Vida Humana no Mar), ou seja, todos os navios de carga com mais de 300 toneladas, navios de passageiros com mais de 12 pessoas a bordo que efectuem viagens internacionais e navios de passageiros com mais de 100 toneladas que realizem apenas viagens domésticas.

O GMDSS veio integrar um sistema global de alguns sub-sistemas que já se encontravam a funcionar com bons resultados, nomeadamente o sistema COSPAS-SARSAT e as balizas Emergency Position-Indicating Radio Beacon (EPIRB); as balizas Search And Rescue Transponder (SART); o serviço NAVTEX e o serviço INMARSAT de comunicações por satélite.

As EPIRB's são balizas montadas no exterior dos navios e que podem ser activadas manual ou automaticamente, transmitindo um sinal de socorro que é detectado pelos satélites do sistema COSPAS-SARSAT e retransmitido aos Maritime Rescue Co-ordination Centres (MRCC) de todo o mundo, de forma a desencadear uma acção SAR.

As SART são balizas destinadas a ser transportadas nas balsas salva-vidas e a responder às emissões radar de outros navios, fazendo aparecer no display dos navios a menos de 10 milhas um sinal semelhante ao de um RACON (vários pontos no azimute da balsa), facilitando a sua localização.

O NAVTEX é um sistema de radiodifusão automática da informação de segurança marítima que permite receber, a bordo, os avisos à navegação costeira, a informação SAR e os avisos meteorológicos numa rádio-teleimpressora ou em sistemas digitais, como por exemplo os Electronic Chart Display and Information Systems (ECDIS). Os avisos de segurança marítima difundidos através do sistema NAVTEX tomam a designação de avisos NAVTEX.

O INMARSAT é um serviço comercial de comunicações por satélite que utiliza satélites geo-estacionários que asseguram a cobertura de toda a faixa do globo terrestre compreendida entre aproximadamente 75º N e 75º S.

Além destes sistemas previamente existentes que o GMDSS integrou, também foram introduzidas algumas novidades, como por exemplo a chamada Digital Selective Calling (DSC) e a SafetyNet.

O DSC é um mecanismo de chamada automática, destinado a iniciar comunicações navio-navio, terra-navio e navio-terra. O DSC pode ser usado em equipamentos das várias gamas de frequências (nomeadamente VHF, MF e HF), dispensando os operadores de rádio. A utilização do DSC permite chamadas selectivas dentro de uma rede, acesso automático a todos os navios e estações costeiras e transmissão digital de mensagens pré-formatadas (como por exemplo, mensagens de socorro), entre outras facilidades mais específicas e avançadas.

O DSC é a base do sistema do GMDSS e o método de alerta de uma estação ou estações usando técnicas digitais, permitindo a transmissão ou recepção de chamadas de socorro, urgência, segurança e rotina. É utilizado como o primeiro meio de contacto com outras estações.

A SafetyNet é um serviço de transmissão de informação de segurança marítima e meteorológica, a partir dos satélites INMARSAT. Os satélites transmitem informação semelhante à do serviço NAVTEX, ou seja, avisos à navegação, avisos de mau tempo, avisos sobre o funcionamento dos sistemas de radionavegação, relatos de gelo da Ice Patrol, etc.

De sublinhar que os navios passaram a ser obrigados a possuir determinados equipamentos em função da área onde navegam e não em função da sua tonelagem, como acontecia antes da entrada em vigor do GMDSS.

O GMDSS é baseado no conceito de 4 áreas marítimas de comunicação, sendo especificado para cada uma delas requisitos próprios de equipamentos e qualificações para o pessoal que as opera, a saber:

Área marítima A1: Dentro da cobertura de pelo menos uma estação costeira de VHF com capacidade de recepção de alertas DSC.

Área marítima A2: Exterior à área 1, que se encontre dentro da cobertura rádio de pelo menos uma estação costeira de MF com recepção de alertas DSC.

Área marítima A3: Exterior à área 1 e 2, que se encontre dentro da cobertura de satélite geostacionário do sistema INMARSAT.

Área marítima A4: Área fora das áreas A1, A2 e A3. Inclui essencialmente as regiões polares, norte ou sul nos 70º de latitude.

Os navios apetrechados com equipamentos de GMDSS são mais seguros no mar – para além da maior probabilidade de receber assistência em situações de emergência – uma vez que este sistema pode enviar automaticamente um alerta de emergência e localização do navio, em especial quando o pessoal de bordo não dispõe de tempo para transmitir uma chamada de emergência completa.

Níveis de prioridade

As mensagens trocadas pelo DSC têm quatro níveis de prioridade:

Distress (Socorro)
Urgency (Urgência)
Safety (Segurança)
Routine (Rotina)

Datas de implementação do GMDSS

1 de Fevereiro de 1992: entrada em vigor das novas regras GMDSS
1 de Agosto de 1993: todos os navios deveriam ter capacidade para recepção de NAVTEX e possuir uma rádio baliza (EPIRB) de 406 MHz
1 de Fevereiro de 1995: todas as novas construções deveriam ser totalmente equipadas com os requisitos GMDSS
1 de Fevereiro de 1999: todos os navios deveriam cumprir totalmente os requisitos do GMDSS.

Para esta sexta-feira (dia 17), estão previstas outras “Conversas na câmara” versando o “Regulamento da Náutica de Recreio” e as “Emergências em pequenas embarcações”.

O programa deste dia termina com a Náutica no Bar, com início pelas 21h30, no Salão Bar do CNH, em que será abordado o tema “O contributo da Marinha e da Autoridade Marítima Nacional para a segurança marítima nos Açores”.

O Contra Almirante Comandante da Zona Marítima dos Açores, Pires da Cunha, e o Presidente do Clube Naval da Horta, José Decq Mota, convidam todos os interessados a tomarem partes nestas acções.


As interpelações feitas pelo radioamador Altino Goulart foram escutadas atentamente