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CNH organizou convívio informal com a tripulação do “Maravilha” no Barão Palace: “Jamais irei esquecer a forma calorosa como fui recebido no Faial”, sublinhou Victor Pinheiro
Este luso-americano está de tal maneira encantado com a forma calorosa como foi recebido no Faial, que diz mesmo que jamais irá esquecer esse momento, que enumera como o 3º mais importante da sua vida. 
Foram muitos os que se participaram neste convívio informal com a tripulação do “Maravilha”
Fotografia de: Cristina Silveira
Foram muitos e de diversas freguesias do Faial os que responderam ao apelo do Clube Naval da Horta (CNH) para participarem no convívio informal com a tripulação do iate “Maravilha”, que decorreu na noite desta quinta-feira (dia 5), no Restaurante Barão Palace, na cidade da Horta.
Refira-se que o “Maravilha” é capitaneado pelo seu proprietário, o luso-americano Victor Pinheiro, filho de pais naturais da freguesia das Angústias. Da tripulação fazem parte, além de Victor Pinheiro, Dr. George Nelson, Ted Gaidelis e Ryan Hughes.
Após o jantar e muita conversa entre os anfitriões e os visitantes, o Presidente da Direcção do Clube Naval da Horta, José Decq Mota, agradeceu a presença de todos e enumerou 4 razões fortes para estarmos todos ali reunidos. Em primeiro lugar – explicou – Victor Pinheiro tem raízes faialenses; em segundo, New Bedford e a Horta são cidades irmãs; em terceiro lugar, estamos a falar de cidades com relações muito antigas, e para rematar em grande, Victor Pinheiro vai participar na XXVI edição da Atlantis Cup – Regata da Autonomia, que tem como entidade organizadora o Clube Naval da Horta.

Victor e Maria Pinheiro em grande plano. Ao lado do capitão do “Maravilha” estão os restantes membros da tripulação vinda de New Bedford
Fotografia de: Cristina Silveira
José Decq Mota recordou o papel preponderante de João Carlos Pinheiro (pai de Victor Pinheiro) bem como do filho, na organização da Regata Internacional de Botes Baleeiros que há vários anos se realiza, ora em New Bedford, ora na ilha do Faial. Em termos de organizadores, destaque ainda para o trabalho de João Pedro Garcia, antigo presidente do CNH.
O actual Presidente do Clube Naval da Horta recordou o facto de muitos ali presentes já terem tido a oportunidade de participar neste evento internacional, o qual “atesta bem a importância e o papel das relações culturais, desportivas e sociais entre estes dois lados do Atlântico”. José Decq Mota classificou como “excepcional” a forma como os faialenses foram recebidos em New Bedford.
“Tudo isto contribui para reforçar os nossos laços no plano histórico, cultural, social e turístico”, frisou José Decq Mota, lembrando que Victor Pinheiro foi, até há bem pouco tempo, Presidente do Azorean Maritime Heritage Society (clube com quem têm vindo a ser organizadas as Regatas Internacionais de Botes Baleeiros).
“A tripulação do “Maravilha” constitui um grupo com quem dá gostar de estar”, enfatizou este dirigente, assegurando que “a razão deste convívio vai perpetuar-se”.
No contexto das excelentes relações que existem entre o Clube Naval da Horta e o New Bedford Yacht Club, José Decq Mota revelou que estão a ser envidados esforços no sentido deste clube americano estar representado no Festival Internacional de Vela Ligeira, que decorrerá durante o Festival Náutico da Semana do Mar, em pleno mês de Agosto.
Neste convívio informal estavam presentes sócios do CNH, membros das tripulações dos Botes Baleeiros e da Vela de Cruzeiro o que, no dizer do Presidente do Clube, “representam as presenças ligadas às razões de ser desta iniciativa”, a qual permite “aprofundar a ligação criada e que se mantém de forma muito viva entre o lado americano e o faialense”. José Decq Mota agradeceu, também, a presença do (amigo) Presidente da Câmara Municipal da Horta (CMH), José Leonardo Silva, “parceiro muito importante”.
O Presidente do CNH agraciou o capitão do “Maravilha” com um galhardete do Clube (que gostava de ver hasteado no iate americano), assim como com um emblema e outras lembranças. Cada um dos elementos da tripulação do “Maravilha” também recebeu várias lembranças do CNH, assim como Maria Pinheiro (mulher de Victor Pinheiro).

Victor Pinheiro exibindo o galhardete do CNH
Fotografia de: Jorge Macedo
Victor Pinheiro, sócio do Clube Naval da Horta, garantiu que tem todo o gosto em hastear o galhardete do CNH no seu iate e, pedindo desculpa, disse que ia proferir algumas palavras em inglês para que a sua tripulação pudesse perceber o que estava a acontecer. Na sua intervenção em inglês, este filho de naturais das Angústias elogiou estas ilhas maravilhosas e a hospitalidade faialense. E confirmando o que já se tinha percebido, Dr. George Nelson, membro da tripulação, percebeu perfeitamente o contexto e a língua, acrescentando que o Faial também tem, além de paisagens maravilhosas, “pessoas maravilhosas”.
Victor Pinheiro confessou que não tinha palavras para agradecer o carinho, a atenção e a amizade dos faialenses, e confidenciou: “Quando cheguei a Castelo Branco, sabia que poderia ter 2 ou 3 pessoas à minha espera, mas nunca imaginei que seria uma parada daquelas, incluindo chamarrita, flores, abraços e beijos”. E dirigindo-se à sua tripulação, avisou: “Quando chegarmos a New Bedford, não vamos ter nada disto”.
Este faialense de segunda geração congratulou-se com o facto de a aposta que foi feita há 12 anos por João Pedro Garcia (na altura Presidente do CNH) e a sua cidade, New Bedford, “estar cada vez mais cimentada, mantendo-se o intercâmbio de cultura e amizade”.
Este velejador saudou a inclusão de jovens americanos no Festival Internacional de Vela Ligeira, com o objectivo de competirem durante a Semana do Mar.
Relativamente à viagem de cerca de 2 mil milhas, que terminou no dia 31 de Maio na cidade da Horta, Victor Pinheiro caracterizou-a como sendo “um sonho tornado realidade”. E acrescentou: “Tivemos quase sempre tempo bom, a recepção no Faial foi muito calorosa e tanto eu como o resto da minha tripulação, estamos muito entusiasmados por vir ao Faial e competir com pessoas como o Dr. Quintino, o Carlos Moniz e outros”.
Victor Pinheiro disse mesmo que jamais vai esquecer a recepção de que foi alvo nesta ilha, a qual ocupa um honroso 3º lugar na sua vida. Em 1º lugar está o dia do seu casamento e em 2º, os dias em que nasceram as duas filhas.
Retribuindo o gesto do Presidente do CNH, entregou uma t-shirt a José Decq Mota e num tom de brincadeira e muito humor afirmou: “Não sei se o “Xcape” [barco de Luís Quintino] oferece camisolas, mas cada um faz o que pode e o “Maravilha” já começou a sua campanha”.
Oferecida foi também uma bandeira do Clube Naval de New Bedford, instituição que existe desde o tempo da baleação.
A rematar, Victor Pinheiro entregou um quadro evocativo dos 200 anos (que se completam a 26 de Setembro próximo) da Batalha que ocorreu na Baía da Horta em Setembro de 1814, em que o brigue americano “General Armstrong” foi bombardeado, tendo sido afundado.

O Presidente da Direcção do CNH, José Decq Mota, a receber o quadro evocativo da Batalha de há 200 anos na Baía da Horta
Fotografia de: Jorge Macedo

O afundamento do “General Armstrong”, na Baía da Horta
Fonte: http://rotadashortencias.blogspot.pt/2007/08/ge.html
Tratou-se da última batalha entre navios ingleses e americanos. Esta batalha teve como consequência o atraso dos 3 navios ingleses na chegada à Jamaica, com o objectivo de bombardearem New Orleans, o que influiu positivamente no desfecho da guerra de 1812.
A finalizar a sua intervenção, Victor Pinheiro reiterou os seus agradecimentos ao CNH e aos amigos presentes, afirmando que em Julho e Setembro estará de novo no Faial, colocando a hipótese de, com tanta viagem, se tornar, de facto, cidadão faialense.
Convidado a proferir umas palavras, o Presidente da CMH enfatizou o facto de estarmos a promover as nossas relações e a projectá-las no futuro. “O Victor representa a nossa forte relação com a cidade irmã de New Bedford”, sustentou José Leonardo Silva.

O Presidente da Câmara Municipal, José Leonardo Silva, também marcou presença neste convívio, marcado pela troca de lembranças, recordações e elogios
Fotografia de: Cristina Silveira
O autarca anunciou que, em Setembro deste ano, a Câmara vai assinalar os 200 anos da Batalha de Armstrong na Horta, salientando que não se trata de um trabalho seu, mas nosso, no sentido em que foi iniciado pelos seus antecessores. No entanto, este governante frisou, a propósito: “Mas a nossa obrigação é projectar este trabalho no futuro”.
Referindo-se ao convívio em si, sustentou que se trata de “mais um momento de ligação e de festa entre as pessoas, que são a razão de ser de tudo isto”.
Recorde-se que o “Maravilha” saiu de New Bedford no dia 19 de Maio último, rumo à cidade da Horta, onde chegou na tarde do dia 31. À sua espera no Cais de Controle da Marina estavam várias pessoas, incluindo o Grupo de Chamarritas Amigos das Angústias, que saudou efusivamente estes velejadores com música, chamarrita, flores e muitos abraços.
A recepção organizada pelo Clube Naval da Horta incluiu também uma comitiva por mar, composta por vários dirigentes e embarcações do CNH, além do Presidente da Câmara e da mulher de Victor Pinheiro.
Durante estes dias, a tripulação do “Maravilha” (grupo onde se inclui Maria Pinheiro) tem passeado pela ilha e apreciado o que de melhor a ilha tem. Para divulgar a sua participação na Atlantis Cup e os projectos que ligam New Bedford e a Horta, esta terça-feira (dia 3) Victor Pinheiro foi convidado do programa “Açores Hoje, da RTP/A.
Victor Pinheiro e a sua tripulação regressam aos EUA este domingo (dia 8), regressando ao Faial no dia 20 de Julho, a fim de participarem na XXVI edição da Atlantis Cup – Regata da Autonomia, que decorre de 25 de Julho a 5 de Agosto próximo.
Recorde-se que a edição deste ano da Atlantis Cup – Regata da Autonomia irá contar com participantes de New Bedford, Hong Kong, Continente português (o vencedor da volta a Portugal) e Madeira, além da prata da casa (ilhas do Faial, Terceira e São Miguel).
O Clube Naval da Horta é a entidade organizadora desta Regata, que liga as ilhas de Santa Maria, São Miguel, Terceira e Faial.