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Projecto Férias Desportivas do CNH - 2014: Visita de Estudo ao DOP e acompanhamento das regatas do Campeonato Nacional de Access a bordo do “Cruzeiro das Ilhas”

Os participantes nas Férias Desportivas do CNH fizeram, esta sexta-feira (dia 11), uma Visita de Estudo ao DOP e saíram no “Cruzeiro das Ilhas” para acompanhar as regatas do Campeonato Nacional da Classe Access 2014, que está a decorrer pela primeira vez no Faial

Mais de 6 dezenas de participantes no Projecto Férias Desportivas do Clube Naval da Horta (CNH) – 2014 realizaram na manhã desta sexta-feira, dia 11, uma Visita de Estudo aos laboratórios do Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP – antigas instalações), com o objectivo de se inteirarem de alguns dos projectos que estão a ser desenvolvidos por esta instituição de renome.



O grupo fez-se acompanhar pelo Responsável, David Castro, e pelos Monitores Isabel Carvão, Joana Castro, Maria Castro, João Pedro Pereira e Jorge Salvador.

Ângela Canha, bióloga e Técnica Superior do DOP, deu as boas-vindas ao grupo, começando por referir que naquele laboratório são levadas a cabo várias acções, que envolvem tubarões, tartarugas, golfinhos, algas, corais e outros, realçando que durante esta visita apenas ia ser demonstrado um, que tinha a ver com um dos aspectos do seu trabalho: medir e pesar os peixes.

Esta bióloga teve a preocupação de escolher alguns exemplares (todos diferentes) com o propósito de, primeiramente identificá-los, mas só depois de ter testado os conhecimentos dos visitantes. E muitos conheciam o boca negra, o chicharro, o goraz ou mesmo a raia.

Relativamente ao chicharro, disse que se trata de um pelágio, peixe que vive na coluna da água (entre a superfície e o fundo), o qual nada rápido, fugindo dos predadores.

Quanto ao boca negra, todos ficaram a saber como identificá-lo precisamente por ter a boca negra, apesar de por fora ser de cor vermelha. Neste caso, trata-se de um peixe demersal, porque vive junto ao fundo.


Ângela Canha demonstrou o porquê desta espécie se chamar boca negra

O goraz também foi exibido, tendo sido explicado que esta espécie pode adoptar outros nomes, consoante o tamanho do exemplar capturado.

Para se puder perceber se estamos perante um exemplar macho ou fêmea no que toca aos peixes ósseos – de que são exemplo os acima referidos – é necessário abrir a barriga do peixe e ver as ovas do mesmo. A idade é observável na cabeça da espécie, mediante o número de anéis visíveis no otólico.


Todos prestaram muita atenção para perceberem como se mede a idade dos peixes

Se estivermos a falar de raias ou de tubarões (a raia é prima do tubarão), que são peixes cartilagíneos, e não têm os otólicos, a idade é medida pelo número de anéis das vértebras da coluna, e o sexo é facilmente visível no exterior da espécie.

A propósito das artes de pesca, Ângela Canha – que mostrou um anzol – referiu que estas espécies são apanhadas com linha e anzol, que “são mais amigos do ambiente”, ao contrário da pesca de arrasto, que vai ao fundo do mar e arrasta tudo o que encontra.

Toda esta informação é transmitida a quem tem o poder de tomar decisões, os quais nem sempre fazem dela o melhor uso. No laboratório seguinte, Bárbara Paulino, Técnica das Microalgas, afirma que nos encontramos numa pequenina estação onde está a decorrer uma experiência pioneira relacionada com a aquacultura da lapa burra e uma de cracas, esta já com mais anos. Isto significa que o que se pretende é a reprodução em cativeiro. Ao microscópio foi possível observar microcamarões e microalgas, que constituem o alimento das cracas, as quais não têm boca, mas uma espécie de leque que soltam e que apanha/cola tudo o que está no ar, incluindo o alimento.


Bárbara Paulino falou da aquacultura da lapa burra e das cracas


Tudo foi testado pelos visitantes


E quem é mais pequeno, mereceu uma ajuda

Num tanque que se encontrava no exterior, Flávio Rodrigues, Biólogo Estagiário das Macroalgas, explicou que a experiência que está a ser feita com as algas visa tentar aumentar a velocidade do crescimento das mesmas, as quais constituem o alimento das lapas burras. Aqui, as algas são alimentadas para, a seguir, também servirem de alimento. A experiência inclui diferentes tipos de algas, pretendendo-se perceber quais as que são mais do agrado dos consumidores (lapa burra e cracas).


Flávio Rodrigues incentivou os visitantes a pegarem nas algas que serão dadas à lapa burra


E não faltaram voluntários



Bárbara Paulino refere que as microalgas assim como os camarões servem de alimento às larvas de craca, as quais serão colocadas em estruturas no mar, onde ficam a alimentar-se, visando o estado adulto e, consequentemente, o consumo humano. “O passo seguinte – sublinha – é testar se estas estruturas se aguentam no mar”. Isto acontece assim porque o local onde a craca se fixa é aquele em que vive toda a vida. Ora, se elas se fixarem nestas estruturas e o mar não as estragar, isso significa que as cracas poderão ser deixadas lá e passado o tempo necessário, serem retiradas para venda, evitando que se vá buscá-las à natureza, neste caso, à rocha, no mar.


Ainda não se percebeu qual o tipo de alga que as cracas mais apreciam


Aquacultura de cracas

Impressões de alguns dos participantes:

Inês Ferraz, 11 anos

- Este é o 5º ano que participo nas Férias Desportivas do Clube Naval e hoje aprendi várias coisas que não sabia. É importante saber esta informação e acho que deve ser muito fixe pesquisar para saber mais.

Eu gosto deste Projecto porque nos permite ir para o mar, aprender a andar à Vela, estar com os meus amigos, fazer novos amigos e tudo isto é muito divertido.

Quando eu for grande quero ser Pediatra.

Constança Silva, 11 anos

Este é o primeiro ano que frequento este Projecto e decidi vir para estas actividades do Clube Naval porque achei que ia divertir-me, tendo em conta que o Programa é engraçado.

A minha paixão são as Ciências e quando for grande quero ser Cientista. Este tipo de visitas é muito importante não só para a Escola mas para nós, enquanto cidadãos, pois aprendemos sempre coisas novas.

Luna Amor, 12 anos

Este é o 5º ano que venho para as Férias Desportivas do Clube Naval e fazemos sempre coisas giras. Dá para aprender e muita dessa aprendizagem é importante.

Quando for grande quero ser Pediatra.

Leonardo Silva, 7 anos

Este é o 2º ano que participo e hoje aprendi muitas coisas nesta Visita de Estudo. Gosto de vir para o Clube Naval, porque fazemos coisas divertidas como andar de barco à vela e no semi-rígido, estar com os meus amigos e conhecer outros, o que é muito bom.

Fotografias de: Cristina Silveira

A bordo do “Cruzeiro das Ilhas”

À tarde, este mesmo grupo embarcou no “Cruzeiro das Ilhas” para ver de perto as regatas que estavam a decorrer no âmbito do Campeonato Nacional da Classe Access – 2014, cuja entidade organizadora é o Clube Naval da Horta.




Fotografias de: José Macedo


Fotografia de: Cristina Silveira

A bordo seguiram também o Presidente da Direcção do CNH, José Decq Mota, o Gerente da Transmaçor, Luís Paulo Morais, elementos do Centro de Actividades Ocupacionais (CAO) da Santa Casa da Misericórdia da Horta, jornalistas e convidados. Refira-se que todos os parceiros do CNH neste Campeonato foram convidados para a observação das regatas.

Esta actividade surge na sequência do convite feito pela Transmaçor ao Clube Naval da Horta, tendo os seus destinatários apreciado a mesma.

Para o Projecto Férias Desportivas, o dia terminou com actividades no Parque da Alagoa.

PARTICIPANTES NO PROJECTO FÉRIAS DESPORTIVAS DO CNH – 2014:

- Inscritos pelo CNH: 46
- Inscritos pela Junta de Freguesia da Matriz: 21
- Inscritos pela Junta de Freguesias das Angústias: 15
- Inscritos pela Junta de Freguesia da Conceição: 11
- Inscritos pela Junta de Freguesia dos Cedros: 15

Total: 108

Veja as fotos do evento no site CNH/Arquivo/Galeria ou no Google+ do CNH