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Ilha do Faial foi a escolhida nos Açores para apresentação do Projecto Portugal Náutico e Oceano XXI

- Náutica de Recreio em expansão: Clube Naval da Horta apontado como um parceiro imprescindível na consolidação da aposta turística no destino Açores
Até agora, já foram promovidos 4 Seminários no País: Matosinhos, Peniche, Viana do Castelo e Tavira. Na passada semana o Projecto chegou aos Açores, tendo a Cidade da Horta sido o palco escolhido para a sua apresentação na Região Autónoma dos Açores. A vocação marítima do Faial coloca esta ilha numa posição de centralidade nos Açores em termos dos Assuntos do Mar.
Numa iniciativa conjunta da Associação Empresarial de Portugal (AEP) e do Oceano XXI - Cluster do Conhecimento e da Economia do Mar em Portugal, foi apresentado na tarde de sexta-feira passada, dia 19, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, o Projecto Portugal Náutico.
O evento contou com o apoio da Direcção Regional dos Assuntos do Mar e da Direcção Regional do Turismo, do Governo dos Açores, da Portos dos Açores, S.A. e da Câmara Municipal da Horta.
O Oceano XXI - Cluster do Conhecimento e da Economia do Mar em Portugal, promoveu também uma sessão de apresentação desta organização, no sábado, dia 20, no Auditório da Biblioteca Pública e Arquivo Regional João José da Graça, também na cidade da Horta.
O potencial da náutica em Portugal
O Projecto Portugal Náutico pretende chamar a atenção dos agentes económicos e institucionais para o potencial da náutica em Portugal, através da criação de uma rede que consolide as competências do país no sector da náutica de recreio e que dê corpo a uma estratégia colectiva que conduza à organização e desenvolvimento do mesmo.
A AEP tem como missão a promoção da dinâmica empresarial e a sua internacionalização, ao passo que a Oceano XXI é uma associação privada sem fins lucrativos, responsável pela dinamização do “Cluster do Conhecimento e da Economia do Mar”, Estratégia de Eficiência Colectiva reconhecida em 2009 pelo Programa COMPETE. No âmbito da sua actividade, a Oceano XXI tem realizado um conjunto de iniciativas dirigidas às principais fileiras da economia do mar, de forma a que, conjuntamente com os diversos actores, sejam encontradas formas de promover o enriquecimento das respectivas cadeias de valor.
Tendo em conta os mesmos interesses e a necessidade de uma acção conjunta nesta matéria, a AEP e a Oceano XXI decidiram avançar com este Projecto, seguindo uma metodologia de envolvimento e abertura à participação dos diferentes actores implicados no tema, especialmente aqueles que se encontram ligados aos desportos náuticos, desde a vela, o remo, a canoagem, o mergulho, a pesca desportiva e as actividades marítimo-turísticas, incluindo as escolas, os clubes, as empresas, organismos públicos, praticantes e todos aqueles que possam contribuir para o desenvolvimento da náutica no país.
Segundo os parceiros, o trabalho a desenvolver procura valorizar e capitalizar o conjunto de estudos e de projectos já realizados sobre o tema e identificar propostas de acção que possam ter concretização, nomeadamente no quadro dos instrumentos financeiros do próximo período de programação de Fundos Comunitários.
Este é um tema relevante para a Horta e para Região dos Açores, onde as actividades náuticas se têm afirmado como um pilar de fundamental de desenvolvimento, exponenciando a vocação natural dos Açores para os assuntos do mar. 
Clube Naval da Horta: experiência e know-how nos desportos náuticos

Horta na centralidade dos Assuntos do Mar, nos Açores
O repto foi lançado pela Associação Empresarial de Portugal e pela associação Oceano XXI, tendo o Presidente da Câmara Municipal da Horta, José Leonardo Silva, se associado ao acolher esta sessão nos Paços do Município. Na ocasião, o autarca, que é também presidente da Comissão Náutica Municipal, defendeu que “a Horta reúne todas as condições para se afirmar como a centralidade dos Açores no que toca aos Assuntos do Mar”.
No entender de José Leonardo Silva, este Projecto cruza-se com os objectivos do Faial e do Município, através do pelouro do Mar, Inovação e Empreendedorismo, no sentido de desenvolver uma cultura empresarial “que congregue todos os interesses e conhecimento no que às questões do mar diz respeito, nomeadamente a náutica de recreio”, que tem, segundo o Presidente da Câmara Municipal da Horta “registado uma grande expansão nos últimos anos”.
“A criação de um Cluster do Mar, aliado a uma oferta integrada e competitiva ao nível dos vários serviços de apoio ao iatista, têm no Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP), na Secretaria Regional do Mar, Ciência e Tecnologia, na Portos dos Açores e no Clube Naval da Horta, parceiros imprescindíveis que contribuem para a consolidação da aposta no destino Açores, com o Faial a assumir-se desde logo, como destino de referência na náutica de recreio”, realçou este responsável.
José Leonardo Silva acredita que uma oferta orientada no sentido de quem visita o Faial permitirá desenvolver ainda mais a economia do Mar, salientando que “estão assim reunidas todas as condições para o surgimento de profissões ligadas ao mar e criadas as bases para a aposta em novas áreas de negócio”.
O governante faialense lembrou que a cidade da Horta é muito procurada para “hibernagem” de embarcações de recreio “pelas excelentes condições que a Marina oferece”. Por isso, alerta para a necessidade de se explorarem novas oportunidades, apontando o arranque da segunda fase do Porto da Horta como fundamental para essa estratégia de desenvolvimento.
Também o Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia, Fausto Brito e Abreu, destacou o facto de os Açores participarem em todas a iniciativas que às questões do Mar dizem respeito. “Temos, em regra, participado em todos os desenvolvimentos de estratégias nacionais para o Mar e em todas as iniciativas que desenvolvem a chamada economia azul”.
Galardões podem ajudar a atrair turismo certo
Fausto Brito e Abreu frisou ainda que “o Governo dos Açores tem um interesse especial” por este Projecto, adiantando que, “da mesma forma que Portugal, como país, cresce na sua plenitude quando se contempla o Mar, dentro de Portugal, os Açores, sendo pequenos em população e em hectares terrestres, crescem quando se contempla a nossa zona marítima”.
Este governante lembrou que “a Região Autónoma dos Açores tem sabido usufruir plenamente dos poderes que a Constituição dá para a administração do nosso Mar” garantindo que “o Governo continuará a criar investimentos no desenvolvimento de uma rede de infraestruturas que apoiem actividades náuticas em portos, distribuídos por várias ilhas, aspecto fundamental para promover a oferta de turismo náutico”.
Nesse contexto, salientou o facto de os Açores manterem “uma tradição de notoriedade na vela desportiva e nas competições desportivas internacionais”, o que constitui mais uma razão para que o Executivo promova, sempre que pode, o conhecimento da Região Autónoma como um destino turístico de excelência.
O Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia fez questão de lembrar os vários galardões que os Açores têm recebido, nomeadamente o galardão Platina da Quality Coast, que demonstra o reconhecimento internacional do trabalho que tem sido feito na promoção e turismo sustentado na Região. “Tenho esperança de que estes galardões sirvam para atrair o tipo de turismo certo que nos permitirá desenvolver a oferta turística plena, que na área do turismo náutico traz várias mais-valias para sectores de actividade muito específicos”, sublinhou.
Segundo os seus promotores, este Projecto terá impactos directos em todos os sectores envolvidos na cadeia de valor da náutica de recreio, nomeadamente os que estão ligadas ao desporto, às marinas, às actividades industriais e serviços relacionados, e contribuirá para reduzir as importações que se cifram actualmente nos 75%, através da disponibilização de produtos nacionais. Por seu turno, o Director Regional dos Assuntos do Mar do Governo Regional dos Açores, Filipe Porteiro, apresentou a evolução da actividade náutica no Faial, nos últimos anos.
Desenvolver negócios e fomentar a economia
Maria da Saúde Inácio, do Gabinete de Projectos Especiais da AEP, explicou que esta Associação reúne empresários e procura desenvolver os negócios e fomentar a economia. É neste sentido que pretende actuar na náutica de recreio como uma possibilidade de desenvolvimento de negócios e da economia do país, nas zonas em que se podem desenvolver estas práticas náuticas, explicou. Segundo ela, esta iniciativa “tem como propósito trabalhar a internacionalização da náutica de receio e fazer com que possa ser um negócio”.
A apresentação do Projecto esteve a cargo de Rui Azevedo, Director Executivo do Oceano XXI - Cluster do Conhecimento e da Economia do Mar em Portugal e de Sérgio Ribeiro, da Exertus Consulting.
O Projecto está em execução até meados do próximo ano e foi desenhado numa lógica agregadora, para promover a adesão e a participação de todas as entidades relacionadas com um universo de interesses identificado pela sigla MAR: Mar, Albufeiras e Rios. É co-financiado pelo COMPETE no âmbito do SIAC, com um investimento elegível de 383 mil euros, envolvendo um incentivo FEDER de 306.mil euros.
(Para mais informações, consultar: Portugal_Nautico_-_sintese_AEP.pdf)

Nos Açores, a Náutica de Recreio tem vindo a crescer de forma significativa
Fotografias de: José Macedo