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CMH e OMA organizaram Colóquio Internacional: Clube Naval da Horta convidado a estar presente nas Comemorações do Bicentenário da Batalha do “General Armstrong”, na Baía da Horta

A Ilha do Faial lembrou este sábado (dia 27 de Setembro) a batalha que há 200 anos influenciou a independência dos EUA. O programa evocativo decorreu na Pousada de Santa Cruz, na cidade da Horta.

O Forte de Santa Cruz visto da Marina da Horta

Fonte da Fotografia: Google




O Forte de Santa Cruz com a magnífica vista sobre a Baía da Horta e a montanha do Pico


Baía da Horta
Direitos Reservados


A 27 de Setembro de 1814, travou-se na Baía da Horta, ilha do Faial, uma das mais belas batalhas navais protagonizada pelo brigue corsário americano “General Armstrong” e por uma esquadra britânica comandada pelo Comodoro Robert Lloy. A batalha ocorreu durante a guerra entre os EUA e a Inglaterra, quando uma frota de navios britânicos, que estava a atravessar o Atlântico, foi surpreendida pela presença do corsário “General Armstrong”, fundeado na Baía da Horta.

Esta batalha, que decorreu em porto neutral, desencadeou um longo processo diplomático entre Portugal, Inglaterra e os EUA e só estaria concluído, com a arbitragem de Luís Napoleão a favorecer os EUA, em 1851.

No ano em que se comemora o bicentenário deste combate naval, o Observatório do Mar dos Açores (OMA) e a Câmara Municipal da Horta (CMH) promoveram, na cidade da Horta, um Colóquio que contou com a participação de historiadores açorianos e americanos, que abordaram uma variedade de temas centrados na batalha e nos acontecimentos que lhe sucederam, o qual se enquadra na Guerra de 1812.

O Colóquio Internacional foi intitulado “A bela batalha do brigue General Armstrong”, em homenagem ao navio norte-americano, de dois mastros, que acabou por se afundar após o combate.

O evento decorreu este sábado, dia 27, na Pousada de Santa Cruz, uma unidade que funciona no interior de uma antiga fortificação, junto ao mar, perto da qual terá ocorrido “a bela batalha do brigue General Armstrong”.

Esta iniciativa contou com o alto patrocínio da Secretaria do Turismo e Transportes e com o apoio da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA), Câmara do Comércio e Indústria da Horta (CCIH) e Pousadas de Portugal. (Consulte o Programa).

O Clube Naval da Horta foi convidado para estar presente no Colóquio Internacional, tendo o Director António João representado esta instituição em nome do Presidente da Direcção do CNH, José Decq Mota, que se encontra em França, na Cerimónia de Entrega de Prémios da Regata “Lorient - Horta Solo”.

Segundo os historiadores, os norte-americanos, capitaneados por Samuel Read, não se mostraram preocupados com a chegada dos ingleses, atendendo à posição neutral que Portugal tinha na guerra entre os dois países.

Os ingleses, comandados pelo almirante Robert Lloyd, entenderam a indiferença dos norte-americanos como uma provocação e durante a noite terão tentado tomar de assalto o “General Armstrong”.

Existem diferentes versões sobre a batalha naval que se seguiu, durante a qual os norte-americanos mataram mais de uma centena de ingleses, perdendo apenas dois homens e valendo-se do maior poder ofensivo dos seus canhões.

Apesar da enorme diferença no número de baixas, o navio americano estava em clara desvantagem em relação à frota inglesa, acabando mesmo por perder a batalha, vindo a afundar-se no interior da Baía da Horta.

O “General Armstrong” ficou, ainda assim, para a história como o navio que conseguiu travar a armada inglesa, que viria a chegar tarde e fragilizada ao outro lado do Atlântico, na luta contra a independência dos Estados Unidos.

Carla Dâmaso, do Observatório do Mar dos Açores, explica que foram todos estes contornos da batalha que justificaram a realização do Colóquio Internacional, que contou com a participação de especialistas portugueses e norte-americanos.

“Este não é, no entanto, um evento isolado”, adiantou, acrescentando que o OMA e a autarquia faialense estão, também, a ponderar construir um memorial à batalha do “General Armstrong”.

João Bettencourt, Director Regional do Turismo, entende que a criação de um memorial à batalha de há 200 anos poderá constituir mais um motivo para atrair a presença de turistas norte-americanos aos Açores.

Para o Presidente da Câmara Municipal da Horta, José Leonardo Silva, este combate naval revela também a importância estratégica que a ilha do Faial já teve no passado e que pretende continuar a manter no futuro, não como um campo de batalha, mas como um porto de abrigo para milhares de embarcações de recreio que atravessam o Atlântico.

Intervenção da Presidente da Assembleia, Ana Luísa Luís, na Sessão de Abertura do Colóquio Internacional no Bicentenário do Combate Naval do Brigue Armstrong na Baía da Horta:

Exmo. Senhor Presidente da Câmara Municipal da Horta
Exmo. Senhor Diretor Regional do Turismo, em representação do Secretário de Transportes e Turismo
Exmo. Senhor Cônsul dos Estados Unidos nos Açores
Exmo. Senhor Cônsul de Portugal em New Bedford
Exmo. Senhor Presidente da Direção do OMA
Exmos. Oradores
Minhas senhoras e meus senhores
Muito bom dia a todos!

Permitam que inicie esta minha breve intervenção dando as boas vindas, em inglês, aos nossos visitantes dos Estados Unidos da América.

Welcome to Faial!

Have a wonderful stay among us and feel at home. It is a great pleasure to have you here.

This is the most overwhelming way of bringing Portugal and USA, Azores and Massachusetts, Horta and New Bedford together: celebrating what has crossed our history in the past.

We aim to create in this special celebration a step for the future so that we can build a closer approach between our institutions and a stronger relationship of the people who live in your country and in our country.

Our emigration has contributed during centuries to reinforce the ties that our history designed. In the last century, particularly in the sixties, our people left Azores to follow a dream and to make a new and more comfortable life.

They did it. And they also helped America with their taxes and their work. That’s what happens in the world. Powerful countries need the small countries to grow up. We are, indeed, a small country, a small region, a small island, but we have certainly a strong history because we are people of strong will.

So, America is for us almost a second land, the land in which significant parts of our people live and have their children and grandchildren. America is the country where we have cousins, godfathers and godmothers, brothers and sisters. America is also part of our literally imaginary. Several poets refer America as an extension of our identity, maybe a wing of our fantasy and a ground toward our goals.

That’s why this Armstrong meeting is so important. Because it is an opportunity to celebrate history, institutions, peace and friendship between people.

Thank you for coming.

Caras e Caros amigos, agora em português, as minhas primeiras palavras também não podiam deixar de ser de boas-vindas a todos os participantes neste evento e de reconhecimento à Câmara Municipal da Horta e ao OMA, assim como a todas as entidades que apoiaram este colóquio.

Esta iniciativa junta, ao abrigo da história, Portugal e os Estados Unidos, os Açores e Massachusetts, Horta e New Bedford. Mais: esta comemoração leva-nos a rever os laços consolidados entre as nossas terras e as nossas gentes e a projetar essa ligação no futuro. Esta relação vem de longe, dos primeiros açorianos que chegaram à América no século XVIII, e passou pela chegada da família Dabney aos Açores e a esta ilha, nos remotos anos de 1800.

Passou pela batalha que este colóquio evoca, pelas primeiras amaragens dos aviões da Pan América, pelos muitos faialenses e açorianos que fizeram dos Estados Unidos um dos mais importantes países recetores da nossa emigração – e aqui não posso deixar de recordar o “Azorean Refugee Act” que o ex-presidente norte-americano John F. Kennedy levou ao Congresso dos EUA, em 1958, permitindo a milhares de faialenses recomeçarem as suas vidas naquele país, após a erupção do vulcão dos Capelinhos.

Esta relação passa também por um património material e imaterial tecido nas duas margens do Atlântico, com afetos, família, emoções, raízes identitárias, mas também com baleeiras, marcas museográficas, edificações da família Dabney, registos historiográficos ainda por aprofundar.

Assim, importa que a ação das nossas instituições, açorianas e americanas se foque na intensificação desta ligação secular preservando esse património evocativo de açorianos e americanos, que perpetuará na memória futura os feitos do passado.

Caros amigos, esta comemoração é, na verdade, uma oportunidade para celebrarmos esta herança mas também para pormos os olhos no futuro e revitalizarmos o que pode e deve ser protegido, acarinhado e defendido, na medida em que é um espólio para os naturais, uma atração para os visitantes e porque representa o respeito pela história de um povo.

Obrigada pelo vosso convite. É um prazer estar convosco”.