Notícias
Balanço à actividade da Secção de Pesca Desportiva do CNH: “Foi um ano muito positivo, com a participação de pescadores e patrocinadores novos”
No fim de mais uma época e um mandato, o Director da Secção de Pesca do Clube Naval da Horta (CNH), Fernando Medeiros, é convidado a fazer o balanço à actividade levada a cabo. Este Dirigente destaca o gosto dos pescadores em participar, manifestando um saudável espírito de competição e o facto de terem surgido mais participantes e até um novo patrocinador de prémios. A despesa em combustível poderá levar à organização de Campeonatos mais reduzidos, tendo já sido imposto um limite no que toca à aquisição de engodo comprado. Mesmo numa conjuntura menos favorável, sobressai o empenho e a carolice daqueles e daquelas que dão corpo às várias provas organizadas pelo CNH, assegurando que a sua presença e convívio são para manter. Quem poderá estar de saída, é Fernando Medeiros que, após 4 anos consecutivos de trabalho, revela vontade de ser substituído, o que lhe permitirá ter tempo para se dedicar a projectos pessoais. Mas garante que, se daqui a tempos for novamente convidado, volta com todo o prazer, pois gosta do Clube e das pessoas com quem tem trabalhado.
O ano de 2014 foi recheado de actividades no Clube Naval da Horta (CNH) e a Secção da Pesca Desportiva seguiu a tendência. Para o Director desta Secção, Fernando Medeiros, “o balanço é positivo”, apesar da ausência de 4 pescadores, participantes habituais no Campeonato de Pesca de Corrico. E essa não participação deveu-se a avarias nas embarcações e, num caso, por causa do volume de trabalho da empresa desse pescador. “Ora, se a média de participantes é de 10, com o sucedido este ano, significa que tivemos 5 embarcações a participar nas Provas de Corrico, o que representa um decréscimo de quase 50%, o que é muito significativo”, sublinha este Dirigente. Contudo, Fernando Medeiros garante que “todos têm manifestado vontade de voltar às competições logo que estejam reunidas as condições necessárias para tal”. E remata, a propósito: “Percebi muito bem isso no Jantar Comemorativo do 67º Aniversário do Clube, em que todos estiveram presentes”.
Relativamente ao Campeonato de Pesca de Costa, o número de participantes foi dentro do normal: 8 a 10 pescadores.
No Festival Náutico da Semana do Mar verificou-se “uma grande adesão”, com 10 barcos. “Há pessoas que só participam nesta época por estarem de férias e terem mais tempo disponível, notando-se um maior espírito de desportivismo e menor competição”. Também esteve presente a equipa de Ponta Delgada, cujo convite é retribuído por altura do Torneio Açoriano de Pesca Desportiva.
Este Responsável refere que “os prémios são simbólicos, já que as pessoas participam por gosto e pelo convívio”.
Fernando Medeiros: um Director que tem colaborado sempre que foi necessário
Este ano, a Secção de Pesca Desportiva do CNH contou com 2 patrocinadores, “o que foi muito bom”: o empresário Delfim Vargas, que já é um patrocinador habitual, e “sempre disponível para colaborar”, e o também empresário Cláudio Garcia, do Espaço X. Quanto a novos patrocinadores, Fernando Medeiros diz que bem tem tentado, mas “o mercado é pequeno e são quase sempre os mesmos envolvidos nestas actividades”. Neste caso, o Clube é o maior patrocinador dos prémios.
Relativamente ao grupo de pescadores, este Dirigente afirma que “é quase sempre o mesmo”, com a particularidade de 2014 ter contado com dois novos participantes: Cláudio Garcia e Rúben de Oliveira. “Estamos a falar de pessoas experientes e encartadas, que sabem exactamente o que devem pescar, apanhando apenas as espécies permitidas”, sustenta Fernando Medeiros, salientando que “no final de todas as provas, a Directora Técnica do CNH, Ana Sousa, envia a relação do que foi pescado para a Direcção Regional das Pescas”. “Há um cumprimento rigoroso da lei, não se verificando infracções”, assegura.
No que diz respeito a pescadoras, nas Provas de Pesca de Costa é presença habitual a veterana Juliana Nóbrega (que foi, durante vários anos, Directora da Secção de Pesca Desportiva do CNH, tendo mesmo dado o seu contributo desde o arranque desta Secção) e Dulce Fraga (com o marido, Hélder Fraga), na embarcação “Rosana”, nas Provas do Campeonato de Corrico. A este propósito, Fernando Medeiros diz, em jeito de brincadeira, que, “se os maridos convidassem as esposas, talvez elas participassem em maior número”.
Despesas cada vez mais elevadas
Questionado sobre se se trata de uma actividade lúdica dispendiosa, este Dirigente responde afirmativamente e explica: “Essa é uma das razões pelas quais tem vindo a diminuir o número de participantes nas provas. As pessoas têm menos dinheiro e é preciso ver que o combustível e a isca saem caros”. Nesse sentido, Fernando Medeiros já estipulou como quantidade máxima de engodo, 10 quilos de sardinha por prova, o que pode custar sensivelmente 20 euros. “Ao longo de uma época, são muitas as vezes que damos a volta à ilha, sobretudo quando as zonas de pesca são a Fajã ou os Cedros”.
Refira-se que esta medida dos 10 quilos por prova também já vigora em São Miguel e que nas outras ilhas onde a Pesca Desportiva está organizada, “as queixas e dificuldades são as mesmas”.
Para minimizar os gastos, os pescadores propuseram que o Clube ajude a comparticipar o combustível ao longo de todo o ano, situação que se verifica por altura das provas do Festival Náutico. Aliás, em abono da verdade, essa já foi, no passado, uma prática por parte desta instituição ao longo de toda a época, mas “actualmente não há condições para tal”.
Atendendo às dificuldades acima descritas, “a solução poderá passar por fazer Campeonatos com um menor número de provas”, sugere Fernando Medeiros.
Apesar de tudo, a actividade é para continuar, pois “o pessoal está motivado”.
No entender deste Responsável, “os pescadores de Costa têm um bom incentivo”, que é a participação anual, no Torneio Açoriano de Pesca Desportiva, organizado pelo Clube Açoriano de Pesca Desportiva de Ponta Delgada, em São Miguel, em que vai sempre uma equipa composta pelos primeiros 4, cujas deslocações são suportadas pelo Clube Naval da Horta.
“Noto que eles se esforçam pois, além de ser sempre bom ganhar, depois há ainda esta viagem, que proporciona amizades e convivência”, frisa Fernando Medeiros.
Recorde-se que a equipa deste ano foi composta por Carlos Medeiros, José Manuel Silva, Moisés Sousa e José Armando Silva. Esta prova é disputada entre pescadores de São Miguel, Santa Maria e Faial e funciona como uma Prova Regional entre estas 3 ilhas.
A Secção de Pesca Desportiva do CNH mantém, igualmente, relações com a Graciosa. Neste sentido, foi recentemente realizado o Campeonato Regional de Corrico entre as ilhas Faial, Graciosa, São Miguel e Santa Maria, após competições internas em cada uma destas 4 ilhas. Sagrou-se vencedora deste Campeonato, a embarcação faialense “Senhora da Guia”, de Renato Azevedo. A propósito, Fernando Medeiros considera este evento como “um incentivo para o futuro” e mostra a sua satisfação por uma equipa faialense ter ganho o Campeonato Regional, “o que atesta a qualidade dos pescadores do Clube Naval da Horta”. A Cerimónia de Entrega de Prémios ocorrerá durante este mês, em data a divulgar oportunamente.
Intercâmbio entre o CNH e o Clube de Pesca Ilha Azul
Além do Clube Naval da Horta, a ilha do Faial conta, também, com o Clube de Pesca Ilha Azul, da Praia do Almoxarife. “Existe um bom relacionamento entre estes 2 Clubes e a prova disso é que somos sempre convidados a participar nas provas organizadas por ele, acontecendo também o inverso. Além disso, habitualmente marcamos presença na festa de aniversário um do outro, dando-se o caso de alguns pescadores participarem nas provas promovidas pelo Clube Naval e pelo Ilha Azul”.
De salientar que, a convite do Capitão do Porto da Horta, Comandante Diogo Vieira Branco, o Clube Naval da Horta, em conjunto com o Clube de Pesca Ilha Azul, realizou uma Prova de Pesca de Costa integrada nas comemorações do Dia da Marinha 2014, com Entrega de Prémios a bordo da Corveta “Baptista de Andrade”.
Pescar por gosto
Embora o tempo tenha “pregado algumas partidas” ao longo da época que agora findou, fazendo com que parte das provas tenha sido realizada em datas diferentes das que estavam inicialmente previstas, o calendário foi cumprido na sua totalidade, o que é sinónimo de muitas actividades. “E, porque, os participantes apreciam muito ficar a conversar sobre as suas pescarias”, a Secção de Pesca oferece sempre um beberete a seguir às provas de Pesca de Costa, momento de particular convívio, só ultrapassado pela pesagem do pescado. “A pesagem é sempre um momento muito aguardado e engraçado, embora praticamente os pescadores já saibam as quantidades capturadas, pois são pessoas habituadas e experientes”, revela este Dirigente.
Muitas vezes, o total de uma Prova de Costa, que equivale a 4 horas de esforço, dedicação “e muita adrenalina” – cronometradas por Fernando Medeiros – pode representar 3/4 quilos de peixe. Se estivermos a falar de sargos, a quantidade pode ir até aos 8/10 quilos. Como tal, “o pescado não compensa, vindo ao de cima, uma vez mais, o gosto e a camaradagem nestas actividades”.
Fernando Medeiros tem-se esforçado por angariar bons prémios para os “seus” pescadores. Na fotografia está ao lado de Jorge Oliveira, da embarcação “Zeus”
“Gosto do Clube e a prova disso são 4 anos consecutivos de trabalho”
Quem poderá ter de fazer uma pausa na pesca é precisamente o Director desta Secção. Instado a pronunciar-se sobre a perspectiva de um terceiro mandato, Fernando Medeiros responde que se sente dividido. “Por um lado, tenho vontade de continuar porque gosto do Clube e dou-me bem com este elenco directivo, a começar pelo Presidente, pessoa que já conheço há muito tempo; por outro, preciso de ter mais tempo livre para me dedicar a projectos pessoais. A minha decisão também está pendente da equipa que vier a ser formada, pois é fundamental as pessoas darem-se todas bem”.
Este Responsável queixa-se de que 2014 foi um ano “particularmente exigente” em termos de tempo, lamentando não ter tido um colaborador. “Tive sempre o cuidado de nunca sobrepor provas, mas nas alturas em que o tempo não ajudou, por vezes tivemos de marcar uma prova para um sábado à noite, quando já havia outra calendarizada para domingo de manhã. Quando assim foi, saía do Clube à uma da manhã da Prova de Costa e às 7 da manhã já estava novamente no Clube – com uma hora de antecedência para a concentração – para a Prova de Barco. Algumas vezes tive de pedir colaboração à D. Juliana, que foi sempre muito prestável”. Fernando Medeiros encontra-se à frente da Secção de Pesca Desportiva do Clube Naval da Horta há 4 anos consecutivos, divididos por 2 mandatos. No primeiro contou com o apoio de um colaborador, contrariamente ao 2º mandato, acusando, por isso, algum cansaço.
A razão de ser Director desta Secção prende-se com questões de gosto a nível pessoal e também por conhecer grande parte dos pescadores locais, sendo igualmente conhecedor das regras da actividade. A aquisição de um barco é uma ideia muito presente e, quem sabe, próxima de concretizar por este Dirigente que é, também, pescador nas Provas de Pesca de Costa.
Fernando Medeiros não esconde a sua indecisão e se lhe dissessem que contaria com o apoio de outra pessoa, a balança penderia muito para a continuidade. No entanto, paralelamente ao gosto e a tudo o que de positivo foi invocado, há que ser realista: “Isto dá muito trabalho e são poucas as pessoas que sabem disso. Quem já passou por esta casa, consegue dar o valor, mas quem está fora não imagina o trabalho que este Clube tem. Por isso, defendo que há pessoas que deveriam ser convidadas a dar o seu contributo para viver por dentro esta intensidade de actividades e perceber que, ao contrário do que se possa pensar, não se ganha nada em termos financeiros, muito pelo contrário”.
Ultrapassada esta fase, Fernando Medeiros garante que se, daqui a uns tempos voltar a ser convidado, terá “muito gosto em regressar a esta casa”, demonstrando “disponibilidade para o Clube”.
Fotografias de: Cristina Silveira e Carlos Pedro