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Sonho antigo concretizado à custa das poupanças pessoais: Miguel Guimarães e David Abecasis compraram barco novo e montaram-no à sua maneira
- Ganhar o Campeonato Nacional e ficar no top ten no Mundial, em Itália, são as metas para 2015
A dupla de atletas da Classe Snipe do Clube Naval da Horta (CNH), Miguel Guimarães/David Abecasis concretizou este Verão um sonho antigo: comprar um barco novo para a prática da Vela, que custou 10 mil euros. Para que tudo resultasse na perfeição, encomendaram-no só com o casco em fibra para poderem ter o privilégio de montá-lo à sua maneira. Até agora, estes velejadores ainda só fizeram um pequeno treino para testarem os sistemas que eles próprios montaram no barco. A adaptação a esta nova máquina será feita este mês, num ano também marcado por uma lesão nas costas, que fez Miguel Guimarães parar durante 4 meses.

David Abecasis e Miguel Guimarães apresentam o seu novo barco
Fotografia de: Ângelo Teixeira
O velejador Miguel Guimarães aproveitou a sua passagem pelo Faial, este mês de Outubro, para cumprimentar o Presidente da sua casa enquanto atleta: o Clube Naval da Horta (CNH). A viagem, feita no campo profissional – já que é sócio da empresa “Descobre Ventos”, que vende embarcações de cruzeiro – também serviu para rever amigos, fazer algumas sugestões ao Responsável máximo pelo CNH, José Decq Mota, e revelar novidades ao Gabinete de Imprensa desta instituição.

Miguel Guimarães, ao passar pelo Faial, fez questão de cumprimentar o Presidente do Clube que representa: o Clube Naval da Horta
Fotografia de: Cristina Silveira

A intenção foi comprar um barco só com o casco em fibra para poderem ter o privilégio de montá-lo à sua maneira
Fotografia de: David Abecasis

A nova máquina custou 10 mil euros e muitas horas de trabalho e gozo na sua montagem
Fotografia de: Ângelo Teixeira
No campo das novidades, destaque para o barco novo que a dupla de velejadores da Classe Snipe do Clube Naval da Horta Miguel Guimarães/David Abecasis adquiriu em Agosto último, com a particularidade de a embarcação ter vindo despida, digamos assim. “Encomendámos um barco só com o casco em fibra para podermos montar todos os sistemas à nossa maneira e medida. Deu-nos muito trabalho mas também um gozo enorme, porque ficou tudo como nós queríamos”, explica Miguel Guimarães.

Este velejador falou com muito entusiasmo do novo barco e do gozo que deu montá-lo à sua maneira, uma situação pouco vulgar, já que o habitual é vir equipado
Fotografia de: Cristina Silveira
Este cenário implicou uma interrupção em termos de treinos, “o que não é bom para nenhum atleta”, mas uma vez que este velejador contraiu uma lesão nas costas, teve mesmo de ficar parado durante 4 meses, “o que foi muito tempo”. Questionado sobre a recuperação, Miguel responde que acha que “nunca” vai recuperar completamente porque estamos a falar de hérnias discais. Obrigado a um período de descanso e de reforço da zona central do corpo para resistir mais, uma vez que “o barco antigo era muito agressivo para as costas”, este velejador regressou aos treinos o mês passado.
Quanto ao antigo barco, que contava cerca de 16 anos de vida, 4 dos quais sob a condução desta dupla, já conheceu outro dono. Miguel Guimarães revela que um Snipe destes custa 4 mil euros em segunda mão e um novo, como o que adquiriu agora, ascende a 10 mil euros. Explica que “este tipo de embarcação tem um valor bom mesmo já usado, porque dura muito tempo”. E recorda: “Eu tinha um barco com mais de 15 anos que conseguia ser competitivo em praticamente todas as situações”. No entanto, Miguel e David não podiam dizer que estavam no top dos tops. Mas agora, a situação é outra. Possuindo um barco topo de gama na Classe Snipe, não há desculpa para lugares fora do pódio.
“Eu e o David velejamos há muitos anos, de forma individual em diferentes classes e juntos na Classe Snipe, e como estávamos a andar bastante bem, começámos a notar que o barco que tínhamos acabava por ser menos competitivo em situações de mar, com ondas”. De sublinhar que, nas frotas em que competiam, estes atletas eram os únicos que tinham um barco com esta forma de casco, pelo menos em Portugal, pois em Espanha, “onde há uma grande variedade”, ainda é possível encontrar alguns iguais ao barco antigo. “Agora, podemos dizer que temos um barco igual ao dos outros e que estamos mais actualizados. Podemos bater-nos na nossa capacidade técnica e estratégica e o barco deixou de ser um pretexto para não estarmos à altura”, salienta. Com todas as condições reunidas para somar e seguir no que toca a vitórias, o tempo agora é de treinos para recuperar o perdido.

A adaptação ao novo barco é o próximo passo para esta dupla de velejadores
Fotografia de: Ângelo Teixeira
Classe Snipe: barcos para durar!
Esta primeira fase será de adaptação ao novo barco, mas Miguel Guimarães concorda que o facto de o terem montado à sua maneira “ajuda bastante”, embora seja “muito importante testá-lo na água, já que os cascos desta embarcação são bastante diferentes da anterior”.
Este velejador elogia uma característica patente nos barcos da Classe Snipe que é o facto de o tempo de vida ser bastante longo. “É verdade que o barco foi caro, mas eu sei que daqui a 20 anos ainda posso ganhar regatas com ele. É uma Classe muito boa e não há mais nenhuma assim”, realça, explicando: “Se estiver a falar de um Laser, 420 ou 470 não dura mais do que 4 anos, porque a sua construção não resiste por mais tempo. E sei disto por experiência própria, pois tanto eu como o David andámos nestas Classes”.

A caminho da água para ser testado
Fotografia de: Ângelo Teixeira
“Snipes são excelentes para a formação”
Sabendo das dificuldades que o CNH atravessa, um pouco à semelhança do panorama regional e nacional, este velejador experiente questionou o Presidente desta casa sobre a não utilização de snipes como barco-escola exactamente por se tratar de embarcações que duram muito tempo e são resistentes. “É um barco muito simpático para competição e escola de vela, é seguro e, ao contrário do que acontece com os Laser ou os 420, dificilmente revira”.
Conhecedor do que se passa no Brasil, Miguel diz que lá chamam ao Snipe “o barco dos 8 aos 80, porque vê-se velejadores de diferentes idades, por exemplo um avô e um neto a competir no mesmo barco”. E acrescenta: “E depois existem tripulações competitivas de 20 e 30 anos a competirem com os senhores Paulo Santos e Ivan Pimentel: o primeiro tem 70 anos e foi 2 vezes Campeão Europeu por Portugal em Snipe, na altura uma Classe muito importante, e o segundo 74, e anda sempre no topo. Mesmo nesta faixa etária, andam na frente da frota hoje em dia”.
É por isso que, este conquistador de troféus, se refere ao Snipe como “uma Classe em que nunca se fica velho, porque quanto mais experiência tem o velejador, melhor”.
Ao invés do Laser ou do 420, o Snipe valoriza mais o conhecimento de Vela do atleta do que propriamente a sua condição física. “É um barco bastante equilibrado, em que as tripulações conseguem bater-se mais táctica e tecnicamente. Pode haver uma menor preparação física, mas se a pessoa for dotada de uma grande experiência de Vela, permite que ela trabalhe e consiga chegar lá, sendo ao mesmo tempo competitivo. Mas sempre com treinos, claro!”.
O percurso nesta formação permite que os velejadores possam andar em classes de Vela de Cruzeiro e outras.
O Brasil, além de apostar num barco (Miguel Guimarães contactou de perto com a Escola de Vela) económico e duradouro, está também a contribuir para o PIB nacional, se tivermos em conta que eles são fabricados no próprio país, o que torna o seu preço ainda mais convidativo.

“Desconheço as razões que levam Portugal a não usar mais a Classe Snipe”
Fotografia de: Cristina Silveira
O barco ideal para quem tem pouco dinheiro
“Em países com pouco dinheiro, como na América do Sul, há imensos barcos destes e, em Portugal, onde também vivemos tempos difíceis, seria inteligente apostar numa classe que tem uma boa longevidade”, sustenta Miguel Guimarães.
A Classe Snipe é bastante antiga e conta com história no Clube Naval da Horta, onde poderá vir a ser recuperada.
Ainda assim, na opinião deste atleta “não há melhor barco para as crianças do que o Optimist”. E realça: “Já lançaram muitos modelos mas, para mim, continua a ser imbatível”. Depois do Optimist, a aposta tem sido nas classes de linha de vela, por orientação da Federação. No entanto, Miguel Guimarães defende que “a Vela é muito mais do que as Classes Olímpicas e noutros países o Snipe é usado precisamente por causa do seu tempo de vida, sendo, por isso, um bom investimento”. “Já estive na Classe Olímpica em 470 e há Vela para além disso. Existe outro tipo de vela muito competitiva para além das classes olímpicas em campeonatos mundiais e europeus”, afiança este velejador que, naturalmente lamenta que não haja em Portugal competição a nível elevado na sua classe de eleição, como acontece no Brasil.
“Se o Snipe fosse um barco como o 420 ou o Laser e eu estivesse a pensar adquirir um novo, jamais o teria feito, sabendo que daqui a 4 anos está arrumado. Aliás, se assim fosse, eu já tinha mudado de Classe”, garante Miguel, que desconhece o porquê de “em Portugal só se apoiar barcos da linha de vela, verificando-se um afastamento dos clubes da escola de vela pura”.
Em reconhecimento às capacidades do Snipe, o Sporting Clube do Porto comprou “vários barcos baratos” e equipou-os com o objectivo de abrir uma Escola de Vela para Adultos em Snipe. “E está a ser um sucesso!”, atesta este velejador.
“O apoio do Clube Naval da Horta é fundamental”
Instado a falar sobre os apoios destinados a esta nova aquisição, Miguel refere que a “Descobre Ventos”, “em certa medida apoia sempre” as suas iniciativas, tendo em conta que é lá que trabalha diariamente. Patrocínios ainda não foram uma realidade para este investimento, que se encontra pago à custa das poupanças desta dupla, o que pode ser considerado um sonho tornado realidade e, ao mesmo tempo, uma vitória pessoal.
“Naturalmente que houve apoio do Clube Naval da Horta para a compra do barco”, ao ajudar a financiar a participação nas regatas do ano 2013. Recorde-se que no ano passado esta dupla foi ao Mundial, que decorreu na cidade brasileira do Rio de Janeiro, igualmente com a ajuda do CNH. A propósito, este velejador faz questão de realçar o apoio do Clube Naval da Horta, que “colabora sempre na medida das suas possibilidades”. “Sem este apoio – garante – seria impossível todas estas participações, porque o dinheiro é sempre todo contado”.
Este foi, aliás, um dos temas da conversa que o atleta manteve com o Presidente da Direcção do CNH, no sentido de, em Janeiro de cada ano, ser feito um plano anual para esta dupla. Tendo em conta o calendário de provas e o dinheiro existente, estes velejadores vão fazendo uma selecção de acordo com a importância das regatas e o fundo de maneio que possuem.

“O Clube Naval da Horta está a evoluir e dá-nos muito gozo representá-lo”
Fotografia de: Cristina Silveira
“Dá-nos muito gozo representar o CNH”
Miguel Guimarães afirma que esta dupla está “muito satisfeita” por representar o Clube Naval da Horta. E frisa: “Dá-nos muito gozo levar o Clube ao conhecimento dos outros velejadores tanto a nível nacional como no estrangeiro. No Continente português, através da nossa acção e da do Rui Silveira, sem dúvida que o Clube Naval da Horta está a ter um maior destaque, dando também a conhecer o trabalho que é feito cá. Essa mensagem passa e as pessoas ficam atentas e gostam de ir acompanhando a evolução dos acontecimentos”. “No estrangeiro, esse trabalho vai demorar mais tempo, mas sempre que saímos, fazemos questão de divulgar o Clube que representamos, como aconteceu em 2013, no Brasil”, sustenta.
E quando lhe é perguntado se ele e o colega de equipa se sentem perto da casa que os apoia, responde: “Sentimos que estamos muito mais perto deste Clube do que quando representávamos outras cores a nível nacional, mesmo estando próximo em termos geográficos”. E frisa: “Para tanto, muito tem contribuído a comunicação que tem vindo a ser feita através do Gabinete de Imprensa do CNH, que está a fazer um bom trabalho”.
Miguel e David vêem o Clube Naval da Horta como “um clube que está a evoluir”. “Havia muita estagnação nos clubes por onde andámos”, refere.
Desvalorizando a descontinuidade territorial, este velejador enaltece as manifestações de que é alvo: “Sinto-me sempre ligado a este Clube. Venho muitas vezes ao Faial, onde tenho vários amigos que me recebem sempre bem. Dá gozo fazer regatas por este Clube e nunca perdemos uma oportunidade para contar a sua história”.
Para Miguel Guimarães “é muito importante” que o Clube que ele representa tenha, também, “uma boa visão para a Vela, que faça um bom trabalho com as camadas mais jovens na área da formação e que tenha uma boa ligação com os sócios”. O velejador congratulou-se, igualmente, com a fase que a Classe Access está a viver no Faial, única ilha dos Açores onde a Vela para pessoas com mobilidade reduzida é uma realidade.

“Eu, o David e o Rui Silveira estamos muito empenhados em divulgar o Clube Naval da Horta, dando-o a conhecer a nível nacional e no estrangeiro”
Fotografia de: Cristina Silveira
Protocolo com o Iate Clube do Rio de Janeiro
Sempre a pensar em estreitar laços, Miguel Guimarães falou com José Decq Mota no sentido de ser estabelecido um protocolo entre o CNH e o Iate Clube do Rio de Janeiro, o que foi aceite com muito agrado por parte deste Dirigente. Assim sendo, Miguel pode transmitir o interesse que existe deste lado do Atlântico nessa parceria, através da qual atletas e sócios de ambos os clubes usufruem das mesmas regalias lá e cá, havendo um intercâmbio não só desportivo como também cultural. “No Brasil este protocolo será muito importante para nós e para outros sócios do Clube Naval da Horta, porque entrar num clube de vela lá é muito difícil, por serem ultra-elitistas. E isto aplica-se aos próprios brasileiros, que fazem de tudo para conseguir ter acesso a uma instituição como esta”.
Falando por dentro, este atleta português que foi “muito bem recebido assim como o David” e têm lá diversos amigos, sublinha que “o Iate Clube do Rio de Janeiro é um clube com condições fora de série, com excelentes instalações, secção desportiva (Vela e Pesca), parte social com anfiteatro, piscinas e hangares enormes”.
Metas para 2015
O grande objectivo desta dupla para 2015 é obter um bom resultado no Campeonato Nacional e no Mundial, que será no mês de Setembro, em Talamone, na Itália. O facto de esta competição ser na Europa facilita a deslocação, pois o último foi no Brasil, o que provocou um maior cansaço em termos de viagens. “Aqui as distâncias são menores, podemos levar o nosso barco e o nosso equipamento e conseguimos preparar melhor a participação”, refere.
Um bom resultado no Mundial significa ficar nos primeiros 10, num universo nunca inferior a 70 participantes. “Naturalmente que aqui só chegam os melhores dos melhores, onde o nível é elevado e o espírito muitíssimo competitivo”, salienta Miguel, que conclui: “A nossa ambição é estar ao nível competitivo que nos permita conseguir estar lá, na luta, porque estando lá, tudo pode acontecer, até ganhar”.
O facto de haver muitas regatas até lá, permite ganhar rodagem e competitividade.
Em 2013 esta dupla ganhou um troféu “muito importante na Classe Snipe”, que foi o Troféu Luso-Galaico “Cholo Armada”, um troféu perpétuo, de uma família espanhola, onde já figura uma placa com os nomes destes velejadores portugueses. Quem conseguir a proeza de 3 vitórias consecutivas, ou 5 alternadas, leva a Taça para casa, o que ainda nunca aconteceu. “Tendo em conta que já ganhámos uma vez, gostávamos de voltar a ganhar em 2015 e 2016 para conquistar a Taça”, diz Miguel, que esclarece: “Não vamos a nenhuma prova para brincar. Estamos num patamar muito elevado e participamos nas regatas menos importantes com o intuito de ganhar nível competitivo, tirar conclusões, fazer experiências de material e afinações. Temos um livrinho onde apontamos tudo e estamos sempre a aprender. O que eu aprendi sozinho é que quando digo que sei tudo, não sei nada”.
“Com a paragem verificada perdemos muita competitividade”, lamenta Miguel, revelando que “agora é tempo de conhecer o barco e fazer testes e afinações”. E frisa: “O nosso grande objectivo é chegar em boas condições ao Mundial de 2015. Temos de conseguir conjugar bem o calendário de regatas, ter dinheiro para participar e chegar lá com um bom nível competitivo”. E este aspecto é mesmo para realçar, já que hoje em dia os melhores fazem, pelo menos, 3 regatas grandes por mês, percorrendo a Europa toda (Espanha, Itália, etc). Não havendo plafond suficiente, estes portugueses irão apenas às competições de maior importância.
Para se ter uma ideia, a deslocação ao Mundial no Brasil custou cerca de 2500 euros, o que inclui viagens, refeições, estadia, combustível e a inscrição, nunca inferior a 400 euros.
Investimento pessoal compensado pelo gosto
Com a actual conjuntura e os cortes registados nos apoios aos clubes, os atletas vêem-se forçados a patrocinar a sua própria actividade. Correndo, literalmente por gosto, o dinheiro destes velejadores é fruto do seu trabalho, o que se traduz numa “carreira muito cara”.
“Enquanto fui apenas velejador e não trabalhava, estava sempre dependente dos clubes e da Federação, o que se tornava muito difícil”, queixa-se este velejador, contestando a falta de condições do seu país para quem quer evoluir. “Em Portugal é extremamente difícil conseguirmos bater-nos ao nível dos outros países, onde há um grande apoio. E basta irmos ao país vizinho para sentimos essa diferença. O que temos de bom é a proximidade com Espanha, o que nos permite participar em muitas regatas, sinónimo de aprender muito e evoluir”.
Participações individuais são boas para ganhar experiência
“O facto de correr em dupla é muito vantajoso, sendo importantíssimo os dois participarem em regata”, considera Miguel Guimarães, explicando: “Eu como estou no leme, tenho de ir concentrado na condução e na velocidade. Por outro lado, é muito importante que o David olhe para fora do barco – o que não posso fazer – e veja onde estão os outros, qual a táctica usada, de que lado está o vento e outras informações. Vou sempre a falar com ele e a conduzir”.
Apesar de funcionarem muito bem como dupla, este velejador afirma que, sempre que podem, participam em regatas de forma individual, “o que é bom” para ganharem experiência. “O facto de andarmos em barcos diferentes, com outras tripulações, permite-nos estar sempre a aprender. Estes extras são benéficos para nós, porque a Vela é muito abrangente”, sustenta.
No ano passado, foram à Eslovénia a um Campeonato Mundial da BMW, em que os barcos tinham 5 pessoas a bordo. Também em 2013 participaram no Campeonato Nacional de ORC, tendo ficado em 2º lugar. Contudo, estas alterações ao dia-a-dia da dupla só acontecem quando não coincidem com nenhuma prova importante da carreira colectiva, pois a Classe Snipe é a prioridade na vida destes velejadores que, se pudessem, dedicavam-se a ela em exclusivo.
Vida profissional conjugada com a paixão de velejar
O facto de Miguel Guimarães trabalhar numa empresa que vende barcos – “em que alguns têm uma linha performance como os do médico Luís Quintino, mas a grande maioria dos barcos vendidos são da linha cruzeiro, mais para passeio, havendo outros como o “Rift” que, apesar de ser um barco para passeio, também navega muito bem” – é importante para o seu lado de velejador.
“É bom, mas para falar a verdade é um trabalho que leva muito tempo. Muitas vezes os treinos ficam cortados. Estou ali em Belém todos os dias a olhar para o mar e não posso treinar. E gostava muito”, salienta.
Em tudo na vida é preciso fazer opções. Como tal, houve uma altura em que Miguel teve de decidir se queria ir viajar e trabalhar para outros países ou, ficar em casa, onde enveredar por uma carreira profissional no mundo da Vela é para sofrer. Com o aparecimento de uma actividade profissional ligada ao mar e que concebia a faceta de velejador, deu-se a conciliação desejada.