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MEMBROS DA DIRECÇÃO DO CNH PARA 2015-2016 EXPLICAM POR QUE ACEITARAM ESTE DESAFIO - Vítor Mota - Vogal da Direcção
Vítor Mota - Vogal da Direcção
Funções: Acompanhamento do trabalho dos armazéns e oficina; Mestre da lancha “Walkiria”; participação no trabalho dos Botes Baleeiros.
Vítor Mota: “Tenho um prazer especial em pilotar a “Walkiria”
Fotografia de: Cristina Silveira
Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Por que razão aceitou o convite para fazer parte desta Direcção?
Vítor Mota: Por ter sido a pessoa que foi a convidar-me, ou seja, o senhor José Decq Mota. Depois de me ter dito aquilo que pretendia de mim em termos de trabalho nesta equipa que foi eleita, concordei e aceitei. O meu contributo passa por ser Mestre da lancha “Walkiria”, acompanhar o trabalho dos armazéns e oficina e dar apoio aos Botes Baleeiros.
Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Já fez parte de outras direcções.
Vítor Mota: Fiz parte dos Botes Baleeiros da Ilha do Faial em 2004 e dava apoio à Direcção. Quando se formou a Secção de Botes Baleeiros, comecei a trabalhar com o Carlos Fontes e o João Pedro Garcia e logo a seguir integrei as duas Direcções do João Pedro Garcia, que fez dois mandatos consecutivos. Posteriormente, o Hugo Pacheco formou uma lista e convidou-me, tendo sido eleito Presidente da Direcção, pelo que continuei no elenco directivo tendo ficado à frente da Secção dos Botes Baleeiros e a acompanhar o trabalho de armazéns. Quando o Dr. Fernando Menezes decidiu candidatar-se, não me convidou para fazer parte da Direcção, mas perguntou-me se queria continuar a ser Mestre da “Walkiria” e dar uma ajuda nos Botes. Recordo-me que nessa altura a “Walkiria” estava a ser alvo de uma reparação no motor, no Pico, e eu estava envolvido nessa questão.
Quanto aos Botes Baleeiros, fiz parte da Comissão com vista à organização da nossa participação na 4ª Regata Internacional dos Botes Baleeiros aqui, no Faial e Pico. Os americanos vinham cá e nós tínhamos de nos preparar para recebê-los e retribuir a amizade e o carinho manifestados lá.
E agora neste mandato do senhor José Decq Mota (2013-2014) continuei a dar o meu apoio como Mestre da “Walkiria” e na Secção dos Botes Baleeiros, mas sem pertencer à Direcção.
Gosto muito desta lancha baleeira e conheço-a desde a altura em que ia para o Varadouro, no tempo da baleação, assim como o “Cetáceo”.
Fui convidado por um tio meu para aprender a ser vigia da baleia, o que aconteceu com o senhor José do Rosário. Ainda estive nestas funções cerca de um ano, mas logo a seguir veio a proibição da caça à baleia. Devia ter uns 16 anos, mas acompanhei uma fase dessa vida, que como vigia dava pouco dinheiro.
Com o aparecimento dos Botes no CNH, após a sua recuperação, mantive-me ligado desde o início, pois gosto mais da competição do que da baleação. No primeiro e segundo anos andei nos Botes Baleeiros como marinheiro e depois passei a fazer parte do bote “Maria da Conceição”, do Clube Naval da Horta. Mais tarde o Carlos Fontes convidou-me para ser Oficial deste bote do CNH. Aceitei e tive como Oficial durante 5 anos. Eu, como Oficial juntamente com o Hildeberto Luís, e a minha equipa nesses 5 anos ganhámos um 1º lugar no Campeonato Regional; dois 2ºs lugares e um 3º lugar.
Acabei por deixar o bote na altura em que começaram a ser organizadas as companhas para a Regata na América. Participei na 2ª Regata Internacional juntamente com o Oficial que estava comigo, o Hildeberto Luís.
Na América, conseguimos conquistar o 1º lugar em Remos e tínhamos praticamente alcançado também o 1º lugar na Vela, mas na última perna da Prova uma aderiça da vela largou-se e quando já estávamos praticamente a cortar a meta em 1º lugar, tivemos de arrear o mastro e puxar a aderiça para levantar e vela. Como havia vento fresco, os outros foram passando por nós, mas mesmo com o azar, ainda conseguimos conquistar o 2º lugar. Ficámos todos com muita pena, porque naquele ano as coisas estavam a correr-nos de feição: já tínhamos ganho o Campeonato Regional e conquistávamos o Campeonato Americano, mas não conseguimos na totalidade.
A partir daí, passei a andar também noutros botes. Como o Capelo não tinha Oficiais em número suficiente e estava para deixar um bote para trás, passei a ser o Oficial do “São José”, pois custava-me deixar um bote de fora. Levava a “Walkiria comigo e deixava-a encostada por não ter ninguém para andar com ela e quando tinha, andavam com ela fora, mas não atracavam por falta de experiência.
Quando acabava a prova, voltava para a “Walkiria”, que os antigos sempre classificaram como “A Rainha dos Mares e a Menina dos nossos Olhos”. Ainda hoje há um senhor na Calheta do Nesquim, no Pico, que sempre que nos vê lá com esta lancha diz: “ Aí vem a Rainha dos nossos Mares”.
Devo confessar que tenho um prazer especial em pilotar a “Walkiria”. No primeiro ano em que ela começou a dar apoio às actividades do CNH, eu andava de marinheiro com o Carlos Fontes. Depois fiquei como Mestre desta lancha e é a embarcação do Clube Naval da Horta em que mais gosto mais de navegar. Gosto mais de andar na “Walkiria” do que num bote, embora também aprecie muito os botes baleeiros.
A “Walkiria” é uma lancha que tem de ser tratada com carinho no que diz respeito à sua manutenção. Ela fazia uma média de 52 litros por hora, mas agora está a consumir entre 37 a 40. Quando se acelera mais um bocadinho, pode chegar aos 42 litros, mas comigo como Mestre ela gasta pouco, pois não gosto de andar muito depressa, nem de fazer ralies. Aliás, não é uma lancha para isso. É verdade que outras embarcações também podem rebocar os botes baleeiros para as provas, mas não é a mesma coisa. Um bote tem de ser rebocado por uma lancha baleeira, senão o espírito já não é o mesmo e aqui estamos a falar da preservação de uma tradição muito importante para o Faial e os Açores.
Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Conhece bem o CNH. Acha importante a actividade que esta instituição desenvolve?
Vítor Mota: Todas as áreas em que o Clube Naval da Horta desenvolve a sua actividade são muito importantes para a ilha do Faial. Imaginemos que não havia este Clube: onde estariam todas as crianças e jovens que vêm para a Natação, Canoagem, Vela Ligeira e todos os desportos náuticos que esta casa tem? Na minha opinião, o CNH é uma peça fundamental para a ilha do Faial e os resultados estão à vista de todos.
Quando comecei a lidar de perto com este Clube via-se uma dúzia de crianças, mas o número disparou. A chegada do Treinador Pedro Cipriano veio dar, na altura, uma grande dinâmica ao Clube.
O Clube Naval da Horta está muito bem lançado em termos desportivos, de promoção da ilha, etc. É um Clube que representa o Faial e tem muita força.
Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Acha que a actividade do Clube é conhecida dos faialenses? O que se poderia fazer mais nesse sentido?
Vítor Mota: Se calhar, nem todos estão por dentro de tudo o que o CNH faz, mas se houver interesse, a internet é um mundo que não tem fronteiras. A Página do Clube é aberta a quem quiser inteirar-se do que se passa nesta instituição e a comunicação social local também dá um contributo nesse sentido.
Há cerca de 15 anos que a minha vida é toda feita, praticamente, na cidade e sei que há pessoas que ainda não se aperceberam do volume de actividade e trabalho desta casa e estou a falar de pessoas que todos os dias passam junto à sede do Clube. E a minha observação é a seguinte: “Se te fizesses sócio do CNH, frequentasses esta casa e desses uma ajuda, nem que fosse apenas durante o Festival Náutico da Semana do Mar, ficavas logo a perceber tudo aquilo que o Clube tem em termos de desporto e o que recebe de fora”. Mas para se ter uma noção real, é preciso as pessoas se envolverem e viverem por dentro.
Penso que está a ser feito um bom trabalho de divulgação e quem não sabe é por falta de interesse, já que não faltam mecanismos para as pessoas se informarem, quando querem.
Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Quais as suas expectativas para este mandato?
Vítor Mota: Esta é uma Direcção com muita malta jovem. Estou a achar que estão a trabalhar com muita ‘genica’ e espero que isso se mantenha sempre assim ao longo do mandato, pois vem aí um vasto programa de actividades. Alguns ainda não se aperceberam do balanço real desta casa, mas esta será certamente uma boa oportunidade nesse sentido.
Naturalmente que fazer parte de uma Direcção de um Clube como este dá trabalho. Não é algo que não se faça, mas é preciso despender tempo. Já gastei muitas horas da minha vida no CNH, deixando de me dedicar à minha actividade profissional. No que diz respeito aos botes, então nem se fala! Às vezes as tripulações dos botes estavam a treinar e eu na minha faina de pescador e o telefone tocava: umas vezes era do Clube, outras dos botes do pessoal das freguesias pedindo socorro para algum problema que tinha acontecido, preocupados porque havia prova no dia seguinte.
E eu respondia sempre que não se preocupassem que quando chegasse a terra ia ver o que se passava. E assim acontecia e o bote ficava sempre em condições de competir no dia seguinte. Nunca houve um bote que partisse uma peça nos treinos que não fosse competir na prova marcada. Muitas vezes eu estava preparado para ir para o mar durante três dias seguidos e só ia um, porque o trabalho com os botes ocupava-me muito tempo.
O trabalho essencial é de carpintaria, mas tenho feito mastros, retrancas e até já cozi velas que se descoseram.
Na minha família há carpinteiros, pedreiros, pintores e até mecânicos. Faço de tudo um pouco. Não sou oficial em tudo, mas desenrasco. Também gosto da parte mecânica e faço a manutenção da “Walkiria”, desmanchando e reparando o que é preciso.
Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Considera importante a componente do voluntariado?
Vítor Mota: Muito! Se fosse para pagar à Direcção, seria impensável manter o Clube. Cada vez mais, os apoios estão a ficar reduzidos para as actividades que o CNH promove e desenvolve e, portanto, se não fossem os voluntários, praticamente nada do que se faz seria possível. A maior parte destas pessoas trabalha por amor à camisola. Tem havido muito voluntariado no Clube Naval da Horta e espero que isso se mantenha e que quem quiser colaborar, venha com esse espírito.
Eu dou o meu contributo porque gosto disto. E só tenho pena que os meus filhos já sejam todos adultos, caso contrário vinham para os desportos de formação.
O que eu mais gostava era de estar sempre no Clube a colaborar. Se a minha vida me permitisse, eu estava todos os dias no CNH a trabalhar. Sinto-me compensado por tudo o que dou a esta casa e mesmo quando não integro a Direcção, desde que comecei a frequentar este Clube que sou convidado para a Festa de Aniversário, Jantar de Natal, Regata Atlantis Cup e outros momentos importantes desta instituição. Vou colaborar sempre enquanto puder e a minha saúde me permitir.