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Entrevistas aos vencedores do CNH do 2º lugar do pódio no Campeonato Regional de Vela Ligeira dos Açores
Classe 420: Ricardo Silveira/Tiago Serpa: “Faz-nos falta adversários e competições para evoluirmos”
Classe Laser: Pedro Costa: “A minha vida é Escola e Vela”

Ricardo Silveira e Tiago Serpa: uma dupla na Vela e na amizade
Fotografia de: Cristina Silveira
A Vela faz parte da vida deles e a verdade é que fazem sacrifícios para serem cumpridores no que aos treinos diz respeito. São atletas do Clube Naval da Horta (CNH) e lamentam não terem, localmente, instituições que possibilitassem a existência de adversários e competições para puderem evoluir na modalidade.
Acederam partilhar as suas experiências, recordando as posições alcançadas no Campeonato Regional de Vela Ligeira dos Açores, composto por 3 Provas.
Ricardo Silveira e Tiago Serpa formam uma dupla na Classe 420 e conquistaram o 2º lugar do pódio a nível Açores. Pedro Costa é velejador da Classe Laser e também ficou em 2º lugar a nível Regional. Se a estes resultados somarmos o título de Campeão Regional dos Açores na Classe Optimist, alcançado pelo atleta Tomás Pó, também do CNH, percebemos que os velejadores do Clube Naval da Horta levam este desporto muito a sério, orgulhando as cores que representam.
Ricardo Alexandre Costa Ávila da Silveira nasceu na Horta, tem 15 anos de idade e frequenta o 10º ano de escolaridade, na área de Ciências. Ainda não sabe o que quer ser profissionalmente, mas adianta que gostava de enveredar por uma carreira ligada ao mar. Pratica Vela há aproximadamente 5 anos e recorda que tudo começou por uma experiência numas Férias Desportivas, Programa anual que o CNH leva a efeito ao longo de todo o mês de Julho.
Tiago Luís Serpa nasceu na Horta, tem 15 anos de idade e frequenta o 9º ano de escolaridade. Mesmo sem ter definido o caminho profissional que quer seguir quando for grande, bom, grande é como quem diz, porque grande já ele é, não tem dúvidas em afirmar que gostava de estar ligado à área marítima. Para ele, a Vela começou em 2008 através do desafio de um amigo e do incentivo da mãe. E o bichinho ficou.
Pedro Mendes Costa também nasceu na Horta, há 17 anos, e frequenta o 12º ano de escolaridade. Pretende seguir engenharia mecânica e conciliar a Vela com os estudos universitários pois, caso contrário, seria deitar por terra todo o trabalho que tem vindo a fazer há quase uma década. Ao frequentar as Férias Desportivas aperceberam-se de que o miúdo tinha jeito para a modalidade e convidaram-no a integrar as fileiras da Escola de Vela do CNH. A relação manteve-se e consolidou-se ao ponto de hoje a vida deste jovem girar muito à volta deste desporto.
Nota-se que os três são amigos, trocam piadas entre si à medida que a conversa se vai desenrolando e picam-se uns aos outros, no bom sentido, porque se conhecem, treinam juntos, andam na mesma Escola e o universo faialense é pequeno.
Chegam quase ao mesmo tempo, ouvem as respostas uns dos outros, riem-se, e num misto de descontracção e entrevista séria, vão desvendando os prós e os contras do seu desporto preferido.
Ricardo começa as frases que são terminadas por Tiago, que funciona como suporte no barco e na conversa. São divertidos e complementam-se, pois o Ricardo lança o tópico e o Tiago desenvolve, de forma reflectida e pormenorizada. Afinal, eles formam uma dupla, única e especial no CNH. Trocam olhares cúmplices e quando se lhes pergunta o que seria ideal, riem ainda mais, para rematar com ar de sonho: barcos novos, velas novas e… um treinador pessoal, não era, pergunta Pedro Costa, com um sorriso matreiro e os olhos postos no telemóvel.
Apresentam-se de forma descontraída e vão fazendo um ping-pong entre as respostas e as deixas à parte até, porque, a jornalista os deixa à vontade e eles agem como se estivessem em sua casa e estavam mesmo, porque o Clube Naval da Horta é a casa destes atletas. E eles sabem-no e sentem-no e o CNH também. É esta reciprocidade que que faz o Clube ser dos atletas e os atletas do Clube.
Quando chega a vez de Pedro falar, o discurso está engatilhado e nota-se que ele dá o corpo ao manifesto e não deixa os créditos por mãos alheias. Mesmo a sorrir, tem ar de quem não brinca em serviço, deixando antever que é severo consigo próprio, porque trabalha por objectivos.
Foi muito agradável entrevistar estes jovens, simpáticos, promissores, com estilos diferentes, mas unidos pelo ideal da Vela e amanhã, mesmo em diferentes destinos terão sempre este marco formativo e vínculo desportivo, coroado pela amizade e pelas vitórias, no pódio e fora deste.
- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Estavam à espera deste 2º lugar no Regional?
Ricardo Silveira: Sim.
Tiago Serpa: Sim, estávamos, porque já tínhamos alcançado o 2º lugar tanto na 1ª Prova do Campeonato Regional (PCR) como na 2ª. Portanto, estávamos seguros desta vitória, pela qual trabalhámos.
- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Quais as vossas expectativas nesta modalidade?
Ricardo Silveira: Evoluir, ter uma boa prestação no Nacional, onde o nível é bastante elevado.
Tiago Serpa: Atingir um nível que se possa comparar ao que se verifica a nível nacional. Sabemos que não vai ser fácil, mas já tivemos a delinear estratégias com o nosso Treinador, Duarte Araújo. Pretendo aprender o máximo, porque num Nacional o nível está claramente acima do nosso.
- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: A Vela é…?
Ricardo Silveira: Uma parte importante da minha vida. Comecei nos Optimist e tenho vindo a praticar por gosto, sem imposição de ninguém. Posso dizer que a Vela é uma experiência de vida.
Tiago Serpa: Começou por ser um passatempo, mas agora pondero fazer uma carreira na Vela.
- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Já praticaram outros desportos?
Ricardo Silveira: Natação e Esgrima, mas eram muito monótonos. Cada vez que vou para o mar é um dia diferente, com ritmo. Não há dois dias iguais e isso é muito positivo.
Tiago Serpa: Na Escola pratiquei Futebol e Andebol. Actualmente também faço Natação no CNH, mas por ter problemas de saúde (coluna). Apesar de não ser nos moldes de competição, a verdade é que me ajuda bastante na Vela em termos de resistência.

“Na Vela não há monotonia”/”A Vela faz parte da minha vida”
- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Que dificuldades sentem?
Ricardo Silveira: Na vertente física e técnica. É preciso mais treinos e ganharmos mais resistência. Enquanto dupla, é muito importante a sincronização.
Tiago Serpa: Agora já estamos mais coordenados como dupla. Já consigo controlar ou prever certas atitudes do Ricardo. Nem sempre é fácil encontrarmos tempo para treinar juntos. Embora haja aspectos que possamos treinar de forma individual, a verdade é que na maioria das vezes trabalhamos juntos. O treino em equipa é melhor, pois competimos sempre em equipa.

Tiago Serpa e Ricardo Silveira: “Enquanto dupla, é muito importante a sincronização”
Fotografias cedidas por: Duarte Araújo
- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Não é difícil velejar a dois?
Ricardo Silveira: Tem aspectos bons e menos bons. Daí, eu sublinhar a importância da sincronização. Na Classe 420 estamos a falar de um barco mais técnico do que o Laser, por exemplo, em que o equipamento ajuda muito, mas exige afinação e sincronização entre o timoneiro e o companheiro.
Tiago Serpa: O Treinador Pedro Cipriano é que me incentivou a fazer 420 com o Ricardo, devido às nossas características. Apesar de a Vela ser considerado um desporto mais solitário, gosto de fazer em equipa. Naturalmente, que por vezes seria bom fazer Vela sozinho, mas o facto de nos conhecermos ajuda a perceber a reacção que o outro vai ter. Este é o 2º ano em que praticamos Vela como dupla. Tem de haver um grande entendimento entre nós os dois. No início foi preciso muito empenho para nos adaptarmos, mas agora já nos conhecemos melhor.
- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: O que faz falta?
Ricardo Silveira: Mais material, o qual se desgasta muito; mais dedicação por parte dos velejadores no que toca ao cumprimento dos treinos; mais tempo de treino e mais competição. Estamos muito sozinhos neste aspecto. Precisamos de treinos mais intensivos a nível físico e técnico.
Tiago Serpa: Concordo com o que o Ricardo disse. O facto de o nosso material estar desgastado é penalizante para nós em termos de resultados. Naturalmente que o material não pode ser responsabilizado quando não ganhamos, mas é um factor a ter em conta.
Além de tudo o que foi referido, também faz falta uma loja no Faial com material específico para a Vela que, por ter de vir de fora, chega cá a preços mais elevados.
Considero que em termos de treinos, o Treinador é exigente e puxa por nós, mas a verdade é que sem treinos não conseguimos nada. Portanto, temos muito que trabalhar.
- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Conseguem conciliar a Vela com as outras actividades da vossa vida?
Ricardo Silveira: Tenta-se fazer o melhor, numa perspectiva de equilíbrio. Está tudo estruturado em termos de tempo. Temos treinos de manhã e à tarde ao sábado, e sempre que há disponibilidade nos horários do Treinador e Monitor.
Tiago Serpa: Sim, dá para conciliar tudo. As notas são boas. Os sábados são passados no Clube, a treinar, e parte do domingo também. Aproveitamos para treinar mais quando os dias começam a ficar maiores.
Em termos de hobby, toco guitarra, encontro-me com os meus amigos e consigo gerir bem o meu tempo.

Pedro Costa: “Espero ficar nos 10 primeiros classificados no Nacional, no próximo mês de Abril”
Fotografia de: Cristina Silveira
- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: O que representa a Vela para ti?
Pedro Costa: É como se fosse um estilo de vida. Levo este desporto muito a sério e trabalho por objectivos.
- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Este 2º lugar no Regional constituiu uma surpresa?
Pedro Costa: A frota estava bastante competitiva, pelo que não estava nada a contar com esta classificação. No entanto, sabia que tinha treinado para alcançar bons resultados. Estou satisfeito com a 2ª posição, porque representa uma vitória, mas naturalmente que gostava de ter ficado em 1º lugar.
Na minha Classe (Laser) é preciso força física. Conta mais o velejador e menos o barco, mas a frota é mais competitiva do que no caso do Ricardo e do Tiago, porque tem mais gente a praticar.
- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Quais as tuas ambições na Vela?
Pedro Costa: Vou ao Nacional, em Abril próximo, e espero ficar nos primeiros 10 classificados. Em 2014 fiquei na 19ª posição, mas acho possível esta minha ambição porque melhorei muito desde o ano passado. Tenho treinado e me esforçado mais. Tive mais competição e colegas a puxarem por mim, o que me ajudou bastante. Gostava de manter a prática mesmo quando for para a universidade.

“Faço sacrifícios por causa da Vela, mas sinto-me compensado”
- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Que dificuldades sentes na Vela?
Pedro Costa: Seria bom termos mais material no Clube. A Vela requer muito tempo e trabalho. Faço sacrifícios por causa da Vela, mas vale a pena. Sinto-me compensado.
- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Já praticaste outros desportos?
Pedro Costa: Natação, no CNH, mas abandonei para poder ter mais tempo para estudar. Fui o Melhor Aluno do 11º ano em 2014.
- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: O que fica para trás por causa da Vela?
Pedro Costa: Por exemplo, passear ao fim-de-semana com a família, ver televisão. Ao tempo que isso não acontece! A minha vida é Escola e Vela.
A Vela dá e tira. Um aspecto positivo é o facto de ter grandes amigos nas várias ilhas, por causa da Vela.

“A Vela é como se fosse um estilo de vida”
Fotografias cedidas por: Duarte Araújo