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Membros da direcção do CNH para 2015-2016 explicam por que aceitaram este desafio - Cláudia Naia - Secretária

Cláudia Naia - Secretária

Funções: Apoio jurídico geral; Revisão dos Estatutos; Relações com entidades associativas nacionais e estrangeiras.

Claudia Naia 2015
Cláudia Naia: uma Faialense apaixonada pela sua Terra, que gosta de desafios e que acredita que o bem que se faz aos outros nos é retribuído em dobro

Fotografia cedida por: Cláudia Naia

- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Por que razão aceitou o convite para fazer parte desta Direcção?


Cláudia Naia: Primeiro, por que enquanto faialense, e uma apaixonada pela minha terra, julgo importante contribuir, dentro daquilo que posso, para o desenvolvimento e divulgação daquilo que é nosso; segundo, por ser um desafio, e eu gosto de desafios; por último, e também sendo uma parte bastante importante, já conhecia a grande maioria das restantes pessoas que compõem a Direcção, e tenho-as em elevada consideração, quer a nível profissional quer no trato social. São pessoas já com muita experiência neste campo e competentes, sendo estes os ingredientes chave, a meu ver, para o bom funcionamento de qualquer tipo de órgão ou instituição.

- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Já fez parte de outras direcções?
Cláudia Naia: Fiz parte de uma lista académica na altura em que frequentei a faculdade, por um curto período de tempo. Com excepção desse pequeno contributo, é a minha estreia nestes trilhos.

- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Conhece bem o CNH. Acha importante a actividade que esta instituição desenvolve?
Cláudia Naia: Conheço o CNH há muito tempo, se bem que tenho tido um contacto mais próximo nos últimos cinco anos e isso deveu-se ao meu retorno à ilha. É de louvar o esforço e a importância que esta instituição desenvolve com tão poucos recursos nesta ilha-mar.

- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Acha que a actividade do Clube é conhecida dos faialenses? O que se poderia fazer mais nesse sentido?
Cláudia Naia: Julgo que nos últimos anos a actividade do Clube Naval da Horta tem sido mais divulgada e isso tem permitido que o Clube e as modalidades desportivas que nele se inserem tenham maior projecção; porém, tem de ser um trabalho contínuo, não pode ser descurado nunca.
No meu ponto de vista, seria importante ir directamente às Escolas, no começo de cada ano lectivo, e dar a conhecer aos miúdos, de qualquer faixa etária, o CNH e as modalidades que podem aqui praticar. É um privilégio poder praticar-se todos estes desportos a preço “quase zero”, que é uma realidade que não acontece noutros locais, onde são considerados desportos “elitistas” e, consequentemente, se fazem pagar por isso. Mas existe outro público que também tem de ser atraído, não são apenas os estudantes… É o trabalhador, o reformado, o amigo do amigo, aquela pessoa que está a passar um período da sua vida nesta ilha… Se já George Orwell dizia que o desporto é uma guerra sem armas, então é uma guerra que vale a pena ser feita e acarinhada, primeiramente pelo CNH, mas também deverá ser apoiada por outros organismos na nossa Ilha e a nível Região, por que o Clube Naval da Horta faz sentido existir e funcionar. Faz sentido preservar, por exemplo, o seu património baleeiro e a cultura da baleação através da modalidade, que tem tido bastante adesão, que é a dos Botes Baleeiros e que, ainda que sendo uma herança norte-americana em que os açorianos se inspiraram, faz parte da nossa identidade enquanto “ilhéus” e que não deve, sobre pretexto algum, morrer. E o Clube Naval da Horta tem feito um bom papel na divulgação desta modalidade.

- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Quais as suas expectativas para este mandato?
Cláudia Naia: As dificuldades financeiras farão, com certeza, com que tudo se torne duas vezes mais complicado. Mas também esta não poderá ser uma desculpa para se dar, uma vez que esta é a realidade que a maioria de todos nós temos vindo a conhecer nos últimos anos. Espero que neste mandato se cumpram os objectivos que foram apontados no calendário de actividades, que se proporcione aos nossos atletas e aos visitantes bons momentos e uma boa organização para que tenham vontade de repetir a experiência. O resto vem com muito trabalho e vontade de fazer mais e melhor.

- Gabinete de Imprensa do Clube Naval da Horta: Considera importante a componente do voluntariado?
Cláudia Naia: É errada aquela velha frase batida de que ser voluntário é dar sem receber nada em troca. Nada há de mais errado nessa expressão. Recebe-se tanto, ou tudo! Sou apologista de que o bem que se faz é-nos retribuído em dobro, mas também acredito no reverso da medalha. Ser voluntário no sentido da frase acima… isso não existe. Recebe-se e espera-se sempre algo, nem que seja um sorriso de agradecimento e isso vale tudo. Convencermo-nos de que não queremos receber nada em troca é pura hipocrisia. Faz parte da nossa condição humana. Mas prestar um serviço à comunidade sem receber em troca nenhuma quantia monetária, torna-se cada vez mais raro num mundo que gira em torno do poder económico e da competitividade. É por isso que julgo que o voluntariado é importante porque faz com que olhemos para as pessoas com
outros olhos, em vez da tendência constante que temos de nos voltarmos para nós mesmos.