cal   fb    x    instagram     yt   issuu    rss

Náutica no Bar: Casa cheia para ouvir palestra sobre “Águas Vivas e Caravelas Portuguesas”

nautica bar aguas vivas 2

Realizou-se, na noite da passada segunda-feira, 1 de Agosto, no Bar do Clube Naval da Horta, uma sessão da “Náutica no Bar”, ligada ao tema “Águas-Vivas e Caravelas Portuguesas”.

O Presidente da Direção do CNH, José Decq Mota, deu início à sessão com as boas vindas aos muitos presentes que escolheram passar o seu serão na companhia de mais uma “Náutica no Bar”, convidando depois o Professor João Gonçalves, do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores, a começar a sua apresentação.

O professor João Gonçalves, por sua vez, começou por fazer uma apresentação e descrição desta espécie de animais marinhos, revelando o seu papel importante para o ciclo do carbono do planeta Terra.

As Águas-vivas, comummente assim denominadas pelos açorianos, ou Pelagia noctiluca, são uma espécie de medusas urticantes (que provocam lesões), do filo cnidário (onde também se inserem as caravelas portuguesas, os corais e as anémonas do mar). São compostas por 98% de água, não tendo ossos, coração ou cérebro. No entanto, o seu rudimentar sistema nervoso na base dos seus tentáculos permite-lhes sentir diferenças no ambiente e coordena o seu movimento, ainda que com pouca mobilidade, sendo arrastadas pelas correntes oceânicas.

Mesmo assim, esta espécie é uma predadora eficiente. Quando se ver livre dos seus predadores ou quando quer imobilizar as suas presas, a água-viva projeta-lhes toxinas presentes nos seus tentáculos, semelhantes a arpões. Por outro lado, é uma espécie muito procurada como petisco para tartarugas e vários tipos de peixes.

Já a Caravela-Portuguesa, Physalia Physalis, erradamente introduzida pelo povo na categoria das medusas, pertence ao mesmo filo das cnidárias, é uma espécie que pertence à classe Hidrozoa, flutuando em colónias e por vezes constituindo verdadeiras ilhas no oceano. Tal como a sua “prima”, a Caravela-Portuguesa é permeável às condições e correntes marítimas, dando às nossas costas. É também uma predadora ávida e carnívora, consumidora de algumas espécies de peixes, larvas de peixe, crustáceos pelágicos, camarão e outros invertebrados marinhos. Relativamente à sua anatomia, a sua carapaça flutuadora não é urticante, mas esconde um conjunto de tentáculos altamente tóxicos e urticantes, alguns chegando mesmo a atingir os 30 metros de cumprimento.

Foi neste contexto que a Doutora Montserrar Pavon foi convidada a continuar com a palestra, elucidando sobre os melhores tratamentos. Em caso de lesões com estas duas espécies, ainda na praia ou já em casa, a Doutora Montserrat aconselha sempre a lavagem do local lesionado com esguichos de água salgada ou de vinagre, deixando o aviso de nunca lavar com água doce ou esfregar o local, sob pena de provocar lesões maiores ou até infeções. No caso de a ferida não estar a sarar convenientemente uns dias após o ocorrido, a Doutora Montserrat aconselha ainda que se dirijam ao serviço de urgência, para receber tratamento adequado, fazendo referência ao animal que provocou a lesão, quando possível.

nautica bar aguas vivas 6

A Doutora Montserrat referiu ainda o caso de picadas ou peixes-aranha ou de raias e ratões, também comuns nas nossas águas. Por conterem venenos que provocam dores excruciantes e infligirem ferroadelas de ferida aberta, são também animais a evitar sempre que possível. O tratamento será um pouco diferente, utilizando-se calor para extrair o veneno.

Em todos os casos, o aconselhável será requerer ajuda médica sempre que as feridas se tornem insustentáveis, mesmo que já tenham sido tratadas com remédios caseiros e não estejam a resultar. Cada ser humano tem a sua biologia e reage de maneira diferente aos diferentes venenos destes animais, podendo mesmo muitas pessoas sofrerem reações alérgicas.

Foi ainda aberto um momento de debate entre os presentes, para esclarecimento de dúvidas e troca de ideias, findo o qual se deu por encerrada a sessão de mais uma Náutica no Bar.

O CNH agradece a todos os sócios e interessados que se deslocaram na noite desta segunda-feira para participar ativamente neste evento, tratando-se de um tema/problema bastante próximo dos faialenses que utilizam as praias ou o mar mais intensamente, quer lúdica ou profissionalmente.