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Vela Ligeira: Classe Hansa do Clube Naval da Horta no Campeonato Nacional, em Cascais – de 30 de Junho a 2 de Julho: “O desempenho dos velejadores irá depender, em muito, das condições de prova”

torneio primavera
Rui Dowling (o 1º da esquerda), Lício Silva e Libério Santos (os 2 últimos da direita) são os velejadores da Classe 2.3 que irão ao Campeonato Nacional em Cascais. O Treinador é o simpático, de chapéu

Depois de treino intensivo ao longo de mais de um mês, os velejadores da Classe Hansa - 2.3, do Clube Naval da Horta (CNH), preparam a viagem a Cascais a fim de participarem no Campeonato Nacional da Classe, que decorre de 30 deste mês a 2 de julho. A comitiva faialense, composta pelas estrelas da companhia, Rui Dowling, Lício Silva e Libério Santos, pelo Treinador João Duarte, o Terapeuta Nilzo Fialho e o funcionário do Clube, Diogo Picanço, que dará apoio logístico, embarca esta quarta-feira, dia 28. Participarão cerca de 10 clubes do território nacional, da Madeira e dos Açores, sendo o Clube Naval da Horta o único da Região.

Presume-se que o próximo Campeonato seja na Madeira. Serão 3 dias de competição, com uma média de 3 regatas diárias. Terão de ser realizadas pelo menos 4 para validar a Prova. A Cerimónia de Entrega de Prémios decorrerá no domingo, dia 2 de julho, estando o regresso ao Faial marcado para o dia 3.

“O meu fator de stress é ter de usar embarcações emprestadas”

João Duarte não tem dúvidas sobre a preparação dos velejadores da Classe Hansa, que têm cumprido o calendário de provas do Campeonato de Ilha. Contudo, também está consciente de que “é tudo novo para eles, pois vão para um campo de regata em que nunca estiveram”. “Temos algum receio em relação às condições que poderão ser extremas: muito vento, com a nortada, ou situações de muito pouco vento”. Mas a parte boa nesta aventura rumo ao desconhecido, é que neste conjunto “há velejadores para todas essas condições”. O Treinador sabe que “o desempenho deles irá depender, em muito, do que serão as condições de prova”.

Embora os atletas não se tenham queixado, percebendo o esforço que tem sido despendido e queiram, orgulhosamente, fazer boa figura, João Duarte nota que “estão cansados”, o que é natural, após a exigência da carga de treinos diários. “Compreendo o esforço acrescido que têm feito do ponto de vista físico e desejo que este cansaço e o número de horas de mar tenha reflexos”, que é como quem diz, resultados de pódio.

O facto de terem de usar embarcações emprestadas “é o único receio” deste Treinador, o que significa ficarem sujeitos ao equipamento que conseguirem arranjar. Por isso, a primeira tarefa será fazer uma espécie de vistoria aos barcos cedidos, a fim de perceber se há alguma falha. Embora seja preciso pensar positivo, João Duarte partilha a sua incerteza: “O meu fator de stress é perceber se temos embarcações em condições para competir de igual para igual”. Naturalmente que esta questão também poderá ter influencia direta naquilo que vierem a ser os resultados.

“Não vou negar que gostava que trouxessem medalhas”

Antes mesmo de ser questionado sobre as expectativas que leva, João Duarte antecipa-se, afirmando que não vai negar que “gostava que os seus velejadores trouxessem medalhas”, pois, sendo uma pessoa “muito competitiva”, participa para ganhar, além de que as vitórias sabem bem a todos. Porém, ressalva que o importante é cada um dar o seu melhor. “E se o melhor possível for feito em função das circunstâncias do Campeonato, fico conformado com aquilo que forem os resultados”.

“Vamos em grande exigência de treino e não em passeio”, assevera este Técnico, salientando que o facto de irem para Cascais “também é uma aventura para todos”. João Duarte vinca que “é importante aliar a questão do lazer, às experiências de vida e ao intercâmbio que surge com outros clubes e com outros velejadores. Aprendemos muito enquanto Projeto (“Vela Para Todos - Faial Sem Limites”) e eles crescem muito enquanto velejadores. Mas nunca nos devemos desligar daquilo que é o nosso propósito”.

Um Projeto que contribuiu para a inclusão

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“Temos de encontrar uma estratégia para financiar mais esta atividade e esta Classe”

A caminho de completar 6 anos de existência, o Projeto “Faial Sem Limites – Vela Para Todos” pode orgulhar-se de ter contribuído para a inclusão nesta ilha. Recorde-se que foi criado no fim de 2011 e resulta de uma parceria entre o CNH e a Associação de Pais e Amigos dos Deficientes da Ilha do Faial (APADIF). De realçar que o Clube Naval da Horta continua a ser, nos Açores, o único clube que conta com Classe Hansa na sua Escola de Vela, tendo sido, tal como noutros aspetos, também pioneiro no que toca à Vela inclusiva.

O Treinador da Classe Hansa do CNH faz, a propósito, este balanço:

“Certamente que todo o trabalho realizado ao longo destes 6 anos valeu a pena e é positivo. Do ponto de vista desportivo, foi 200 por cento bom, porque tem vindo a ser um Projeto de enorme sucesso na vertente de competição. Participámos sempre em todos os campeonatos nacionais desde 2012, com boas prestações e o nível está a evoluir. A satisfação é enorme. Contudo, este Projeto terá de ser mais abrangente, sendo, por isso, necessário um contributo em termos de mudança de mentalidades da sociedade.

Nós tínhamos um pouco a ilusão de que, criando aqui uma Escola de Vela e sendo a Vela Ligeira considerada como um todo, que isso pudesse ter um efeito multiplicador para outras áreas da vida e aí fica algum desgosto. Penso que o “Faial Sem Limites – Vela Para Todos” deu um contributo importante para a inclusão e os velejadores têm sido, ao longo destes anos, homenageados pelas suas Juntas de Freguesia, pela Câmara, pela APADIF, Academia do Bacalhau, Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA), etc. O reconhecimento do trabalho tem sido excelente. Acredito que essa valorização por parte da sociedade, tem um impacto naquilo que é a imagem que se tem das pessoas com deficiência.

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Libério Santos foi convidado a testar o novo equipamento

E quero aproveitar esta oportunidade para realçar a adequada iniciativa da Junta de Freguesia de Castelo Branco, que instalou na Zona Balnear, um elevador e grua. A inauguração decorreu na cerimónia do Içar da Bandeira Azul e Praia Acessível, no dia 19 do corrente. Sublinhe-se que é a primeira piscina natural do Faial que tem acesso a cadeira de rodas. Como tal, a Junta convidou o nosso atleta Libério Santos a estar presente e testar o elevador de acesso, assim como a grua.

Penso estas pequenas obras, fruto de mudança de mentalidades, foi uma das mais valias deste Projeto, através do qual se foram apercebendo que os espaços da sociedade são para todos. Aquele equipamento não vai servir só para o Libério mas, para todas as outras pessoas. Estou convencido de que se este Projeto não tivesse surgido há 6 anos, provavelmente não existia ainda este tipo de mentalidade no Faial e esta nova forma de olhar para as acessibilidades. Certamente que a acessibilidade, tanto a de direito (por vezes mais difícil de alcançar do que a outra) como, também, a física, é um conceito que tem evoluído muito no Faial à custa do Projeto “Vela Para Todos – Faial Sem Limites”.

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O elevador e a grua servirão para toda a gente

“Crescimento passa por ter gente habilitada e sensível”

Havia gosto e vontade de ter ido mais além, ficando, ao fim destes 6 anos, as realizações aquém do esperado. Outro aspeto que me deixa alguma tristeza, é o facto de termos suspendido uma parte deste Projeto que é a vertente recreativa e de lazer. Ao longo destes 6 anos, tivemos cerca de 50 praticantes com a participação dos utentes das instituições que trabalham na área da deficiência no Faial: Escola Básica Integrada da Horta com a sua Unidade Especial (UNECA), Santa Casa da Misericórdia com os utentes do Centro de Atividades Ocupacionais CAO)e, a APADIF, com o seu projeto Moviment’arte. Tivemos na Escola de Vela do Clube Naval da Horta crianças, jovens e adultos com deficiência, que praticaram, regularmente, muitas horas de Vela durante 3 dias por semana ao longo de todo o ano.

Estamos a falar de várias horas de grande alegria, aprendizagem, convívio e integração que, por uma questão logística e de indisponibilidade do Treinador e Terapeuta – que sustentavam esta atividade durante a semana – teve de ser suspensa. Essa é uma vertente que está em “banho Maria”. Espero que, tanto esta vertente como a de competição, venham a encontrar formas de crescimento e sustentabilidade, mas isso passa por ter apoio e gente habilitada com formação e sensibilidade para trabalhar na Vela.

A Classe Hansa conta com 5 frotas, número ideal para a nossa logística. Temos de encontrar uma estratégia para financiar mais esta atividade e esta Classe, com o intuito de haver treinadores federados e pessoas que possam garantir, em absoluto, a continuidade do Projeto.

Clube Naval da Horta tem os 3 Campeões Nacionais de Vela

É com muito orgulho que recordo que o Rui Dowling (Campeão Nacional em 2016) está no grupo das três pessoas que, a nível do CNH, se podem gabar de serem campeões nacionais: estou a falar de Armando Castro no âmbito da Vela de Cruzeiro; Rui Silveira no Laser e Rui Dowling na Classe Hansa 2.3.
Já tivemos, também, outros velejadores com muito boas prestações no Campeonato Nacional, como é o caso do Lício Silva e do Libério Santos”.

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